segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Frases célebres, cá do meu burgo ... (II)

Esta será porventura a frase mais repetida cá em casa:
"Onde é que estás, Turtle ?"
Invariávelmente sem resposta, nem uma corrida com um latir e um abanar de cauda, nem uma corrida com um miado e o roçagar, de cauda levantada, à volta das nossas pernas.
Tartaruga não responde.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Frases célebres, cá do meu burgo ...

Jantar na esplanada junto à praia, numa noite quente de verão, sem vento:
"E então, são dois cafézinhos ?"
"Não, não. É só um. Se ela bebe café fica a dançar toda a noite, e eu já não tenho ritmo ..."

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

"Contos exemplares : - Os três reis do oriente - O Homem - O jantar do Bispo"

Encontro sempre um valor acrescentado nos livros que me são recomendados: o de poder talvez vislumbrar alguns traços de quem os aconselha.
Sei que é um pouco ambicioso, porque por vezes o co-leitor se liga a um livro por um pormenor específico, que a mim até pode passar despercebido.
Mas mesmo ciente disto, adoro ler livros recomendados por amigos, muitas vezes com filosofias de vida diferentes da minha, que me fazem acompanhar a minha perspectiva da história pela tentativa de adivinhar a perspectiva desses amigos.
É um exercício para além do que nos foi ensinado na escola, de interpretar a visão do autor.
E também me empurra por vezes à leitura de autores que me são desconhecidos.
Abre ainda outra possibilidade: a de discutir o livro, em conteúdo e forma, com alguém que leu o mesmo que eu. Costumam ser conversas que se parecem elas próprias com novas histórias.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vícios ou hábitos perniciosos

Parece que um adolescente chinês de 15 anos foi internado num 'campo de tratamento' para resolver a sua dependência da net. Apenas 24 horas depois do internamento já tinha sido espancado até à morte por alguns elementos do staff dessa instituição.
Vem nas notícias da BBC.
Senti-me espantada ou incomodada, não sei bem. Tipo "tirem-me deste filme" ou "em pleno século XXI ... ".
Já fui viciada em tabaco, e depois de um susto relacionado com uma urgência no hospital consegui convencer-me a suspender esse vício.
Penso que agora estou um bocado insistente nas minhas visitas a certos sites, e tenho sempre o cuidado de consultar diariamente o mail electrónico. Não fazia ideia de que isto podia constituir um hábito com tão graves consequências.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Fresquinho, fresquinho


Passou umas férias dentro de água, porque o ar estava quente, e não tinha licença para entrar em casa.
Quando voltou, embora a tenhamos "descarregado" na varanda, perto do aquário, para se refrescar após uma viagem demorada, dirigiu-se logo para o seu 'quartinho'.
E agora, pela manhã, exibe a sua posição de total domínio à porta da despensa, de carapaça assente no chão fresquinho, sustentando toda a extensão das patas traseiras esticadas. Em suma, um grande descaramento.

sábado, 1 de agosto de 2009

Nabos na púcara

Uns pareciam ter a arte de lhe tirar nabos da púcara. Outros iam metendo mais nabos para a sua púcara.
De vez em quando saíam-lhe nabos da púcara, vomitava-os mesmo, quando o volume já era muito ou quando os nabos já estavam tão inchados do longo tempo passado na púcara.
Ela prometia a si própria que iria eliminar aqueles nabos do seu organismo, apagá-los da sua memória, deixá-los sem rasto, mas um copinho de vinho e lá saíam eles, tal qual como tinham entrado, sem mais ponto nem vírgula.
Tentou defender-se dedicando-se às tartarugas. Não têm nabos a acrescentar à púcara nem fazem perguntas. O silêncio abençoado das tartarugas.
Mas o silêncio não é humano.
E nem desgostava de nabos, cortadinhos miudinhos, com tomate, num esparguete vegetariano.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Terminado e entregue


Parece que o nome do quadro é "Essai de figure en plein air (vers la droite)". Como poderão adivinhar há um outro 'vers la gauche'.
Está terminado e entregue à cliente.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Domingo em desafio


Sempre achei que não tinha o mínimo jeito para desenhar ou pintar figuras humanas. Mas tinha uma encomenda, que me deixava desconfortável pelo tema, mas com curiosidade pelo desafio.
Uma 'Senhora com sombrinha' de Monet.
Comprei uma tela há já uns meses, e adiei o trabalho o quanto pude.
Neste Domingo, entre a preparação de um bolo de yogurte e a de um strogonov de frango com arroz basmati, assim como quem não está a dar muita confiança, espalhei 'o atelier' em cima da mesa da sala e respondi ao desafio.
Ainda não está pronto. Quando estiver, mostro.
Para já, o inevitável paint, que me acompanha nos momentos em que estou com saudades dos quadros.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sítio do Picapau Amarelo

