sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Pombos


Os pombos lá fora lembram-me o filme "Mentes brilhantes", onde um economista, mais tarde prémio Nobel, doente psiquiátrico controlado, tentava encontrar uma fórmula matemática para descrever o movimento dos pombos. Bem, o prémio não se relacionava com essa pesquisa ...
Lá fora, repetem-se de facto os voos dos pombos, que usam os beirais e os candeeiros de rua para se encontrar.
Não simpatizo muito com estes pássaros, a quem alguém já chamou "ratos do ar" ou coisa semelhante. E penso que por isso, por não simpatizar com eles, o seu movimento lá fora parece-me tão insistente como o resultado exacto de uma fórmula matemática. Por vezes enervante ...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Com uma boina de pintor parisiense


A sala de pintura está do outro lado de uma cortina de fantasia.
É uma sala clássica, num edifício da baixa pombalina. Tem umas grandes janelas que deixam entrar uma claridade coada pelos prédios que se alinham em quadrícula lá fora.
Para acrescentar nostalgia ao ambiente, a professora costuma trazer ou uma boina à moda dos pintores parisienses ou um chapelinho que lhe confere uma imagem intemporal.
As alunas vestem batas brancas como se estivessem a lidar com um trabalho de precisão laboratorial. (Mas é só para não pintarem as roupas)
Mergulho semanalmente nesta sala como se fizesse uma viagem no tempo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ela é fresca, a tartaruga

Agora deu para coçar a carapaça.
Bem, não sei se o gesto tem outro significado biologicamente mais rebuscado, talvez mesmo inconfessável, mas é o que se vê.
E tem piada, porque como tem a maior parte do corpo rígido, parece uma plataforma a movimentar-se de um lado para o outro, ou de trás para a frente, fixa nas quatro patas. Como aqueles bonecos de feira periclitantemente presos em quatro patas de elásticos.
Encosta o rebordo da carapaça a um objecto firme que lhe parece conveniente e faz este movimento de plataforma rígida, com a flexão e torção das patas traseiras.
É de morrer a rir.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Avó perfeita

Seria injusto recordar a Tia-Avó Maria, com os seus azares, e não recordar a sua afável irmã, minha Avó perfeita, como saída de um conto de fadas.
Ainda me lembro da primeira imagem que tenho dela, teria eu dois anos, subia as escadas a pique da sua casa enorme, o que não espanta sendo eu pequena. No topo das escadas estava uma senhora idosa, de braços abertos, com um sorriso que se estendia aos seus olhos, a pele do rosto macia e cheia de rugas de expressão, de muito sorrir aos netos e filhos. Cabelos branquinhos sempre bem lavados e penteados e de ligeiros reflexos azuis.
Recebia-nos em sua casa pelo Natal e nas férias de Verão, e fazia tudo para que nos sentíssemos numa casa de sonho, tudo impecávelmente organizado e a cheirar a ar puro.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Saramago

Estou a ler "A viagem do elefante".
Esta primeira parte do romance, que terá sido escrita por Saramago antes de adoecer, é cheia de humor. Como sempre nos seus livros, saboreio cada frase, construída com cuidado, exacta como exercícios de matemática, quer seja resultado de um esforço consciente ou de uma inspiração fenomenal.
É sempre uma ginástica mental ler um livro de Saramago. Não só porque nos surpreende com os temas e seus desenvolvimentos, como pela riqueza e substância da sua escrita, e o inesperado de algumas ousadas inovações ortográficas.
Que pena sermos mortais. Mas sobre isso ele também já escreveu, em "Intermitências da morte" (quando a morte se ausenta, é o caos ...).

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Dia de Reis

Escolhi, de entre os vários casacos, o mais quentinho. O dia está lindo, solarengo, mas muito frio.
Por estas horas estou já "afogada" generosamente em votos de Parabéns deliciosos. Delicioso é também o cheiro do abacaxi que as amigas me ofereceram dentro de um enorme saco amarelo.
O Dia de Reis é especial para muitos, e em muitas escolas as educadoras constroem com as crianças coroas de cartolina, para os miúdos usarem cheios de alegria.
Chamaram-me "grande prenda que nos saiu no Bolo Rei ...". Fizeram um coro à porta do gabinete a cantar, baixinho, os 'Parabéns a Você'. Alguns inspirados SMS no telemóvel.
Sempre me senti privilegiada por fazer anos neste dia.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ano Novo

