Dona Nazaré anda ultimamente com a mania da hortelã na sopa.
Em tempos só punha hortelã na sopa de cozido ou na canja, e não era sempre.
Não gosto de arroz na sopa, e agradam-me muito tanto a sopa de cozido com massinha de cotovelo como a canja com massinhas pequeninas. Foi com estas duas sopas feitas por ela que ganhei o gosto à hortelã, que sempre achei ter um sabor a rebuçados para a tosse não consentâneo com a alimentação de mastigar e engolir.
Mas Dona Nazaré ganhou estatuto de se borrifar para as esquisitices dos clientes do restaurante do seu irmão, onde é cozinheira 'de mão cheia'. E em verdade não se borrifa, vê-se que se esmera na cozinha e fica contente com os frequentes elogios dos comensais.
Ontem presenteou-nos com uma sopinha de grão com espinafres aromatizada com folhas de hortelã. Um creminho base suave mas não líquido, as folhas de espinafres cortadinhas em pedaços - em quantidade mais doméstica do que comercial - e um aroma de hortelã apenas suficientemente perceptível.
Hoje a sopinha de feijão verde - um creme igualmente suave, com feijão verde fresco sem fios partidinho em pedacinhos - também tinha umas folhinhas de hortelã.
As especialidades de Dona Nazaré não cabem em minúsculas quantidades de pratos 'gourmet'.
1 comentário:
A minha relação com a hortelã como tempero tem seguido um percurso idêntico ao teu. Ainda raramente a uso ou a encontro numa sopa, mas quando acontece sabe tão bem... Abençoadas as Donas Nazarés.
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