quarta-feira, 29 de abril de 2009

Acessibilidades

Li uma história gira no BBC News: um gato que todos os dias, quando os donos saem para trabalhar, vai para a biblioteca pública passar o dia. Diverte-se na companhia dos visitantes e pessoal da biblioteca. Parece que até costuma apreciar os quadros expostos na galeria. Quando os donos voltam, regressa a casa.
Ontem na RTP2, vi uma reportagem de uma experiência com porcos: punham um joystick à altura do focinho do porco, e ele deduzia sózinho que comandando uma bola num écran com movimentos do joystick conseguia obter umas guloseimas. Imaginem este porco com acesso a jogos de computador !
Faz-me pensar que se estivéssemos mais atentos às potencialidades dos animais, poderíamos enriquecer-lhes a vida com experiências variadas, normalmente ao alcance dos humanos.
Mas ainda nos falta tornar essas experiências acessíveis a TODOS os humanos ...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Especial

Acenei-lhe à distância quando entrei para o carro. Abriu um sorriso feliz.
Ao passar em frente do meu pára-brisas, lançou-me um beijo com a palma da mão direita, e levou essa mão ao coração, sempre a sorrir.
É uma miúda especial, que sai todas as manhãs para a sua escola de ensino especial.
Esta manhã, recebi um 'bom dia' especial.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Cais-do-Sodré - Cascais de comboio


É uma viagem todos os dias renovada. Ou a côr do rio muda, ou as nuvens no céu aparecem mais escuras ou formam um tecto, ou se vê nitidamente a outra margem, ou tudo fica confuso num denso nevoeiro. Mas mantém-se sempre a linha direita por onde o rio corre para o Atlântico, levando notícias da cidade a todo o mundo.
Sentados no comboio temos uma vista privilegiada das margens, e vamos correndo ao lado do rio, no caminho para voltar a casa.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Rosas de Sta. Teresinha


Naquela casa todas as plantas crescem sem controlo apertado. De vez em quando lá se dão umas tesouradas nas sebes, e uns cortes nas trepadeiras.
No meio deste quase caos natural, plantei há uns anos dois pés de rosas de Sta. Teresinha.
Foi uma flôr que acompanhou a minha infância, me transmitiu resistência, me inspirou na beleza suave de um rosa pálido cheio de força e amor.
OK, parece piegas, mas as roseiras cresceram, e são nesta Primavera uma cascata de flôres que me prendeu o olhar.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Tartaruga em regime alimentar rigoroso

Tenho um colega de trabalho que já teve uma tartaruga como a nossa. Segundo ele até maior.
Diz que lhe dava carne de vaca, tipo bife, e que por isso é que ela era grande. Acabou por ir entregá-la ao aquário Vasco da Gama.
A nossa só provou carne numas férias em que ficou aos cuidados de uma bióloga que resolveu experimentar a variante. Parece que gostou, mas não adoptámos a receita.
A dieta normal é de camarão seco em latas de marca própria, e sticks de suplemento alimentar também de marca de alimentação para tartarugas.
Estamos convencidos que essa dieta melhora as condições de higiene, e já foi confirmado por uma veterinária o facto de ela não apresentar sinais de carências alimentares.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Terapias

Aquelas duas horinhas por semana na sala de pintura funcionam como uma eficiente terapia. Em aspectos psíquicos e físicos, porque uma vertente influencia a outra.
Desde pequena que tinha o desejo de aprender a pintar com óleo sobre tela. Não sabia até agora a que ponto isso podia ser importante para mim.
Misturar o óleo na paleta e na tela, aventurar-me a preparar uma côr, ficar absorta nos traços e tons que vão surgindo, é viver aquelas horas dentro da tela.
Penso que qualquer tipo de expressão artística se derrama da alma, transporta-nos a níveis de consciência diferentes do que é habitual no dia-a-dia mais vulgar da nossa vida. E não precisa, penso eu, de ter resultados extraordinários; o simples exercer dessa expressão artística nos inunda de um bem-estar sem explicação.
Um paralelo será, talvez, ver crescer sob os nossos cuidados uma nova planta.
E é importante reservar aquele tempo só para esse propósito. Não confundir tarefas. Permitirmo-nos um intervalo para o sonho.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

