segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Instinto


"Aquele passarinho começou por assustar-me, quando agitou as asas muito depressa, levantando uma nuvem de penugem e cascas de alpista. Depois de várias aproximações percebi que ele também se assustou. E a coisa parece divertida.
Quando o filhote-de-dono faz a manutenção da gaiola pousa-a perto de mim. Já fiz alguns ataques sorrateiros, e parece que nem sempre o canário leva a coisa a sério. Lá está, já percebeu que está protegido pelas grades da gaiola, e ri-se de mim.
Acho que a Dona Tartaruga nunca se lembrou desta brincadeira. Pesa-lhe um bocado aquela carapaça, não tem muito jeito para emboscadas.
Tenho olhado cá de baixo para a gaiola lá em cima, e ainda não descobri um caminho de subida para lá. Um dia destes dou um belo salto de predadora da selva ! "

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Mousse de chocolate meio improvisada

Comecei por improvisar, com a ajuda da minha Mãe. Já utilizei diversos tipos de tablete de chocolate escuro de culinária, daquelas com o comprimento de um palmo, e o resultado depende um pouco desse mesmo chocolate. Mas a receita consiste em bater muito bem (eu uso colher de pau) 6 ou 7 gemas com 6/7 colheres de sopa de açucar, até ficar uma gemada clarinha e cremosa. Entretanto derrete-se em banho-maria a tablete de chocolate. Batem-se as 6/7 claras em castelo muitissimo firme (não esquecer os dois grãozinhos de sal).
Já fora do lume juntam-se duas colheres de sopa de margarina Becel ao chocolate derretido, mexe-se energicamente, junta-se um pouquinho da gemada, e depois junta-se o preparado de chocolate ao resto da gemada, mexendo bem até ficar bem misturado. No fim incorporam-se gentilmente as claras, deita-se na(s) taça(s) de servir, e vai ao frigorífico para no dia seguinte ser apreciada.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O amor e uma cabana

Já está terminado há bastante tempo, mas como parece que precisa de uns melhoramentos ainda não me tinha decidido a pô-lo aqui. Mas por qualquer razão falou-se em paisagens da minha cabeça , e por isso fiquei com vontade de vê-lo aqui.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Mulher duplicada - ou a gatinha Nani e os reflexos


"A minha dona faz hoje pelo menos uns 100 anos. É que ela vive muitos momentos em vários sítios ao mesmo tempo. Como hoje de manhã, que secava o cabelo sentada no banco da cozinha, enquanto fazia o mesmo do outro lado do vidro da marquise. Estava lá uma gatinha que olhava para mim, sentada muito direita, com as orelhas bem esticadas e os olhos verdes muito abertos.
Já a apanhei a pentear-se no quarto e também do outro lado simétrico do quarto. Como quando me pega ao colo e eu a vejo à minha frente, do outro lado do espelho, com aquela gatinha ao colo.
A Dona Tartaruga, que vive cá há mais tempo que eu e é muito sabichona, diz que eu sou pateta, que é só um 'reflexo', mas eu nem percebi o que é isso.
Cá para mim ela está escondida em todos os cantinhos da casa para vigiar os meus disparates. Por isso faço os possíveis por me portar bem, mesmo quando não a estou a ver."

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Projecto vermelho


Ontem perdi o tino. Comprei uma tela de 90 cm x 90 cm para um quadro de uma janela árabe em tons de vermelho. Depois de a transportar debaixo de uma chuvada, a tela protegida por película plástica transparente, coloquei-a no cavalete em cima da minha mesa no atelier de aprendizagem, e aí é que percebi que é mesmo uma tela e-nor-me !
Pesquisei umas fotos da net, mas o marido prefere a inspiração do meu 'projecto vermelho', esboçado em paint.
Veremos o que sai.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Anjos

E agora as suas mãos amparam anjos
No frio e na chuva deste Inverno.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

