quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Gloriosa manhã

Tenho andado com o que os media anunciaram como próprio da época, aquele desencanto do cair da folha no Outono, muitas vezes associado a verdadeiras depressões.
Por razões várias, comecei a ver tudo negativo, quando afinal já verifiquei que dá muito resultado manter o pensamento positivo.
Hoje, para me dar um empurrãozinho no sentido do que é belo e vale a pena, surgiu esta forte manhã, de entre umas nuvens alaranjadas e espessas, contra um céu ainda azul escuro, por volta das 7h30m neste mês em que o Sol já se vai atrasando a nascer. Uma bela alternativa ao quentinho dos sonhos.
(Acabou por me surgir na ideia uma máxima escrita na fachada de uma capela por onde costumava passar no regresso a casa. Hoje em dia a capela foi substituída por um prédio de habitação, que mantém as inscrições que estavam na tal capela: "Madruga e verás ! Trabalha e terás !" )

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Mais quatro beijinhos



Foi uma satisfação ! Pelo que a 'cliente' disse, sem ela o ter especificado na encomenda eu acertei no quadro que ela tinha em mente.
Sinto que ficou contente com o trabalho. Eu também gosto dele, e agrada-me entregar os quadros às pessoas que os vão estimar.
Fico a aguardar novas encomendas. Entretanto já comecei nas aulas um novo projecto que talvez fique para mim. Será um original, e esses não têm muita saída.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"A minha família e outros animais"

Escrever sobre tartarugas ou afins não é assim tão original. Lembrei-me hoje deste livro, que li já faz uns aninhos, em que a personagem que mais me interessou era um cágado.
Foi daí que me veio a ideia de que um animal daquele tipo não deixa de ter uma vida, bastante silenciosa, é certo, mas que poderá sem o sabermos estar recheada de constantes aventuras.
Como aconteceu nesta última semana, para a nossa tartaruga.
Tivemos de lhe comprar uma nova caixa para servir de aquário. Mudámos o 'projecto' da anterior rampa estreita para uma rampa a toda a largura da caixa. Ela agora entra em qualquer ponto da rampa, e já a vimos atravessá-la de uma ponta a outra mantendo-se fora da água. Parece estar divertida.
Tem agora mais altura de água, que lhe dá outras possibilidades de alívio do seu peso.
Passou até as últimas duas noites dentro do aquário e não na despensa, como era habitual.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O OVO


É, é fêmea.
Não sabíamos, e só agora ficámos a saber.
Ao fim destes cerca de 10 ou 12 anos de vida pôs o seu primeiro ovo. Dentro de água, no aquário.
Com muita pena nossa, o ovo não é viável, claro. E não sabemos se ela vai ficar zangada por termos de deitar o ovo fora.
Tinha um formato alongado, rolado como as pedras do aquário, mas era bem maior que essas pedras, e foi isso que nos chamou a atenção.
De contrário podia passar despercebido.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Filhotes


Achei piada. Encontrei duas situações idênticas no mesmo dia, em que o pai estava de joelho no chão a apertar os atacadores do seu pequeno filhote ou da sua pequena menina de uns 4 anos de idade.
Fica logo o dia mais leve. Para ficarmos optimistas, nada como encontrar no nosso caminho matinal pequenas crianças que não estejam a chorar.
Acho que representam uma esperança de que o dia vá correr bem.
Elas confiam em nós para que assim seja. Acredito que devemos fazer os possíveis por não as desiludir.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Insólito

Estou convencida de que as pessoas de idade, quando livres, dão asas aos seus caprichos.
Alguns tornam-se intolerantes, parecem mais surdos do que realmente são, e mostram-se ciosos da sua privacidade e da infalibilidade da sua opinião, muitas vezes com um humor bem mordaz.
Mas nada me tinha preparado para aquilo.
Saí do edifício público e avistei um velhote sentado num parapeito baixo, a apreciar a sombra e o movimento nos passeios.
Tinha um cãozito peludo sentado ao seu lado.
Depois comecei a reparar no pêlo do cão, muito certinho.
Olhei melhor, e afinal era um peluche com o aspecto aproximado de um animal verdadeiro.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