O Ano ainda agora começou e já se parece com o que passou.
"Esta passagem do Ano foi 'séca' ! Não aconteceu nada ..." - disse alguém que passou a meia-noite comigo, a criança mais pequena a dormir, nada de grandes alaridos, o nevoeiro a esconder a alegria do fogo-de-artifício, uma humidade e frio que nos fecharam em casa.
Há sempre aquela expectativa de abrir o Ano Novo como um presente-surpresa, de começar de novo, de fazer melhor, muito brilho, muitas luzes, muitas côres. Como se pudesse aparecer um novo brilho mais intenso, uma luz mais surpreendente, uma nova côr até aí desconhecida.
Mesmo assim, se o Novo Ano fôr tão simpático para mim como o anterior, não me queixo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Canário cantor

Fico com muita pena quando o canário pára de cantar, durante a muda da pena. Como a fase dura algumas semanas, receio que não se volte a lembrar de como fazê-lo.
Mas cá em casa há quem desespere por ele cantar tanto. Quase que lhe atiram com um sapato ...
O mais estranho é que no Inverno de manhã, ainda antes do sol nascer, escuro como breu, eu acendo a luz por momentos, e ele desata a cantar. Mesmo depois de voltar a desligar a luz, ele fica a cantar no escuro. É um pouco louco.
Eu sei que se lhe pusesse um pano em cima da gaiola, a coisa piava mais fino, mas não quero correr o risco de me esquecer e acabar por o deixar tapado todo o dia.
Com esta energia toda, arrisca-se a ser despejado por quem não aprecia as suas melodias.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Carapaça

Ontem houve um momento de ternura entre mim e a tartaruga, e por isso resolvi escrever sobre ela. Dei-lhe um pires de água quando ela saiu do seu esconderijo de hibernar, e ela em troca veio direita a mim e encostou o focinho à minha bota. Espectáculo !
Bem, mas aquilo que ainda não vos disse aqui, é que todos os anos ela solta umas placas da sua carapaça antiga, tipo mudança de pele. Não sei até que tamanho isso vai continuar a acontecer, e não me lembro se este ano ainda fez essa mudança.
A pouco e pouco vamos aprendendo a lidar com as suas vontades silenciosas.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Tia-Avó

Lembro-me bem da minha Tia Maria. Na altura achava que toda a gente para além de ter Avós, Pais e Tios tinha também uma Tia-Avó chamada Maria. Até havia o licor "Tia Maria". Devia ser uma peça fundamental em qualquer família.
A Tia Maria adorava bébés, tratava o cabelo branco com chá, e vivia sózinha em Lisboa. Tinha casado com um senhor muito mais velho, que não cheguei a conhecer, viveu no Brasil, e não teve filhos.
Contava aos sobrinhos-netos que em jovem era uma rapariga muito linda, mais linda até do que a irmã, nossa Avó, "não desfazendo". A minha Mãe não achava muita graça ao nosso fascínio pela Tia Maria, que nos cativava precisamente porque dizia e fazia bastantes coisas disparatadas.
E porque sentíamos alguma injustiça na sua solidão.
Pois bem, eu agora também sou uma Tia-Avó, esperando deixar marca por razões mais inócuas.
Muitas felicidades ao recém-nascido Sobrinho-Neto.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Natal


Lembrei-me hoje. Por causa do frio.
Em casa da minha Avó havia uma braseira. Entre os pés de uma mesa de camilha, onde cabíamos sentados para o pequeno almoço.
Não me lembro da braseira acesa, talvez não fosse preciso. Eramos uma família grande, a casa estava sempre quentinha, com muita luz, muita agitação. A Avó, Mãe e Tias juntavam-se na cozinha para preparar as refeições, e nós íamos lá para apanhar um docinho acabado de fazer, ou só para ouvir as conversas e sentir a ternura.
Em cima da mesa de camilha, a qualquer hora da manhã, estavam recipientes térmicos com leite quente e café de cevada, cestos de pão e manteiga fresca. À espera de quem acordasse mais cedo e também dos mais dorminhocos.
A Tia mais nova punha-nos a fazer enfeites de Natal: anjos de papel brilhante e cabelos dourados.
Lembrei-me hoje. Lembro-me sempre. Quando faz frio.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Estreante em Molotov


Foi preciso chegar a esta idade para ter coragem de fazer o meu primeiro Molotov.
A receita é de um site de culinária, e explicava tudo timtim-por-timtim. Juntei-lhe uns ovos moles inspirados nos da minha Mãe:
8 claras + 8 colh sopa de açucar + um pouquinho de caramelo.
Pré aquecer o fôrno a 180º.
Bater as claras muitíssimo bem juntando o açucar a pouco e pouco, e finalmente um pouco de caramelo. Untar uma forma de buraco com caramelo. Pôr colheradas de claras sem tentar alisar muito.
Pôr no fôrno ainda ligado. Desligar o fôrno ao fim de 10 minutos e deixar o molotov lá dentro mais meia hora. Não abrir NUNCA o fôrno durante este tempo todo.
Retirar do fôrno, e desenformar logo. Cobrir com ovos moles feitos com n gemas + n colh sopa água + n colh sopa leite + n colh sopa de açucar + casquinha de limão + canela, que se levam ao lume brando, mexendo sempre, até engrossar.
A foto é do meu primeiro Molotov.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