OK, O Bolo de Noz da família


Conhecido já no tempo da minha bisavó.
É todo batido à colher de pau em tigela ampla (excepto as claras).
6 gemas misturadas com 2 chávenas de chá grandes de açucar (+-200g) e um cálice de vinho do Porto. Enquanto impregnam barra-se uma forma tipo tabuleiro com margarina, forra-se com papel vegetal, que se besunta também com margarina.
De volta à massa, tem de ser batida até ficar uma gemada cremosa a formar bolhas. Juntam-se então duas colheres de sopa de pão ralado. Polvilha-se e mistura-se uma colher de café bem cheia de fermento Royal em pó. No fim as 6 claras batidas em castelo muito firme, e 250g de nozes bem picadinhas na 1-2-3, envolvendo suavemente com a colher de pau.
Deita-se na forma tabuleiro e vai cerca de 1h ao forno de 180º.
Retira-se e desenforma-se imediatamente, com a ajuda de uma espátula, para uma tábua com papel vegetal. Deixa-se arrefecer para se cortar ao meio, e põe-se no prato de servir, recheando e cobrindo com ovos moles feitos de 8 gemas+8 colheres de sopa de água+8 colheres de sopa de açucar, engrossadas em lume brando aí uns 15 minutos, sempre a mexer. Completa-se cobrindo com fios de ovos e metades de nozes.
Antes de servir pode guardar-se no frigorífico, protegido com papel de alumínio.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Pesadelos felinos



Não deixamos a gatinha Nani ir para a varanda porque temos medo que caia. Não por estupidez mas por algum inesperado acidente. Vamos ter de preparar a varanda para evitar algum percalço.
Entretanto a preocupação é tal que no meu sonho de hoje vi pela janela alguns gatinhos pendurados num estendal de um prédio em frente. Uma era a birmanesa Txutxu pendurada a conseguir aterrar num parapeito salvador, o segundo era um outro gatinho a conseguir o mesmo. A terceira vítima era já uma senhora gorda, de vestido vermelho, absurdamente pendurada nas cordas do estendal.
E durante o sonho eu a pensar que realmente por muito cuidado que tivessemos não conseguiamos evitar aqueles comportamentos inesperados.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Saudade

Sempre acreditei que quando chegasse este dia eu morreria também de uma qualquer dor fulminante e inexplicável. Apesar de alguns sentimentos contraditórios, a sua chama na minha vida parecia ser crucial. Mas afinal essa chama prolonga-se para além do fim.
Afinal quantos já foram os filhos que perderam os pais, quantos pais choram a morte dos filhos, quantos maridos ficaram sem as suas mulheres e quantas mulheres já ficaram viúvas, quantos netos recordam os seus avós com carinho.
Não podemos esperar ser poupados à prova da saudade.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O meu álbum de fotos pessoal

Há algumas imagens que não têm fotografia mas estão guardadas na minha memória.
Li algures sobre um estudo científico japonês que estabelece que as memórias, que são captadas por nós no chamado 'hipocampo', ocupam espaço - o artigo chamava-se mesmo 'o saber ocupa lugar' -. Segundo esse estudo, para que se mantenha espaço livre, em branco, nessa área do cérebro, para captar novas informações, é feita uma reciclagem das que estão lá guardadas, quer passando a outras áreas mais distantes de acesso na memória, quer eliminando-as, se não estou em erro.
Tenho imagens antigas que me surgem estáticas, como fotografias. Nem sempre consigo aceder a elas. Acontece mais elas saltarem para o pensamento presente espontaneamente. São preciosas. Espero que estejam bem 'coladas'.
Foto #1 - O meu Pai sentado no cadeirão preto do seu gabinete do escritório onde também trabalhei, há cerca de 25 anos.
Foto #2 - A minha Mãe confortando-me num dos meus ataques de choro juvenil.
Foto #3 - O meu Tio a contar a história dos mabecos em África, com um sorriso franzindo-lhe os olhos de alegria.
Foto #4 - O meu Pai sentado no maple há poucos dias, de pescoço muito direito e queixo baixo como os gatos sentados com sono.
Foto #5 - Duas primas abraçadas a chorar.
Foto #6 - O meu Marido a brincar com os sobrinhos quando são pequenos.
Foto #7 - O meu Filho a ser-me entregue na sala de partos, para parar de chorar encostado ao meu peito, com a sua madeixa dourada.
E muitas outras.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Camões

Muitas vezes os ouvi citar o primeiro verso.
Hoje procurei na net. Para além da primeira quadra fico numa interrogação assustada:
" Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.
(...) "