A miúda do regador

É uma foto de à volta de 1960. Uma miúda de expressão travessa, um olho fechado e outro a olhar para a câmara, a brincar na praia com um regador de plástico.
Travessa ? Foi por isso que libertou a colecção de pássaros do irmão ? E que lhe rasgou a colecção de selos ? É avessa a colecções ? Acho que não, porque mais velhinha incentivou-nos a coleccionar copinhos multicores dos gelados Santini e carteirinhas de fósforos.
Um mistério que é motivo de interrogações pela família, e a que ela responde "... recordo-me de pensar: coitadinhos dos passarinhos, presos na gaiola ...".
Bióloga certamente de vocação, amiga dos cães e gatos vadios. Poderia ser veterinária, dirigindo um albergue de animais abandonados.
No dia do seu aniversário, desconfiamos que estará como sempre, distraída com alguma curiosidade da natureza. Sempre distraída. Ou travessa ? Parabéns !

segunda-feira, 30 de março de 2009

Café

Deixei de beber café há uns bons meses, se não já anos.
Tinha-me esquecido como gosto do aroma forte do pó de café. Despertei de novo para ele hoje, quando ouvi um barulho insistente no corredor. Fui ver e era o moinho eléctrico aqui do recanto do café que estava ligado. Ao desligá-lo fiquei impregnada daquele aroma mágico.
E saltaram-me as imagens inventadas da minha terra de cafezais, do povo de pele escura e vestidos de panos coloridos, o calor, as árvores isoladas em vastas planícies, a terra vermelha e dourada, os animais selvagens no seu habitat, a noite iluminada apenas pelas estrelas.
Ah, que cheirinho a café !

quinta-feira, 26 de março de 2009

Hora da Terra 2009

Imagino um extraterrestre a passar na sua nave espacial ao largo do nosso planeta azul, por volta das 20h30m de 28 de Março de 2009, hora de Lisboa, e a ver apagarem-se repentinamente vastas áreas de luz artificial à superfície dos continentes. Que lhe passaria pela cabeça ? Alguma avaria de vasto âmbito "- Aqueles nabos dos humanos terrestres ...".
Foi o que me passou pela cabeça quando vi o vídeo do youtube que uma amiga me indicou, convocando toda a humanidade para um 'apagão' global, em nome da Terra.
Não sei se vai fazer diferença eu apagar as luzes, não sei se me vou lembrar. Provavelmente haverá quem defenda o contrário, em nome da segurança, ou com receio de outros efeitos secundários. Mas é bonito chegar a este grau de partilha de informação a nível global, principalmente para quem, como eu, se lembra do tempo em que os meios de comunicação não tinham ao seu alcance instrumentos como o que é hoje a Internet. Para o mal e para o bem.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Île Saint Martin (Monet, se me permite)


Já vi que para mim os quadros nunca estão prontos.
Este é mais um que acho que ainda precisa de uns retoques. Trouxe-o para casa para não ter tantas saudades dele. Passar uma semana sem o ver era um pouco angustiante. Preciso de dá-lo como terminado, e oferecê-lo, para ficar descansada.
É uma vivência algo stressante, mas que me trouxe muita satisfação. Sinto que realizo algo todas as semanas, de cada vez mais um passo, de cada vez aprendo mais qualquer coisa. E recebo o apoio de algumas amigas, na sala de pintura e fora dela.

segunda-feira, 9 de março de 2009

A Turtle e o Sol


Não é tão silenciosa como eu pensava. Usou mesmo um som diferente desta vez. Uma espécie de rosnar, diferente do som de gato assanhado que faz quando está na defensiva.
Desta vez estava ao ataque, porque conforme observei, tinha estado à procura da melhor posição para apanhar sol. Eu tive de lhe fazer sombra quando me aproximei para estender roupa, e ela rosnou, incomodada.
É uma autêntica caixinha de surpresas.

quarta-feira, 4 de março de 2009

'... hazardous to your health ...'