Tenho a certeza de que há muitos que olham a nossa dedicação a uma tartaruga da mesma maneira que eu vejo a dedicação a um papagaio: exótica.
Para mim um animal tem de ter côres credíveis. Penas verdes, azuis ou vermelhas distanciam-me do papagaio por não parecerem domesticáveis. Está bem para os vermos a voar longe, por entre árvores de florestas tropicais, adivinhando-se apenas aquelas côres. Mas dentro de casa, num poleiro, a dizer olá, ou a imitar o toque do telefone, para mim é desadequado.
Côres vivas, quando muito o amarelo do canário, de preferência misturado com cinzento ou castanho.
Côres caleidoscópicas talvez façam sentido nos peixes, animais para contemplação.
Papagaio para mim só a propósito do Saci-pêrêrê, do sabugo de milho Visconde de Sabugosa, da boneca de trapos Emília, e das crianças Pedrinho e Narizinho.
"... boneca de pano é gente, sabugo de milho é gente, o sol nascente é tão belo !!! Sítio do Picapau Amarelo ..."

terça-feira, 30 de junho de 2009

Quadro de rosas de Sta. Teresinha


A crítica 'mais especializada' referiu: "Estava à espera que tivesse ficado pior ..." e também " 'tá giro! ... então não 'tá ?". Estas são críticas simpáticas.
Na verdade eu própria, que o pintei, e tinha (?) possibilidade de o corrigir, considerei terminada a fase de atelier, trouxe-o para casa, e conto, como sempre, fazer alguns ajustamentos sob uma luz diferente.
A professora elogiou o trabalho, que viu evoluir nas suas aulas.
Mais umas sessões de atelier que, independentemente do resultado final, me souberam muito bem.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Monserrate


O tempo estava mais-ou-menos. Não chovia. Fomos aos travesseiros da Piriquita. Sintra.
Saímos em direcção à Regaleira. A estrada, bem estreita, tem dois sentidos. É preciso andar devagar, mas nem todos respeitam esta evidência.
Depois de passar Monserrate, numa curva em descida, afunda-se o terreno do lado direito, para lá de um muro robusto, e do terreno em declive despontam troncos esguios de árvores delicadas.
Surgiu daí o esboço para a minha próxima aposta.
Já sei que não vai sair exactamente a imagem que tenho na memória, mas já estou mais conformada com o meu traço irremediável.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Histórias de embalar


Contar histórias para adormecer crianças requer algum engenho. Modéstia à parte, acho que no meu tempo descobri a solução: manter a luz baixinha ou mesmo desligada, recostar-me ao pé da cama e inventar a história. Inconveniente: na próxima noite a mãe vai ter de se lembrar do que inventou, de preferência com pormenores, não só no tema mas também na construção das frases que mais encantaram o filhote.
Foi assim com a história de "O Caranguejo Timóteo". Era um caranguejo que andava pela praia e encontrava, um após outro, muitos amiguinhos com nomes improváveis e em situações surpreendentes, de preferência divertidas e carinhosas. As mesmas durante algumas noites seguidas. A fazerem sorrir e com algum ram-ram para chamar o sono.
Tenho pena de não ter tomado nota.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cinco estrelas


Não consigo bem relacioná-la com aquela espécie de amuleto do tamanho de uma medalha que ela era quando o filhote-de-dono a comprou.
Ontem passou por mim em passo decidido. Já só se esconde se houver um movimento brusco, ou quando trago papel de cozinha para a secar da água que traz a pingar quando sai do seu aquário.
Espantava-me que ela soubesse sair da água pela rampa (na verdade ainda se atira de vez em quando pelo lado errado), mas agora passeia-se em casa como se estivesse a inspeccionar.
Passou por mim e deu uma volta à roda do sofá, voltou ao ponto de partida, foi à varanda tomar banho, e comer, e regressou para o seu "quarto".
Por esta não estava nada à espera. Ser hotel e spa de tartaruga.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Joni Mitchell - 'The Circle Game'

Desde ontem que ando com este refrão na cabeça. É entontecedor se se conhecer a música. Como poema, reflecte os estádios da vida.
Já me apanho a dizer 'Quem me dera ser mais jovem e saber o que sei hoje...'. Na vida, se estivermos atentos e Deus nos der essa sorte, podemos aprender muita coisa. E se a saúde não falhar, e a família e os amigos nos acompanharem, podemos com a idade chegar a um patamar de alguma serenidade reconfortante.
"(...)
And the seasons they go round and round
And the painted ponies go up and down
We're captive on the carousel of time
We can't return we can only look
Behind from where we came
And go round and round and round
In the circle game.
(...)"

terça-feira, 16 de junho de 2009

Está lá ?