"up and about"

É uma força de expressão, felizmente não estive doente, mas algumas coisas nesta vida dão-me água p'la barba ... daí o meu post anterior.
Desde que aqui há uns anos estive numas aulas de fitness, com passadeiras, outros aparelhos e pesos, dou menos desculpas a mim mesma para me ir abaixo com cargas, físicas e psicológicas.
Bem, para as psicológicas ajudam muito a família e os amigos. Mesmo que estejamos em baixo continuam a dizer-nos a verdade, que é no fundo que temos nós próprios de restabelecer o nosso equilíbrio, seguir em frente, e saber que podemos sempre contar com eles para nos darem um abanão. E que as nossas fraquezas os deixam desiludidos ou inseguros.
Tipo 'pull yourself together !'.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Hoje sinto-me assim

"(...) without my wings
I feel so small !
I guess I need you, baby. (...)"

(De uma música na rádio)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Revisited

Estou de novo às voltas com o "Parc Monceau", agora em versão minorca. Uma encomenda não muito clara de uma amiga que detesta importunar.
Nem sabe o bem que me faz. Mesmo com alguns 'engulhos' e a permanente sensação de não atingir a qualidade desejada, os momentos que passo junto à tela, tintas e pincéis são horas de vida com utilidade.
É como assistir a uma noite de fogo-de-artifício, é como nadar na frescura limpa do mar. Deve ser como voar ...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O dia seguinte

É uma das máximas do meu Pai que tenho tentado recordar nos momentos piores: se puderes esperar pelo dia seguinte para decidir, aproveita uma noite de sono que será conselheira.
Por muitas vezes evitei desenlaces desastrosos seguindo este conselho. O que 'a quente' me parecia irremediável ou intolerável, depois de uma noite de sono encontro solução adequada ou interpretação mais pacífica.
Junto outra máxima, já minha: aquilo que à noite parece assustador, depois de uma noite de sono revela-se muitas vezes inóquo.
Garanta-se para isso um refúgio agradável.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A quem possa interessar

Já vai havendo figos maduros lá onde a gente sabe ...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Frases célebres, cá do meu burgo ... (II)

Esta será porventura a frase mais repetida cá em casa:
"Onde é que estás, Turtle ?"
Invariávelmente sem resposta, nem uma corrida com um latir e um abanar de cauda, nem uma corrida com um miado e o roçagar, de cauda levantada, à volta das nossas pernas.
Tartaruga não responde.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Frases célebres, cá do meu burgo ...

Jantar na esplanada junto à praia, numa noite quente de verão, sem vento:
"E então, são dois cafézinhos ?"
"Não, não. É só um. Se ela bebe café fica a dançar toda a noite, e eu já não tenho ritmo ..."

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

"Contos exemplares : - Os três reis do oriente - O Homem - O jantar do Bispo"

Encontro sempre um valor acrescentado nos livros que me são recomendados: o de poder talvez vislumbrar alguns traços de quem os aconselha.
Sei que é um pouco ambicioso, porque por vezes o co-leitor se liga a um livro por um pormenor específico, que a mim até pode passar despercebido.
Mas mesmo ciente disto, adoro ler livros recomendados por amigos, muitas vezes com filosofias de vida diferentes da minha, que me fazem acompanhar a minha perspectiva da história pela tentativa de adivinhar a perspectiva desses amigos.
É um exercício para além do que nos foi ensinado na escola, de interpretar a visão do autor.
E também me empurra por vezes à leitura de autores que me são desconhecidos.
Abre ainda outra possibilidade: a de discutir o livro, em conteúdo e forma, com alguém que leu o mesmo que eu. Costumam ser conversas que se parecem elas próprias com novas histórias.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vícios ou hábitos perniciosos