Esta frase faz-me sempre pensar em azar, para além de perigo.
Azar, assim como poderia ter acontecido nesta segunda-feira. Segundo a BBC News, um asteróide com a envergadura de um prédio de dez andares passou 'junto' à Terra. O objecto 2009 DD45 passou a 72000 Km de altitude. Que parece que corresponde a um quinto da nossa distância à Lua, e apenas o dobro da distância dos satélites geoestacionários.
É quando leio estas notícias que tenho consciência esférica, azul e nublada, suspensa no espaço infinito, à mercê do risco de colisão de um objecto que tem andado a correr vertiginosamente na nossa direcção há milhares de milhões de anos ...
Bom, hum ... deixa p'ra lá ...

segunda-feira, 2 de março de 2009

" >> Junk Mail "

"Be proud of every single curve on your body".
Este era o assunto de um mail que estava na minha caixa de correio, na secção 'junk mail', que costuma incluir aqueles mails que nos propõem a compra de viagra, ou de imitações de relógios de marca, ou jogos de cartas para ganhos chorudos, visualização de cenas pornográficas, aumento do tamanho do pénis, etc.
Não abri, não sei qual era o verdadeiro conteúdo, passei-o para o 'Trash' e apaguei-o, como faço a tudo o que me aparece no 'junk mail'.
Mas o assunto, o que é apresentado na linha de assunto, não merece ir parar ao caixote do lixo.
A mensagem é positiva. Percamos a timidez, e tenhamos orgulho de cada curva do nosso corpo. E se alguma coisa está menos bem, façamos os possíveis por corrigi-la.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Meteo turtle


Está feliz, come que se desunha, e apanha longos banhos de sol.
É claro que olha para mim como quem diz "I told you so ... ". Ela afinal tinha razão, ao contrário dos últimos anos, o Carnaval foi soalheiro. Quentinho, até.
Um único problema: o preço da comida para tartaruga aumentou imenso. Ela também aumentou o apetite. A coisa está a ficar dispendiosa.
Se bem calha devia inscrevê-la na TV, mandar o seu curriculum de meteorologista. Podia ajudar a pagar as despesas.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Île Saint Martin (Monet)


Gostei de fazer este esboço.
Comecei ontem o quadro a óleo. Não sei muito bem o que vai sair. É uma tela grandinha, e tem muitos elementos complicados. Mas o fundo foi divertido de fazer, com tons que depois vão ser tapados pelos pormenores. As minhas colegas de pintura fartaram-se de rir porque acham que eu pinto muito depressa. Puseram-se a inventar esquemas de como fariam para me atrasarem e terem os quadros delas prontos antes do meu.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Sexta-feira treze




Conheci mesmo uma pessoa que não saía à rua nas sextas-feiras treze.
Era um homem alto e garboso, que treinava cavalos para apresentações, e preparava receitas de vinhos do Porto numa empresa do ramo.
Com o seu porte enérgico e elegante, quem diria que era supersticioso ? Nada parecia poder vencê-lo. Protegia os netos e ensinava-lhes o caminho através do pinhal na colina, até chegarmos onde estava um canhão da antiga defesa da costa, espreitando das muralhas de um quartel do exército. Sabia imitar o canto dos pássaros, em conversas longas em que acreditávamos que os pássaros lhe respondiam.
Cheguei mesmo a pensar em seguir-lhe o exemplo: se aquele homem forte se refugiava em casa nas sextas-feiras treze era decerto por saber algum segredo obscuro que nos poderia aterrorizar.
Mas decidi o contrário: em sua homenagem vou sempre tentar ultrapassar a superstição na minha vida.


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Demorou mas cá está



Mais uma experiência que sofre de traços de escola primária ... mas como havia alguém que queria ver, resolvi publicar. Isso e também no fundo espero sempre que haja quem goste. Ainda para mais levou uma série de sessões a ficar pronto, muita tinta branca, e a paciência da professora, para ir dando alguns conselhos num trabalho que lhe mereceu algum agrado. Mas cheira-me que ainda vai levar uns toques, espero que para melhor.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Parece-me um pouco baralhada

No Domingo a manhã trouxe um sol quentinho, através dos vidros da sala. Encontrei a tartaruga fora da despensa, virada de costas para a porta da sala, a apanhar sol na pele e na carapaça.
Quando abri a porta para estender roupa a secar, ela aproveitou e saiu. Mergulhou no seu aquário e ali ficou todo o dia.
O pior é que voltaram as nuvens e a chuva, até o frio, e ela está lá, não sei se infeliz.
Chamei-a hoje de manhã, deixei a porta aberta enquanto me arranjava para sair, mas ela não entrou em casa. Continua sem comer, e parece um pouco confusa. Não sei se vai voltar a hibernar ou se vai teimar em esperar pelo sol.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Pombos


