Foi ontem o funeral de Eusébio da Silva Ferreira. No fundo todo o país teve possibilidade de acompanhar esse acontecimento nos últimos dois dias, de perto ou pela televisão.
Por aqui as opiniões dividem-se. Muitos não sentem o valor histórico de certas vidas e certas mortes. A história desenrola-se em escalas desfasadas para as pessoas que a vivem em idades diferentes.
Chamar 'rei' a Eusébio pode parecer tão adequado a alguns como parece ridículo a outros. A explicação simples é que estão em momentos diferentes da respectiva escala histórica. Estão em escalas diferentes de sensibilidade e de liberdade. Estão em escalas diferentes de auto-estima e auto-confiança. Estão em escalas diferentes de respeito pelos outros. Têm escalas diferentes para grandeza e glória.
Eu gostei de poder assistir aos tempos em que o Eusébio era um jogador forte, esforçado e com sucesso, em que o Benfica era a equipa do meu irmão mais velho e ganhava tudo o que havia para ganhar. Gostei de ver o Eusébio ser acarinhado pelo Benfica e pelos homens do futebol na parte final da sua vida, e de vê-lo sempre presente nos momentos importantes do futebol português.
É uma das razões porque ainda hoje digo com uma pontinha de vaidade - disfarçada pelos desaires mais recentes - que sou do Benfica.
Viva o Rei !
1 comentário:
Para os da nossa geração que em meninos tinham alguém na família que se interessasse por futebol, era impossível ficar indiferente ao entusiasmo e alegrias nunca antes imaginadas que foram proporcionadas por Eusébio a um país inteiro. O célebre Mundial de futebol de 1966 ficou marcado para sempre na minha memória como o primeiro acontecimento da minha vida em que senti genuína e enormíssima alegria e orgulho de ser português. E ninguém esquece nem pode deixar de se sentir eternamente grato a quem nos deu tantas alegrias. Obrigado, Eusébio! Até sempre.
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