quinta-feira, 14 de maio de 2015

Matrioskas

Quando o cansaço me apanha, tenho a tentação de invejar a vida de uma boneca de corda : parada na maior parte do tempo, insensível e inanimada, a que se dá corda apenas quando se está com paciência para vê-la movimentar-se ou ouvi-la falar. 
Não corre o risco de ser mal entendida, a gravação na ponta da corda, os movimentos mecânicamente programados, não tem tristezas nem alegrias, é assim, uma boneca simples com o coração na lapela do seu vestido.
As pessoas não.
As pessoas têm o coração a bater, a sorrir ou a doer dentro do peito, podem sentir carinho por fora, tristeza por dentro, amor por fora, indiferença por dentro, dizem sim e dizem não, dizem coisas simples que parecem complexas, vestem-se de máscaras sucessivas, escondidas umas dentro das outras, experiências boas e experiências más, umas dentro das outras, dentro das outras, dentro das outras.

1 comentário:

zmiguel disse...

Bem observado.
Talvez a propósito, para conseguir publicar este comentário do meu telemóvel estão a pedir-me que prove que não sou um robot. E confesso que estou com algumas dificuldades em fazê-lo :)
Beijinhos