Os pombos lá fora lembram-me o filme "Mentes brilhantes", onde um economista, mais tarde prémio Nobel, doente psiquiátrico controlado, tentava encontrar uma fórmula matemática para descrever o movimento dos pombos. Bem, o prémio não se relacionava com essa pesquisa ...
Lá fora, repetem-se de facto os voos dos pombos, que usam os beirais e os candeeiros de rua para se encontrar.
Não simpatizo muito com estes pássaros, a quem alguém já chamou "ratos do ar" ou coisa semelhante. E penso que por isso, por não simpatizar com eles, o seu movimento lá fora parece-me tão insistente como o resultado exacto de uma fórmula matemática. Por vezes enervante ...

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Com uma boina de pintor parisiense


A sala de pintura está do outro lado de uma cortina de fantasia.
É uma sala clássica, num edifício da baixa pombalina. Tem umas grandes janelas que deixam entrar uma claridade coada pelos prédios que se alinham em quadrícula lá fora.
Para acrescentar nostalgia ao ambiente, a professora costuma trazer ou uma boina à moda dos pintores parisienses ou um chapelinho que lhe confere uma imagem intemporal.
As alunas vestem batas brancas como se estivessem a lidar com um trabalho de precisão laboratorial. (Mas é só para não pintarem as roupas)
Mergulho semanalmente nesta sala como se fizesse uma viagem no tempo.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Ela é fresca, a tartaruga

Agora deu para coçar a carapaça.
Bem, não sei se o gesto tem outro significado biologicamente mais rebuscado, talvez mesmo inconfessável, mas é o que se vê.
E tem piada, porque como tem a maior parte do corpo rígido, parece uma plataforma a movimentar-se de um lado para o outro, ou de trás para a frente, fixa nas quatro patas. Como aqueles bonecos de feira periclitantemente presos em quatro patas de elásticos.
Encosta o rebordo da carapaça a um objecto firme que lhe parece conveniente e faz este movimento de plataforma rígida, com a flexão e torção das patas traseiras.
É de morrer a rir.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Avó perfeita

Seria injusto recordar a Tia-Avó Maria, com os seus azares, e não recordar a sua afável irmã, minha Avó perfeita, como saída de um conto de fadas.
Ainda me lembro da primeira imagem que tenho dela, teria eu dois anos, subia as escadas a pique da sua casa enorme, o que não espanta sendo eu pequena. No topo das escadas estava uma senhora idosa, de braços abertos, com um sorriso que se estendia aos seus olhos, a pele do rosto macia e cheia de rugas de expressão, de muito sorrir aos netos e filhos. Cabelos branquinhos sempre bem lavados e penteados e de ligeiros reflexos azuis.
Recebia-nos em sua casa pelo Natal e nas férias de Verão, e fazia tudo para que nos sentíssemos numa casa de sonho, tudo impecávelmente organizado e a cheirar a ar puro.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Saramago

Estou a ler "A viagem do elefante".
Esta primeira parte do romance, que terá sido escrita por Saramago antes de adoecer, é cheia de humor. Como sempre nos seus livros, saboreio cada frase, construída com cuidado, exacta como exercícios de matemática, quer seja resultado de um esforço consciente ou de uma inspiração fenomenal.
É sempre uma ginástica mental ler um livro de Saramago. Não só porque nos surpreende com os temas e seus desenvolvimentos, como pela riqueza e substância da sua escrita, e o inesperado de algumas ousadas inovações ortográficas.
Que pena sermos mortais. Mas sobre isso ele também já escreveu, em "Intermitências da morte" (quando a morte se ausenta, é o caos ...).

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Dia de Reis

Escolhi, de entre os vários casacos, o mais quentinho. O dia está lindo, solarengo, mas muito frio.
Por estas horas estou já "afogada" generosamente em votos de Parabéns deliciosos. Delicioso é também o cheiro do abacaxi que as amigas me ofereceram dentro de um enorme saco amarelo.
O Dia de Reis é especial para muitos, e em muitas escolas as educadoras constroem com as crianças coroas de cartolina, para os miúdos usarem cheios de alegria.
Chamaram-me "grande prenda que nos saiu no Bolo Rei ...". Fizeram um coro à porta do gabinete a cantar, baixinho, os 'Parabéns a Você'. Alguns inspirados SMS no telemóvel.
Sempre me senti privilegiada por fazer anos neste dia.