Parece que um adolescente chinês de 15 anos foi internado num 'campo de tratamento' para resolver a sua dependência da net. Apenas 24 horas depois do internamento já tinha sido espancado até à morte por alguns elementos do staff dessa instituição.
Vem nas notícias da BBC.
Senti-me espantada ou incomodada, não sei bem. Tipo "tirem-me deste filme" ou "em pleno século XXI ... ".
Já fui viciada em tabaco, e depois de um susto relacionado com uma urgência no hospital consegui convencer-me a suspender esse vício.
Penso que agora estou um bocado insistente nas minhas visitas a certos sites, e tenho sempre o cuidado de consultar diariamente o mail electrónico. Não fazia ideia de que isto podia constituir um hábito com tão graves consequências.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Fresquinho, fresquinho


Passou umas férias dentro de água, porque o ar estava quente, e não tinha licença para entrar em casa.
Quando voltou, embora a tenhamos "descarregado" na varanda, perto do aquário, para se refrescar após uma viagem demorada, dirigiu-se logo para o seu 'quartinho'.
E agora, pela manhã, exibe a sua posição de total domínio à porta da despensa, de carapaça assente no chão fresquinho, sustentando toda a extensão das patas traseiras esticadas. Em suma, um grande descaramento.

sábado, 1 de agosto de 2009

Nabos na púcara

Uns pareciam ter a arte de lhe tirar nabos da púcara. Outros iam metendo mais nabos para a sua púcara.
De vez em quando saíam-lhe nabos da púcara, vomitava-os mesmo, quando o volume já era muito ou quando os nabos já estavam tão inchados do longo tempo passado na púcara.
Ela prometia a si própria que iria eliminar aqueles nabos do seu organismo, apagá-los da sua memória, deixá-los sem rasto, mas um copinho de vinho e lá saíam eles, tal qual como tinham entrado, sem mais ponto nem vírgula.
Tentou defender-se dedicando-se às tartarugas. Não têm nabos a acrescentar à púcara nem fazem perguntas. O silêncio abençoado das tartarugas.
Mas o silêncio não é humano.
E nem desgostava de nabos, cortadinhos miudinhos, com tomate, num esparguete vegetariano.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Terminado e entregue


Parece que o nome do quadro é "Essai de figure en plein air (vers la droite)". Como poderão adivinhar há um outro 'vers la gauche'.
Está terminado e entregue à cliente.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Domingo em desafio


Sempre achei que não tinha o mínimo jeito para desenhar ou pintar figuras humanas. Mas tinha uma encomenda, que me deixava desconfortável pelo tema, mas com curiosidade pelo desafio.
Uma 'Senhora com sombrinha' de Monet.
Comprei uma tela há já uns meses, e adiei o trabalho o quanto pude.
Neste Domingo, entre a preparação de um bolo de yogurte e a de um strogonov de frango com arroz basmati, assim como quem não está a dar muita confiança, espalhei 'o atelier' em cima da mesa da sala e respondi ao desafio.
Ainda não está pronto. Quando estiver, mostro.
Para já, o inevitável paint, que me acompanha nos momentos em que estou com saudades dos quadros.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Sítio do Picapau Amarelo

Tenho a certeza de que há muitos que olham a nossa dedicação a uma tartaruga da mesma maneira que eu vejo a dedicação a um papagaio: exótica.
Para mim um animal tem de ter côres credíveis. Penas verdes, azuis ou vermelhas distanciam-me do papagaio por não parecerem domesticáveis. Está bem para os vermos a voar longe, por entre árvores de florestas tropicais, adivinhando-se apenas aquelas côres. Mas dentro de casa, num poleiro, a dizer olá, ou a imitar o toque do telefone, para mim é desadequado.
Côres vivas, quando muito o amarelo do canário, de preferência misturado com cinzento ou castanho.
Côres caleidoscópicas talvez façam sentido nos peixes, animais para contemplação.
Papagaio para mim só a propósito do Saci-pêrêrê, do sabugo de milho Visconde de Sabugosa, da boneca de trapos Emília, e das crianças Pedrinho e Narizinho.
"... boneca de pano é gente, sabugo de milho é gente, o sol nascente é tão belo !!! Sítio do Picapau Amarelo ..."

