quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pagamentos

Há coisas que não se pagam. E isto aplica-se até às formas de pagamento.
As minhas duas 'clientes' escolheram formas de pagamento para os quadros que são elas próprias impagáveis.
Num caso, dois livros amorosos sobre arte, com imagens deliciosas de quadros e outras expressões artísticas. De formato compacto, colorido e harmonioso.
No outro caso, um almoço num vegetariano partilhado por quatro moçoilas na idade 'sabichona', não podemos dizer ainda 'sábia', isso será só daqui a uns anitos, se Deus quiser. Mas acredito que já vamos dominando algumas técnicas ou táticas de amortecimento de impactos negativos, favorecidas pelas rugas (imperceptíveis, de resto ...).
Dá gosto pintar.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Cherish emotions"

É o que está escrito na minha T-shirt.
As emoções negativas também merecem ser guardadas ? E transmitidas ?
Ou devemos apenas coleccionar e distribuir emoções de felicidade e alegria ?
Todas fazem parte da nossa memória, mas será preferível apagar o que nos magoa ? Abandonar o ressentimento ? Exibirmos um permanente sorriso e espalhar à nossa volta amabilidades e alegria ?
Guardo muitas emoções, e nos meus quadros procuro expressar os cenários daquelas que me são agradáveis.
Mas não consigo controlá-las.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Praia de São Pedro


Está pronto. Estive à espera de luz para fotografar.
Em princípio já tem destinatários.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

"Diário"

Quebrei definitivamente a intenção inicial de um blogue asséptico. A tentação de utilizá-lo como uma espécie de diário de adolescente é grande. Principalmente quando é mais catártico escrever sobre as minhas relações familiares do que as da tartaruga. Essas são de alguma forma limitadas. E desinspiradoramente cordiais. Até porque em última análise a família da tartaruga somos nós cá em casa.
Não sei se terá visitas de pássaros durante o dia, quando nós não estamos. Sei que não visita a família biológica, nem recebe visitas de qualquer tartaruga.
Não sei se terá uma vida mais descomplicada.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Puré de batata caseiro

Descobri agora que afinal não leva assim tanto tempo nem dá assim tanto trabalho fazer um puré de batata caseiro.
Felizes os que o perceberam mais cedo na vida.
Quem diz puré diz tempo e oportunidade para outros prazeres preguiçosos da vida.
Ajuda não nos prendermos aos horários politicamente correctos para refeições e diversões, e percebermos que mesmo esses horários podem ser domesticados para nos servirem.
Hoje em dia deito-me cedo e acordo cedo e não sigo séries televisivas. Contento-me em ouvir as pessoas que me pôem bem disposta e em troca faço os possíveis por não os pôr mal dispostos a eles. Leio abundantemente vários autores actuais também como ginástica mental. Pinto umas larachas que funcionam comigo como sessões de yoga.
E em poucos minutos preparo um puré de batata caseiro.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

OK, confesso

Está um tempo de repente húmido e pesado. Depois dos 40 parece que é sinónimo de dores nos ossos. Mazelas antigas. Comecei a coxear ligeiramente com uma dôr que abraça a parte de fora do pé direito.
Inconfundível. Lembro-me que era pequena, não tenho certeza da idade, e era o meu irmão que me levava à escola de bicicleta. Sentada à amazona no ferro do quadro olhava hipnotizada para a roda da frente. Ainda acreditava em coisas mágicas. E ali estava uma: a roda enorme quando parada tinha muitos raios, mas àquela velocidade só tinha uma ténue sombra entre o eixo e o pneu. Seria então possível pôr lá o pé sem .... catrapum !!!
Acho que nunca confessei que tinha sido propositado. Eu própria tinha dúvidas. Tinha ficado hipnotizada. E curiosa tipo São Tomé.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O quadro que sempre sonhei pintar

Ontem ocupei o dia a fazer a segunda versão de um quadro que sempre sonhei pintar. Estendi de novo o 'atelier' em cima da mesa da sala, atrapalhando as refeições da família.
Ainda não está pronto, por isso fiz este paint.
Já dei um quadro desta praia ao meu filhote, mas foi feito dessa vez com base numa fotografia. Agora reduzi-o áquilo que costumava ser o meu desenho preferido, que me acompanhou sempre em vários momentos na minha vida, tanto de estudante como depois de começar a trabalhar.
Já existiram versões deste desenho em toalhas de papel, mata-borrões de secretária, tampos de estiradores, cadernos vários, folhas soltas de papel. Tipo cartão de visita.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Gloriosa manhã