Neste blog compenso um pouco as minhas tentativas reprimidas de telefonar aos meus amigos e família. Tenho muitas vezes vontade de lhes telefonar, por tudo e por nada, mas sei que na maior parte das vezes não será oportuno. Na maior parte das vezes nem sequer tenho nada de especial para lhes dizer, só me apetece ouvir as suas vozes e as suas histórias.
Talvez seja também um desejo egoísta de que não me esqueçam, e que me dêem algum cantinho importante nas suas vidas.
Também pode ser que embora eu não fale muito, e normalmente não saiba o que se passa, sou na realidade uma bisbilhoteira em potencial.
Não sou nada o tipo de pessoa que passa muito tempo a falar ao telefone, mas confesso que gostava.
Bem, por este meio satisfaço o meu lado do prazer de uma conversa telefónica.
Considerem-se "telefonados".

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Caipirinha, para o nº 100

Fui às compras e vi aquelas limas verdinhas, casca vidrada brilhante, e apeteceu-me uma caipirinha.
Acho que poucas bebi, e que me pareceu uma bebida bem forte, mas também muito fresquinha !
Procurei uma receita no http://www.petiscos.com/, e encontrei uma que mistura duas limas cortadas em rodelas fininhas dentro de um copo baixo, esmagadas com duas colheres de sopa de açucar, que pode ser amarelo, um decilitro de aguardente de cana, ou cachaça, e muito gelo picado.
Usem copos baixos, largos, e duas meias-palhinhas por copo.
Saúde !

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Singing in the rain


Aqueles são os seus domínios.
E os que, como eu, pensavam que ela pressentindo a chuva se escondia dentro de casa, ou mergulhava no abrigo do seu aquário, desenganem-se. Uma chuvinha meia estação, com uma simpática temperatura, leva-a a passear-se pela varanda, fugindo das goteiras mas apreciando os salpicos mais leves.
Escolhe a zona onde fica exposta às gotas mais apetecíveis, e se soubesse sorrir, decerto essa era a expressão que exibiria nesta manhã de final de Primavera.
Talvez até soltasse uns assobios e uns trá-lá-lá.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Eu não disse ?


Eu bem disse que ela é arraçada de animal doméstico, desta vez talvez de gato.
Apanhámo-la em atitudes de alpinista. Não é a primeira vez. Sai do seu aquário pelo lado errado e vai subindo os vasos que estão empilhados desse lado.
Vai de vaso em vaso até uma situação de arrojado equilíbrio.
Não sabemos se faz isso quando não estamos lá para a ir 'salvar' de uma queda de alguns centímetros valentes.
Talvez tenha saudades dos voos que fez da varanda abaixo ...

terça-feira, 2 de junho de 2009

Vinte e tal anos de convívio

Marquei hora para pintar o cabelo. Quando entrei no cabeleireiro quem me esperava estava a lavar o cabelo a outra cliente e disparou:
-"Mandem essa senhora despir-se !"
Passei junto da minha comadre, que também estava no cabeleireiro a arranjar os pés, e ela incentivou-me, com um sorriso travesso:
-"Olha, aproveita. Na nossa idade, não é todos os dias que nos mandam despir ..."
Gargalhada geral, justificações cada vez mais bizarras, mais sorrisos e gargalhadas.
Há mais de vinte anos que passo de vez em quando uma horinha de relax e boa-disposição naquele cabeleireiro, com aquelas raparigas de feitio tranquilo e bem-humorado.
E só há pouco tempo comecei a ter de pintar o cabelo ...

