Tenho a certeza de que há muitos que olham a nossa dedicação a uma tartaruga da mesma maneira que eu vejo a dedicação a um papagaio: exótica.
Para mim um animal tem de ter côres credíveis. Penas verdes, azuis ou vermelhas distanciam-me do papagaio por não parecerem domesticáveis. Está bem para os vermos a voar longe, por entre árvores de florestas tropicais, adivinhando-se apenas aquelas côres. Mas dentro de casa, num poleiro, a dizer olá, ou a imitar o toque do telefone, para mim é desadequado.
Côres vivas, quando muito o amarelo do canário, de preferência misturado com cinzento ou castanho.
Côres caleidoscópicas talvez façam sentido nos peixes, animais para contemplação.
Papagaio para mim só a propósito do Saci-pêrêrê, do sabugo de milho Visconde de Sabugosa, da boneca de trapos Emília, e das crianças Pedrinho e Narizinho.
"... boneca de pano é gente, sabugo de milho é gente, o sol nascente é tão belo !!! Sítio do Picapau Amarelo ..."