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A gata e a tartaruga


Dona Tartaruga saiu do seu esconderijo de hibernar, para se dirigir calmamente ao seu aquário na varanda, num dia de Inverno frio mas soalheiro. Encontrou pela frente a gatinha Nani, que ficou intrigada e meio eriçada.
As patas fortes de Dona Tartaruga fascinaram a Nani, e ela tentou tocá-las ao de leve com as suas. Dona Tartaruga encolheu-se toda dentro da sua carapaça, que um especialista de um fórum sobre tartarugas descreveu como "armadura medieval". A Nani passou então para o outro extremo da carapaça, examinando a cauda também bem protegida de Dona Tartaruga (diga-se de passagem que a gatinha Nani adora roer tudo o que se pareça com fios eléctricos ou cordéis ...).
Esgotada a curiosidade da Nani e passado o susto de Dona Tartaruga, lá seguiram os seus caminhos, uma para a varanda, a outra regressando aos seus brinquedos.
Não diria que ficaram amigas logo no primeiro encontro, mas agora já se conhecem e sabem com o que contar.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Uma bola grande e azul

A gata Nani tem uma árvore de Natal, como deixou ficar claro logo que a árvore ficou pronta. Aninhou-se na ponta do sofá que dá acesso áquela bola azul pendurada mesmo a jeito de umas patadas, e lambeu todo o seu pêlo em atitude tranquila de tomada de posse.
Claro que aquela grande bola azul entretanto já veio parar ao chão algumas vezes, mas isso faz parte dos direitos da Nani sobre a árvore.
Temos-lhe dito que uma escalada até ao topo não é atitude segura. A Nani parece por enquanto resignada, mas a qualquer momento poderá passar-lhe pela cabeça que, pertencendo-lhe a árvore, tem direito a todas as extravagâncias.
Façamos votos para que se limite às patadas na bola grande azul.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Transmissões

Eu estava sentada a olhar a varanda através do plástico transparente do 'jardim de Inverno'.
Faltava ainda a última etapa daquela corrida alucinada feita por todos, que tentavam dar solução perfeita ao que já não tinha remédio.
As forças estavam por um fio.
Lá fora o gato preto e branco parou nas quatro patas virado para mim, e por um longo momento cravou os olhos nos meus. Depois rodou a cabeça para o lado e cheirou o ar, com aqueles gestos insistentes de quem está a cheirar as pernas de alguém parado em pé ao seu lado.
Voltou o ânimo.
Estavamos em casa.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Queijada de Sintra, a pedido de Dona Lina

250g de açúcar misturados com 4 gemas e uma colher de chá de canela em pó. Dá-se umas voltas com a colher de pau, e enquanto esta mistura 'impregna' forra-se uma tarteira redonda, barrada com manteiga, com uma placa de massa folhada. Volta-se à massa de açucar e ovos e bate-se o melhor possível. À parte esmigalham-se muito bem com um garfo 4 queijinhos frescos dos pequenos. Junta-se um pouco dos queijos à massa, bate-se bem, junta-se 60g de farinha de maneira a não criar borbotos, e uma colher de café de fermento Royal. Finalmente junta-se o resto dos queijos, batendo sempre muito bem, o que forma uma massa líquida com bolhinhas.
Deita-se na tarteira e vai a forno de 180º cerca de 1h15m.
Antes de servir pode passar ou não pelo frigorífico.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

"Gata em telhado de zinco quente"

Se não houver engano nas contas da minha amiga Bi, a Nani nasceu no passado dia 12 de Outubro. Faz hoje 8 semanas.
Chegou cá a casa no sábado, 5 de Dezembro, e dominou de imediato o ambiente escaldante de expectativa. Saíu hesitante da caixa transportadora para a cozinha, onde tinha à sua espera um pratinho com ração de gatinho bébé e água, o filhote-de-dono a oferecer-lhe as costas da mão para ela cheirar, muitas cócegas.
Reagiu com calma e comeu, brincou, usou o seu WC privado. Cansada de emoção aninhou-se na sua caminha e instalou-se nos corações de todos cá em casa.
Falta ser apresentada à Dona tartaruga.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sétimo Dia

- Hum, hum, ... Álvaro de Campos ?
- Não Doutor, é o meu Avô, Fernando Correia Pessoa !
- Ah, bem, é que podia ser um dos heterónimos ...
.....................
Vai estar em todas as coisas que vemos, em tudo o que somos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Sonâmbula ?