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Sonho de voar

Cheguei de madrugada à estação. Éramos três gatos pingados à espera de um comboio que iria aparecer mais tarde praticamente vazio.
Só se ouviam os chamamentos das rolas. E foi aí que observei os seus voos desencontrados.
A que chama de cá ouve o chamamento da que está lá. A de cá voa para lá, e a outra voa para cá, provavelmente respondendo ao chamamento. Não se assiste a qualquer encontro a meio do percurso em voo, para se acompanharem a um destino comum. É como se tivessem planos de voo definidos a partir do momento do chamamento e não os pudessem reformular. Não são como os humanos, que se encontram a meio do caminho e se acompanham daí para a frente.
Por este andar, a probabilidade de se encontrarem é baixa. Mas existe ! Porque também se vêem pares de rolas a partir e a chegar em conjunto.
Voar é um sonho do homem, mas pode ter as suas particularidades.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Bailarina pela manhã

Ela ensaiava um saltitar de bailarina, nas pontinhas dos minúsculos ténis cor-de-rosa.
Àquela hora fresquinha da manhã, demorava-se distraída com a beleza da sua própria habilidade, enquanto a mãe a puxava pacientemente pela mão, transportando-lhe a mochila.
Provavelmente pela tardinha, depois de umas longas horas de habilidades e descobertas, vai regressar adormecida, a mãe transportando-a a tiracolo, as duas cansadas mas felizes.
Fazem-me sorrir estes seres pequeninos.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Trabalho de equipa

Há situações em que o trabalho de equipa é vital.
Não estou a falar do trabalho, estou a falar da vida.
Esta manhã, no comboio, nos lugares reservados sentavam-se três cegos e uma acompanhante. Pelo que percebi a acompanhante era Mãe da jovem invisual. A jovem teria cegado há pouco tempo, o invisual mais velho dizia-lhe que não devia usar 'head phones' porque agora precisava de apurar bem o ouvido. Que não teria a Mãe sempre ao pé para a guiar. E dava-lhe exemplos de situações em que um cego pode recorrer aos restantes sentidos.
Eu estava a assistir a um pouco do que é preciso para orientar e treinar uma pessoa com deficiência visual.
O mais jovem, de uma localidade distante, iria hoje aprender pela primeira vez o caminho para determinado destino. Teria uma acompanhante à sua espera na estação para o ensinar.
Daí para a frente, terá de se orientar sozinho.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Pregar aos Bytes

Isto de ter um blog é um bocado ingrato. Quando escrevo penso na reacção de quem lê, mas nunca sei quem lê, nem se vai mesmo haver alguém a ler.
Daí que quando pensei escrever aquela história que me ocorreu quando ia no metro, e comparei o que cada um trazia ao colo, fiquei sem saber se isso iria interessar a alguém, ou se estaria a escrever só para os cabos, routers, modems, servidores, bits e bytes que suportam os blogues por esse mundo fora.
O que lhes interessaria que eu trouxesse no colo um quadro acabado de pintar, e a minha vizinha do lado um transportador de gatos com um pequeno gatinho branco ? Algum Megabyte se interessaria de saber que aquele velhote transporta uma caixa com uma nova torneira, e a jovem estudante um caderno que vai sublinhando com canetas de côres ?
Estou assim como que a pregar aos peixes, ou no meu caso, como dizia um colega meu, a escrever para os anõezinhos que andam nos fios a levar os bytes de um lado para o outro.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Turtle amestrada


Comecei a participar num fórum de donos de tartarugas, e cheguei à conclusão que a nossa deve ser arraçada de cão doméstico.
É que é lá dito, por exemplo, que dormir fora de água é um comportamento anormal. Ora, como já aqui contei, a nossa tem até o seu 'quartinho', na despensa, desde há uns tempos para cá.
O que dirão os meus companheiros de fórum quando eu lhes contar que, depois de uma noite bem dormida na despensa, ela por vezes quando acorda de manhã dirige-se ao quarto do filhote-de-dono e vai ver se ele já se levantou.
Só falta trazer a trela na boca para um belo passeio na rua ... Um transporte em mãos carinhosas para o aquário e uma dose de comidinha, ninguém lhe tira !

terça-feira, 5 de maio de 2009

Sem folheto de instruções

Vi uma pergunta de uma recentemente-Mãe sobre que sopas devia dar ao seu bébé de 4 meses, num fórum de culinária, e lembrei-me de como nos sentimos incompetentes naquelas alturas. Pelo menos eu senti-me assim.
Valeu-me muito o metódico pediatra, que em cada consulta mensal (no mínimo) me transmitia instruções detalhadas sobre cuidados e alimentação.
Claro que tinha lido o livro do Dr. Spock, claro que tinha o apoio da minha Mãe.
Mas surgem-nos dúvidas tão elementares sobre coisas que nunca tínhamos pensado, vamos pescando experiências contraditórias a umas e outras Mães amigas, que ficamos conscientes da nossa grande responsabilidade de decisão e implementação.
Há ainda que não nos assustarmos com aquelas coisas que acontecem connosco e parece não terem acontecido com nenhuma das nossas amigas.
O meu Bébé não trazia folheto de instruções, mas fui recebendo um curso prático intensivo ao longo destes anos que vão passando.