Um melro é um pássaro negro, penas aprumadas como um fraque de bom corte, de bico alaranjado. Se apurarmos bem o ouvido, concluímos que parece ser sempre ele o primeiro a cantar pela manhã.
Aquele melro era recém-nascido, pardo e despenteado. Tinha caído do ninho e estava desamparado. Os miúdos encheram-se de cuidados, e alimentaram-no à mão, na varanda. Abrigaram-no do fresco da noite e transformaram em brincadeira diária o seu papel de pais-mães-adoptivos. O melro foi crescendo e ao fim de uns dias voou para fora da varanda.
É preto, penas muito lisas e alinhadas, e tem um bico alaranjado. Nada o distingue dos outros. Os miúdos, agora já crescidos, não sabem quantos anos vive um melro, mas naquele jardim há sempre dois ou três que acompanham com uma animada cantoria as suas tarefas de jardinagem.
1 comentário:
O início do texto fez-me lembrar a música "Eu tenho um melro" dos Deolinda, mas depois percebi que não tinha nada a ver.
Diz que os elefantes não esquecem NUNCA. O hipópotamos também não.
Já os pássaros, não sei... Parecem-me um bocado despassarados!
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