À medida que os anos vão passando, conseguimos aprender com ela os seus gostos.
Engraçado agora no mau tempo é ela aventurar-se mais a passear dentro de casa. Quando era muito mais pequena perdeu-se por entre os fios do computador que tinhamos no corredor. Demorámos algum tempo a encontrá-la. Agora que é bem maior os seus passeios são mais visíveis. E audíveis, pelo barulho da sua carapaça a tocar ocasionalmente o chão.
Hoje exagerou, iniciando o seu passeio junto dos nossos quartos antes das 5 horas da manhã.
- Clanc .... clanc .... clanc .... (destacando-se no silêncio do escuro)
O filhote-de-dono foi dar-lhe água e encaminhá-la para o seu 'quartinho'.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O Dono dos Relógios



Esta manhã o despertador não dava horas. Faltou a luz.
Foi o Dono dos Relógios que mo ofereceu, quando mudei de casa. Antes disso era ele que se encarregava de me acordar de manhã. Umas palmadas numa perna e um tó-tó-ró-tó-ró, o seu exemplo do banho já tomado, a barba feita, o cabelo penteado.
Não há nenhuma maneira agradável de se ser acordado. O Dono dos Relógios semeou-me um maquinismo interior, rítmico, que dia e noite me faz saber as horas, e me acorda ainda antes do despertador tocar. É essa a maneira agradável de acordar, no fim dos sonhos, sem deixar a história por acabar, rematando todas as pontas e acordando serenamente. Talvez por isso o Dono dos Relógios não tenha escolhido um despertador com bateria de apoio. Quando falta a luz, não falham os ritmos interiores.
Sei que não sou exemplo. Para isso temos o Dono dos Relógios.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Quadro de Monserrate


O jeitinho para fotografar é que não é nenhum ...

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aspirações a estrela de cinema


A tirana interestelar aproximava-se, no seu vestido amplo e brilhante, acompanhada dos seus sinistros conselheiros vestidos de negro. Precisei de mudar a minha aparência física, transformando-me naquela minha colega da escola, aquela de quem todos gostavam, para que a tirana não me reconhecesse. Uf, assim estava a salvo. Estavamos todos a salvo sobre aquela plataforma suspensa em órbita sobre a cidade. As naves espaciais passavam lentamente.
Não sei se antes disto se depois, eu e um personagem masculino de banda desenhada, não me lembro agora qual, salvámos aquele homem aparentemente inocente. Ele estava amarrado a um poste por um cordão de clips, que o prendia pelo pescoço. Foi preciso engenho para o soltar, uma questão de conhecer o segredo de como se desfaz um cordão de clips. Corremos imediatamente para longe, porque o poste explodiu em cinematográficas chamas laranja e amarelas (onde é que eu já tinha visto aquela explosão ? E ora aqui está, eu sonho a côres ...).
Acordei serenamente.
Era apenas mais um filme de ficção científica e acção, desta vez inventado, interpretado e realizado pelo meu subconsciente.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Projectos


Já acabei o quadro de Monserrate. Quando estiver assinado ponho aqui a foto.
Entretanto penso começar hoje um quadro novo, com base num tema que me surgiu este fim-de-semana e que resultou para já neste paint.
O pior vai ser acertar nas côres. E as marcas na areia.
O céu estava azul entardecido manchado de rosa, com uma lua muito branca e irreal. A areia estava marcada de sombras, marcas das patas de pássaros e marcas de pneus.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Pagamentos

Há coisas que não se pagam. E isto aplica-se até às formas de pagamento.
As minhas duas 'clientes' escolheram formas de pagamento para os quadros que são elas próprias impagáveis.
Num caso, dois livros amorosos sobre arte, com imagens deliciosas de quadros e outras expressões artísticas. De formato compacto, colorido e harmonioso.
No outro caso, um almoço num vegetariano partilhado por quatro moçoilas na idade 'sabichona', não podemos dizer ainda 'sábia', isso será só daqui a uns anitos, se Deus quiser. Mas acredito que já vamos dominando algumas técnicas ou táticas de amortecimento de impactos negativos, favorecidas pelas rugas (imperceptíveis, de resto ...).
Dá gosto pintar.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

"Cherish emotions"

É o que está escrito na minha T-shirt.
As emoções negativas também merecem ser guardadas ? E transmitidas ?
Ou devemos apenas coleccionar e distribuir emoções de felicidade e alegria ?
Todas fazem parte da nossa memória, mas será preferível apagar o que nos magoa ? Abandonar o ressentimento ? Exibirmos um permanente sorriso e espalhar à nossa volta amabilidades e alegria ?
Guardo muitas emoções, e nos meus quadros procuro expressar os cenários daquelas que me são agradáveis.
Mas não consigo controlá-las.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Praia de São Pedro


Está pronto. Estive à espera de luz para fotografar.
Em princípio já tem destinatários.