"Olivier Rameau", de Dany e Greg

O meu Pai comprava todas as semanas a revista Tintin. Nós tirávamos à sorte quem lia primeiro naquela semana. As histórias na revista, de várias séries de BD, tinham continuação durante uma quantidade de semanas. Os números especiais presenteavam-nos com longas histórias completas.
Era um ritual familiar muito saudável.
De entre as histórias que recordo, destaco as aventuras de Olivier Rameau, com ambientes mágicos de desenhos lindíssimos, um certo nonsense e bastante sensualidade.
Andei a procurá-lo, sem me lembrar do nome mas apenas de uma personagem chamada 'cavaleiro rangente-da-falta-de-óleo', e lá o descobri ontem, na 'net', claro.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Semi-frio

A tartaruga está este ano numa hibernação intermitente ...
Está escondida no seu cantinho debaixo dos cestos-prateleira das cebolas e batatas, mas em alguns dias mostra-se, ou vem ver o que se passa.
Tivemos receio de que lhe faltasse alguma coisa, e começámos a dar-lhe um recipiente com água sempre que acontecem essas deambulações. Ela mergulha o focinho na água, e fica assim por longos momentos, embora não se consiga perceber se bebe alguma coisa.
Pelo menos, parece ficar satisfeita com os miminhos.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

I want to see you dance again, on this harvest moon

Em estilo anos 60-70, trouxe alguns CDs para me acompanharem o dia.
Não sou ouvinte habitual da minha música preferida, costuma no horário de expediente estar o rádio a tocar, e em casa, o ruído de fundo constante da televisão.
Leonard Cohen com Suzanne ou The sisters of Mercy, depois de Neil Young ou Sandy Denny, Led Zeppelin. Enfim, coisas que já não passam na rádio, e me transportam às minhas certezas de adolescente, sobre boa música, bons poemas, a expectativa de um futuro de pessoas mais consistentes.
Já não há bardos como os dos 60.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Monumento preferido


Comecei o meu trabalho mais ambicioso até agora. É natural que dê com os burrinhos n'água, mas tinha de tentar.
É o monumento que mais admiro, o mosteiro dos Jerónimos, e foi preciso deixar algumas coisas ao acaso, como que parte caberia na tela que comprei. As fotografias que tirei determinaram um bocado isso, mas pode ser que se gostar desta experiência eu acabe por fazer outra tela com outra parte do monumento.
Entretanto, ansiosa por vos contar, fiz este esboço em paint, de memória. Foi muito divertido fazê-lo, e espero que vos agrade.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

"Comédias para se ler na escola" - Luís Fernando Veríssimo

Viajávamos a caminho de Vila do Bispo, para comer 'perceves' num restaurantezinho bem simpático no largo da farmácia. Pelo caminho, a estrada profunda em direcção a Sagres, o escuro do fim-de-tarde, e as vozes calmas do repórter e do escritor. Humorista de língua brasileira pachorrenta, com artes de saxofonista e jornalista, como ia contando no rádio do carro.
A sua voz fez-me lembrar um técnico brasileiro com quem trabalhei, a quem os meus colegas chamavam o "Pai Natal", devido ao porte e semblante afável.
De volta ao meu dia-a-dia procurei links na net, passei às amigas, e uma delas emprestou-me este livro, que vos aconselho porque é refrescante.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Searas douradas


Não costumo expôr-me a este tipo de situações. Mas naquele dia solidarizei-me com a velhota que, a correr, ofegante, tinha acabado de perder a "carreira" à minha porta. Lançou uma asneirola, frustrada mas divertida, e fez-me queixa da pouca sorte. Ofereci-lhe boleia no meu carro, porque iamos para o mesmo destino.
E então presenteou-me com uma história das que eu aprecio. A velhota é uma antiga ceifeira, e durante o nosso trajecto contou-me como antigamente vinham trabalhadores do Alentejo para trabalhar em vastos terrenos de cultivo, mesmo ali onde agora cresciam prédios de betão e estradas de asfalto negro. Grande parte daqueles terrenos, agora urbanizados, eram percorridos a pé pelos numerosos grupos de ceifeiros contratados.
Imaginei-lhe o rosto envolto num lenço colorido por baixo de um chapéu de palha de abas largas, e deixei-a no seu destino, que afinal creio que não é o meu.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Imortalidade

