terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Saramago e Deus

Tenho uma tese muito minha sobre a relação de Saramago com Deus.
É preciso lembrar que, segundo um artigo que li algures, Saramago é aquele autodidacta em estado puro que pensou que os heterónimos de Fernando Pessoa eram diversos escritores reais. E é preciso ter assistido àquela entrevista em modelo de frente-a-frente com um estudioso franciscano, em que se notou o enorme respeito que Saramago tem pelas questões religiosas quando confrontado com um 'homem de Deus'. Só faltou pedir a absolvição dos seus pecados, e fá-lo-ia desde que não fosse obrigado a ajoelhar.
A minha tese é de que Saramago perante Deus é como uma criança, a mais ingénua e inocente das crianças, que ouve falar em milagres e logo tem esperança de assistir a um milagre para si próprio. E vai provocando Deus na esperança de que isso aconteça.
É isso, em meu entender, que Saramago procura: ser agraciado com um milagre dirigido aos seus mais íntimos anseios, e que possa ser testemunhado pelo mundo inteiro.
Defendo que isso para ele seria mais importante ainda que o Prémio Nobel.

3 comentários:

pessoana disse...

Portanto, leste o Caim, foi?:-)
Acho que o Saramago pensa mais nele próprio do que em qualquer outra coisa. Deus, sendo uma outra coisa e, portanto, diferente do Saramago, não merece tanta atenção como o Saramago. Isto segundo Saramago, parece-me. Eu cá não o recrimino. Também penso mais no Saramago do que em Deus. Mas penso menos em Deus do que o Saramago.
Gostei do Caim.

Miuxa disse...

Pois, Pessoana, egoísta ou egocêntrico como uma criança, Saramago só se contentará com um milagre a ele dirigido, que lhe prove a existência de Deus, porque não quer ser como as pessoas de Fé, que crêem porque, precisamente, têm Fé.
É essa a minha tese.

tiza disse...

Eu acho que ele acredita sinceramente que Deus não existe e que os que defendem as religiões, em geral, acabam por atrofiar as pessoas intelectualmente e prejudicar ou empobrecer as suas vidas. Por isso ele se revolta daquela forma. Penso que é genuíno... não creio que seja por egoísmo mas, bem pelo contrário, por altruísmo (embora ele não seja, de facto, um homem muito simpático)