terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Casinhas de bonecas

Vi ontem um anúncio com crianças bem pequenas entretidas a construir aqueles puzzles coloridos, estampados nas faces de cubos. Quando vi a satisfação e concentração delas no seu mundo mágico recordei a minha própria experiência com brinquedos na infância e compreendi que é a mesma sensação de quando estou a pintar. As minhas amigas de atelier vão conversando animadamente enquanto eu me concentro descontraída, uma mão no bolso da bata e a outra desenhando, uma canção na cabeça que vou trauteando baixinho.
Por isso me anda a saber tão bem.
Poder ser criança aos 50 anos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Bolo de chocolate da Belinha Gulosa

A Belinha Gulosa é uma das 'petiscólicas' do petiscos.com. Este domingo fiz o bolo de chocolate dela, mas em vez de ficar alto e fôfo ficou abatido tipo 'bolo mousse de chocolate'. Vou dizer como fiz, para que vocês possam optar pelo meu desastre ou fazerem os aperfeiçoamentos devidos.
Derrete-se uma tablete de chocolate de culinária 200g - (eu usei Pingo Doce) da qual retirei duas filas para a cobertura - com 125g de margarina Becel clássica.
Entretanto na batedeira batem-se 6 gemas com 250g de açucar até ficar uma gemada clara.
À parte batem-se as 6 claras em castelo bem firme.
Depois de arrefecer junta-se o chocolate derretido ao creme de gemas, 100g de farinha self-raising e uma colher de chá de fermento royal, e no fim envolvem-se as claras cuidadosamente.
Vai a forno de 180º durante 45 minutos, em forma redonda sem buraco untada de margarina e polvilhada de farinha.
Depois de desenformado cobre-se com um creme feito das duas filas de chocolate que se guardou derretidas com uma colher de sopa de margarina Becel clássica e três colheres de sopa de natas frescas.
Se ficar como o meu têm de contar com espaço no prato para ele se 'esparramar'.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Comunicar

Cientistas britânicos e belgas conseguiram desenvolver uma técnica de comunicação com doentes em estado vegetativo por lesões cerebrais.
Monitorizaram através de scanings tipo ressonância magnética a actividade cerebral do paciente. Instruindo-o para imaginar determinado tipo de situação para transmitir a resposta 'sim' ou pensar outro tipo de situação para transmitir a resposta 'não' puderam testar a exactidão das respostas através de questionários de informação autobiográfica dos pacientes.
Este nível de comunicação poderá ajudar na determinação da necessidade de medicação para a dor, por exemplo. Mas também coloca dúvidas sobre a prática até aqui seguida de ser outra pessoa a decidir se deve ser suspenso o suporte de vida de um doente nestas condições. E mesmo se passar a ser o doente a responder que quer terminar o tratamento provavelmente não vai, do ponto de vista legal, poder decidi-lo.
(Fonte: BBC News online)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

'Gestão' de Recursos Humanos - ou a lei do mais forte

Li ontem um artigo que transcrevia uma entrevista a um psiquiatra que tem estudado, com bastante preocupação, os recentes casos de suicídio nos locais de trabalho. Falava por exemplo no caso da France Telecom, mas também em outros casos em pequenas empresas. Dizia ele que esses suicídios encerram uma brutal mensagem. Reflectia nas recentes estratégias de avaliação individual e ausência de avaliação de equipa, apreciação dos resultados quantificáveis do trabalho desenvolvido e não do próprio esforço desse trabalho.
Falava de como a adopção destes métodos tem coincidido com o aumento de baixas ligadas a doenças mentais. De como pode ser fomentado o medo num grupo de pessoas através do assédio a um elemento desse grupo.
A dada altura afirmou ter acompanhado o caso de uma mulher que tinha pertencido a um grupo de gestores em formação específica de gestão. No início da formação cada participante fora presenteado com um pequeno gatinho, e durante as seguintes sessões trocavam impressões sobre a relação que iam estabelecendo com o seu gatinho. No final da formação foi-lhes ordenado que matassem o seu gato. A mulher recusou-se e ficou doente; os restantes participantes executaram a tarefa.
A mim não me surpreendeu. No meu percurso profissional já tive oportunidade de assistir e conviver com comportamentos que não têm a ver apenas com a formação que então nos é dada, mas antes manifestam o que ao longo da vida desenvolvemos dentro de nós, em vários aspectos incluindo o relacionamento com os outros.
Costumo até dizer que já na escola primária as diversas personalidades, apoiadas não só em skills mas também em regras e princípios que são intrínsecos a cada indivíduo, determinavam o lugar na 'cadeia alimentar' ...
Desconhecendo eu até aqui que há mesmo 'cursos de matar gatos' ...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Gata 5 estrelas