Tenho andado com o que os media anunciaram como próprio da época, aquele desencanto do cair da folha no Outono, muitas vezes associado a verdadeiras depressões.
Por razões várias, comecei a ver tudo negativo, quando afinal já verifiquei que dá muito resultado manter o pensamento positivo.
Hoje, para me dar um empurrãozinho no sentido do que é belo e vale a pena, surgiu esta forte manhã, de entre umas nuvens alaranjadas e espessas, contra um céu ainda azul escuro, por volta das 7h30m neste mês em que o Sol já se vai atrasando a nascer. Uma bela alternativa ao quentinho dos sonhos.
(Acabou por me surgir na ideia uma máxima escrita na fachada de uma capela por onde costumava passar no regresso a casa. Hoje em dia a capela foi substituída por um prédio de habitação, que mantém as inscrições que estavam na tal capela: "Madruga e verás ! Trabalha e terás !" )

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Mais quatro beijinhos



Foi uma satisfação ! Pelo que a 'cliente' disse, sem ela o ter especificado na encomenda eu acertei no quadro que ela tinha em mente.
Sinto que ficou contente com o trabalho. Eu também gosto dele, e agrada-me entregar os quadros às pessoas que os vão estimar.
Fico a aguardar novas encomendas. Entretanto já comecei nas aulas um novo projecto que talvez fique para mim. Será um original, e esses não têm muita saída.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"A minha família e outros animais"

Escrever sobre tartarugas ou afins não é assim tão original. Lembrei-me hoje deste livro, que li já faz uns aninhos, em que a personagem que mais me interessou era um cágado.
Foi daí que me veio a ideia de que um animal daquele tipo não deixa de ter uma vida, bastante silenciosa, é certo, mas que poderá sem o sabermos estar recheada de constantes aventuras.
Como aconteceu nesta última semana, para a nossa tartaruga.
Tivemos de lhe comprar uma nova caixa para servir de aquário. Mudámos o 'projecto' da anterior rampa estreita para uma rampa a toda a largura da caixa. Ela agora entra em qualquer ponto da rampa, e já a vimos atravessá-la de uma ponta a outra mantendo-se fora da água. Parece estar divertida.
Tem agora mais altura de água, que lhe dá outras possibilidades de alívio do seu peso.
Passou até as últimas duas noites dentro do aquário e não na despensa, como era habitual.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O OVO


É, é fêmea.
Não sabíamos, e só agora ficámos a saber.
Ao fim destes cerca de 10 ou 12 anos de vida pôs o seu primeiro ovo. Dentro de água, no aquário.
Com muita pena nossa, o ovo não é viável, claro. E não sabemos se ela vai ficar zangada por termos de deitar o ovo fora.
Tinha um formato alongado, rolado como as pedras do aquário, mas era bem maior que essas pedras, e foi isso que nos chamou a atenção.
De contrário podia passar despercebido.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Filhotes


Achei piada. Encontrei duas situações idênticas no mesmo dia, em que o pai estava de joelho no chão a apertar os atacadores do seu pequeno filhote ou da sua pequena menina de uns 4 anos de idade.
Fica logo o dia mais leve. Para ficarmos optimistas, nada como encontrar no nosso caminho matinal pequenas crianças que não estejam a chorar.
Acho que representam uma esperança de que o dia vá correr bem.
Elas confiam em nós para que assim seja. Acredito que devemos fazer os possíveis por não as desiludir.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Insólito

Estou convencida de que as pessoas de idade, quando livres, dão asas aos seus caprichos.
Alguns tornam-se intolerantes, parecem mais surdos do que realmente são, e mostram-se ciosos da sua privacidade e da infalibilidade da sua opinião, muitas vezes com um humor bem mordaz.
Mas nada me tinha preparado para aquilo.
Saí do edifício público e avistei um velhote sentado num parapeito baixo, a apreciar a sombra e o movimento nos passeios.
Tinha um cãozito peludo sentado ao seu lado.
Depois comecei a reparar no pêlo do cão, muito certinho.
Olhei melhor, e afinal era um peluche com o aspecto aproximado de um animal verdadeiro.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

"up and about"

É uma força de expressão, felizmente não estive doente, mas algumas coisas nesta vida dão-me água p'la barba ... daí o meu post anterior.
Desde que aqui há uns anos estive numas aulas de fitness, com passadeiras, outros aparelhos e pesos, dou menos desculpas a mim mesma para me ir abaixo com cargas, físicas e psicológicas.
Bem, para as psicológicas ajudam muito a família e os amigos. Mesmo que estejamos em baixo continuam a dizer-nos a verdade, que é no fundo que temos nós próprios de restabelecer o nosso equilíbrio, seguir em frente, e saber que podemos sempre contar com eles para nos darem um abanão. E que as nossas fraquezas os deixam desiludidos ou inseguros.
Tipo 'pull yourself together !'.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Hoje sinto-me assim

"(...) without my wings
I feel so small !
I guess I need you, baby. (...)"