Este Domingo estive a ver o filme de surf com Patrick Swayze - "Point Break". O cabelo branco descorado pelas barras de cêra das pranchas, ondas enormes, comportamento rebelde e destemido, aquilo que hoje se chama "radical". (Bem, é mais que isso)
Quem me conhece agora, pode não acreditar, mas nos meus dias preenchidos de praia, em adolescente, também me comportei como se nada pudesse acontecer-me. Marés vivas dominadas com braçadas fortes e mergulhos oportunos, sem colchão nem prancha, numa experiência que não tinha mas ia construindo com a ilusão da imortalidade.
Grandes ondas, belo filme.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Gatos nos telhados de Inverno

Através dos vidros bem lavados vejo os telhados de um bairro típico de Lisboa. Nesses telhados, um gato em passeio experiente pelos seus domínios. Saiu de casa pela janela de saguão.
Os quintais mais abaixo têm mais cimento cinzento do que o verde de plantas. Estes animais sábios adaptaram-se a um ambiente modesto tanto quanto em outros tempos se integravam nos palácios dos faraós.
Misteriosos serão sempre, no seu porte real, em mundos de fantasia que decerto os envolvem nos intermináveis caminhos que lhes ocupam os dias sonolentos.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"Velhos são os trapos"

A voz da menina do metro anuncia: "Próxima paragem: Anjos". Sai o Avô com o neto ao colo. Rapazito pequeno, ano e meio. Dei-lhes lugar umas estações mais abaixo. O Avô não pediu, mas o conforto é certamente merecido. De manhã cêdo, vai levar o menino ao infantário. Viajam em silêncio, com gestos de cumplicidade habitual: a cabeça encostada levemente no peito do Avô, que segura a mochila. Observa as mãos pequeninas, e responde com um sorriso ao seu olhar sereno.
Pensei: "Próxima paragem: Anjos da Guarda".

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Mãe garina

De vez em quando faz assim, ajuda-me a descarregar a máquina da loiça, sem eu pedir, a pôr a mesa para o jantar.
Como se faz a uma mãe atarefada, que nos parece que já está com os cabelos em pé porque está a atrasar-se na preparação do jantar. A "cota" que chegou tarde do trabalho e continua por aí adiante, ocupada com os afazeres domésticos. Desejosa de se estender no sofá.
Mas não é assim que me sinto. Continuo a sentir-me adolescente, jovem de consciência, incerta nas decisões e insegura de convicções, descobrindo dos outros e de mim, cada dia, coisas novas. Espero, mesmo assim, garantir parte do suporte da família que somos.
E nele descubro todos os dias um bom amigo.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Bebedeira de verde


Lá em casa ninguém gostou ...
Devo reconhecer que durante a construção deste quadro tentei várias vezes emendar os tons, mas ia sempre parar a estes verdes.
Misturei azul com amarelo, usei verdes já feitos, tentei fugir com beiges e castanhos, mas ia sempre parar ao mesmo. Resultou daí este quadro que de noite não se percebe quase o que é, de dia agride o bom-senso, e não passa de uma ansiedade verde.
Resolvi mesmo assim publicar, porque tem algo de hipnotizante para mim.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mau tempo

Pior que o mau tempo é o mau humor. A combinação dos dois é uma tragédia.
Comecei este mês de Outubro a escrever sobre a praia. Agora chove lá fora, e estou de mau humor. A tartaruga parece já ter começado o seu período de hibernação. Ou então também está mal humorada.
É um daqueles dias em que não devia atrever-me a escrever. Este blogue pretende ser leve e despreocupado. Assim corre o risco de atrapalhar.
Então vá, descubram lá as coisas positivas de um dia de chuva, e lembrem-se sempre como é bom acordar vivo.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Canários em vários episódios

Ao contrário de outros animais domésticos, no caso dos canários não podemos afeiçoar-nos muito.
Eles são frágeis, e têm normalmente poucos anos de vida. Pelo menos tem sido assim com os nossos. O máximo que viveu um canário em nossa casa penso que terá sido uns seis anos, e não sei se estarei a exagerar.
Podemos no entanto confiar que os mimos que inventamos para um determinado canário irão por certo agradar a outro. Ter canários é assim como ser-se fâ de uma série ou uma colecção. Aconselho a quem teve um canário, e ficou triste porque o perdeu, arranje outro, e verá decerto a continuação da história. Renda-se à evidência de que uma criatura assim tão frágil pode não sobreviver a uma simples muda da pena, ou um golpe de ar frio. Alguns morrem por estúpidos acidentes, e outros fogem pela janela fora por uma distracção na limpeza da gaiola.