terça-feira, 30 de junho de 2009

Quadro de rosas de Sta. Teresinha


A crítica 'mais especializada' referiu: "Estava à espera que tivesse ficado pior ..." e também " 'tá giro! ... então não 'tá ?". Estas são críticas simpáticas.
Na verdade eu própria, que o pintei, e tinha (?) possibilidade de o corrigir, considerei terminada a fase de atelier, trouxe-o para casa, e conto, como sempre, fazer alguns ajustamentos sob uma luz diferente.
A professora elogiou o trabalho, que viu evoluir nas suas aulas.
Mais umas sessões de atelier que, independentemente do resultado final, me souberam muito bem.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Monserrate


O tempo estava mais-ou-menos. Não chovia. Fomos aos travesseiros da Piriquita. Sintra.
Saímos em direcção à Regaleira. A estrada, bem estreita, tem dois sentidos. É preciso andar devagar, mas nem todos respeitam esta evidência.
Depois de passar Monserrate, numa curva em descida, afunda-se o terreno do lado direito, para lá de um muro robusto, e do terreno em declive despontam troncos esguios de árvores delicadas.
Surgiu daí o esboço para a minha próxima aposta.
Já sei que não vai sair exactamente a imagem que tenho na memória, mas já estou mais conformada com o meu traço irremediável.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Histórias de embalar


Contar histórias para adormecer crianças requer algum engenho. Modéstia à parte, acho que no meu tempo descobri a solução: manter a luz baixinha ou mesmo desligada, recostar-me ao pé da cama e inventar a história. Inconveniente: na próxima noite a mãe vai ter de se lembrar do que inventou, de preferência com pormenores, não só no tema mas também na construção das frases que mais encantaram o filhote.
Foi assim com a história de "O Caranguejo Timóteo". Era um caranguejo que andava pela praia e encontrava, um após outro, muitos amiguinhos com nomes improváveis e em situações surpreendentes, de preferência divertidas e carinhosas. As mesmas durante algumas noites seguidas. A fazerem sorrir e com algum ram-ram para chamar o sono.
Tenho pena de não ter tomado nota.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cinco estrelas


Não consigo bem relacioná-la com aquela espécie de amuleto do tamanho de uma medalha que ela era quando o filhote-de-dono a comprou.
Ontem passou por mim em passo decidido. Já só se esconde se houver um movimento brusco, ou quando trago papel de cozinha para a secar da água que traz a pingar quando sai do seu aquário.
Espantava-me que ela soubesse sair da água pela rampa (na verdade ainda se atira de vez em quando pelo lado errado), mas agora passeia-se em casa como se estivesse a inspeccionar.
Passou por mim e deu uma volta à roda do sofá, voltou ao ponto de partida, foi à varanda tomar banho, e comer, e regressou para o seu "quarto".
Por esta não estava nada à espera. Ser hotel e spa de tartaruga.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Joni Mitchell - 'The Circle Game'

Desde ontem que ando com este refrão na cabeça. É entontecedor se se conhecer a música. Como poema, reflecte os estádios da vida.
Já me apanho a dizer 'Quem me dera ser mais jovem e saber o que sei hoje...'. Na vida, se estivermos atentos e Deus nos der essa sorte, podemos aprender muita coisa. E se a saúde não falhar, e a família e os amigos nos acompanharem, podemos com a idade chegar a um patamar de alguma serenidade reconfortante.
"(...)
And the seasons they go round and round
And the painted ponies go up and down
We're captive on the carousel of time
We can't return we can only look
Behind from where we came
And go round and round and round
In the circle game.
(...)"