(De uma música na rádio)

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Revisited

Estou de novo às voltas com o "Parc Monceau", agora em versão minorca. Uma encomenda não muito clara de uma amiga que detesta importunar.
Nem sabe o bem que me faz. Mesmo com alguns 'engulhos' e a permanente sensação de não atingir a qualidade desejada, os momentos que passo junto à tela, tintas e pincéis são horas de vida com utilidade.
É como assistir a uma noite de fogo-de-artifício, é como nadar na frescura limpa do mar. Deve ser como voar ...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

O dia seguinte

É uma das máximas do meu Pai que tenho tentado recordar nos momentos piores: se puderes esperar pelo dia seguinte para decidir, aproveita uma noite de sono que será conselheira.
Por muitas vezes evitei desenlaces desastrosos seguindo este conselho. O que 'a quente' me parecia irremediável ou intolerável, depois de uma noite de sono encontro solução adequada ou interpretação mais pacífica.
Junto outra máxima, já minha: aquilo que à noite parece assustador, depois de uma noite de sono revela-se muitas vezes inóquo.
Garanta-se para isso um refúgio agradável.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A quem possa interessar

Já vai havendo figos maduros lá onde a gente sabe ...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Frases célebres, cá do meu burgo ... (II)

Esta será porventura a frase mais repetida cá em casa:
"Onde é que estás, Turtle ?"
Invariávelmente sem resposta, nem uma corrida com um latir e um abanar de cauda, nem uma corrida com um miado e o roçagar, de cauda levantada, à volta das nossas pernas.
Tartaruga não responde.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Frases célebres, cá do meu burgo ...

Jantar na esplanada junto à praia, numa noite quente de verão, sem vento:
"E então, são dois cafézinhos ?"
"Não, não. É só um. Se ela bebe café fica a dançar toda a noite, e eu já não tenho ritmo ..."

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

"Contos exemplares : - Os três reis do oriente - O Homem - O jantar do Bispo"

Encontro sempre um valor acrescentado nos livros que me são recomendados: o de poder talvez vislumbrar alguns traços de quem os aconselha.
Sei que é um pouco ambicioso, porque por vezes o co-leitor se liga a um livro por um pormenor específico, que a mim até pode passar despercebido.
Mas mesmo ciente disto, adoro ler livros recomendados por amigos, muitas vezes com filosofias de vida diferentes da minha, que me fazem acompanhar a minha perspectiva da história pela tentativa de adivinhar a perspectiva desses amigos.
É um exercício para além do que nos foi ensinado na escola, de interpretar a visão do autor.
E também me empurra por vezes à leitura de autores que me são desconhecidos.
Abre ainda outra possibilidade: a de discutir o livro, em conteúdo e forma, com alguém que leu o mesmo que eu. Costumam ser conversas que se parecem elas próprias com novas histórias.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Vícios ou hábitos perniciosos

Parece que um adolescente chinês de 15 anos foi internado num 'campo de tratamento' para resolver a sua dependência da net. Apenas 24 horas depois do internamento já tinha sido espancado até à morte por alguns elementos do staff dessa instituição.
Vem nas notícias da BBC.
Senti-me espantada ou incomodada, não sei bem. Tipo "tirem-me deste filme" ou "em pleno século XXI ... ".
Já fui viciada em tabaco, e depois de um susto relacionado com uma urgência no hospital consegui convencer-me a suspender esse vício.
Penso que agora estou um bocado insistente nas minhas visitas a certos sites, e tenho sempre o cuidado de consultar diariamente o mail electrónico. Não fazia ideia de que isto podia constituir um hábito com tão graves consequências.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Fresquinho, fresquinho


Passou umas férias dentro de água, porque o ar estava quente, e não tinha licença para entrar em casa.
Quando voltou, embora a tenhamos "descarregado" na varanda, perto do aquário, para se refrescar após uma viagem demorada, dirigiu-se logo para o seu 'quartinho'.
E agora, pela manhã, exibe a sua posição de total domínio à porta da despensa, de carapaça assente no chão fresquinho, sustentando toda a extensão das patas traseiras esticadas. Em suma, um grande descaramento.

sábado, 1 de agosto de 2009

Nabos na púcara

Uns pareciam ter a arte de lhe tirar nabos da púcara. Outros iam metendo mais nabos para a sua púcara.
De vez em quando saíam-lhe nabos da púcara, vomitava-os mesmo, quando o volume já era muito ou quando os nabos já estavam tão inchados do longo tempo passado na púcara.
Ela prometia a si própria que iria eliminar aqueles nabos do seu organismo, apagá-los da sua memória, deixá-los sem rasto, mas um copinho de vinho e lá saíam eles, tal qual como tinham entrado, sem mais ponto nem vírgula.
Tentou defender-se dedicando-se às tartarugas. Não têm nabos a acrescentar à púcara nem fazem perguntas. O silêncio abençoado das tartarugas.
Mas o silêncio não é humano.
E nem desgostava de nabos, cortadinhos miudinhos, com tomate, num esparguete vegetariano.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Terminado e entregue


Parece que o nome do quadro é "Essai de figure en plein air (vers la droite)". Como poderão adivinhar há um outro 'vers la gauche'.
Está terminado e entregue à cliente.