A Nani fez este fim-de-semana duas viagens de duas horas e meia. Só começou a miar ao fim de duas horas, e na viagem de regresso miou ao princípio porque estava mal instalada na sua 'gaiola'. Os miados nesse regresso ao fim de duas horas podiam muito bem ser comentários apreciativos das luzes das portagens e da ponte. Nunca pareceu desesperada, apenas interrogativa.
Portou-se lindamente.
Entretanto a Dona Tartaruga já saiu do seu esconderijo de hibernar e passou o fim-de-semana no seu aquário na varanda. O tempo já não está tão nublado, até já há um solinho quentinho. Começou a comer, ainda sem grande apetite.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Saramago e Deus

Tenho uma tese muito minha sobre a relação de Saramago com Deus.
É preciso lembrar que, segundo um artigo que li algures, Saramago é aquele autodidacta em estado puro que pensou que os heterónimos de Fernando Pessoa eram diversos escritores reais. E é preciso ter assistido àquela entrevista em modelo de frente-a-frente com um estudioso franciscano, em que se notou o enorme respeito que Saramago tem pelas questões religiosas quando confrontado com um 'homem de Deus'. Só faltou pedir a absolvição dos seus pecados, e fá-lo-ia desde que não fosse obrigado a ajoelhar.
A minha tese é de que Saramago perante Deus é como uma criança, a mais ingénua e inocente das crianças, que ouve falar em milagres e logo tem esperança de assistir a um milagre para si próprio. E vai provocando Deus na esperança de que isso aconteça.
É isso, em meu entender, que Saramago procura: ser agraciado com um milagre dirigido aos seus mais íntimos anseios, e que possa ser testemunhado pelo mundo inteiro.
Defendo que isso para ele seria mais importante ainda que o Prémio Nobel.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O pior são as tentações irresistíveis


Com 3 meses, o último mês e meio já cá em casa, a gatinha Nani já vai conhecendo algumas palavras. Responde ao seu nome e às palavras 'não', 'disparate', 'chão', 'anda', 'arranhar é no poste' (...).
Disparates continua a fazer alguns. Começou esta semana a saltar para cima das bancadas da cozinha, e gosta de beber água em locais exóticos como o lava-loiças e a banheira.
É muito curiosa e aventureira, mas gosta de aprender, e obedece sempre que a tentação não se apresenta irresistível. Parece mesmo que lhe dá gosto mostrar que percebe o que queremos que ela faça. É muito meiga e gosta muito de brincar.
Ontem pediram-me para ver uma fotografia dela, e eu disse que ela não é bonita, porque normalmente as pessoas gostam de gatos felpudos e de pêlo clarinho. Mas pensando melhor tenho que ser mais justa: a Nani na verdade é um espanto.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Etapas


Tenho por vezes dificuldade em reconhecer memórias minhas como acontecimentos reais que se tenham mesmo passado comigo. Parece-me por vezes impossível que já tenha decorrido tempo suficiente para conter tantos momentos, em idades tão diferentes, separadas por tantos anos.
É como se tivesse começado a viver não há muitos anos, e todas aquelas recordações não pudessem caber nesse espaço de tempo. Como se essas memórias fossem afinal filmes que consigo rever mas que não terão na realidade acontecido.
É o caso dos filmes que vi outro dia sobre momentos da minha infância, com a presença dos meus avós, eu e os meus irmãos muito pequenos, os meus pais muito novos. Mas também é o caso de coisas que não estão filmadas, existem no meu pensamento.
São mais reais para mim as memórias mais recentes. As outras estão distantes, muitas vezes a preto e branco, amarelecidas por um tempo que não dei por que passasse.
Como se as várias etapas não pertencessem à mesma pessoa.
Acho que é esse o significado quando digo que me sinto sempre com 20 anos, e a minha Mãe diz sentir-se com uns 40. Parece que do início da vida até agora não passou tempo suficiente para tantas recordações.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Curtas Viagens


Peguei ontem no tal 'projecto vermelho', naquela tela gigante. As minhas colegas de atelier brincaram como de costume com a rapidez do meu trabalho, aconselhando-me um pincel maior do que aquele que estive a utilizar. Talvez siga esse conselho, porque o pincel que escolhi ficou gasto pela metade de tanto deslizar na fibra da tela. Verdade !
Entretanto as viagens voltaram a inspirar-me. Talvez faça uma nova paisagem com base neste desenho. Vai ser preciso escolher bem o verde dos prados, e o céu nublado também não vai ser fácil.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Conforto


A gatinha Nani gosta de dormitar enquanto a família conversa. E principalmente quando a Avó vem de visita.
Aninha-se na almofada de uma cadeira encaixada debaixo da mesa, e deixa-se embalar pela melodia das vozes e dos risos.
Conheço bem a sensação. Quando eramos miúdas escolhiamos esconder-nos debaixo da mesa da sala de jantar da minha Avó para ouvir, sem preocupação de entender, as conversas dos adultos. A luz coada pela toalha de mesa, e a perspectiva invulgar das pessoas vistas pelos pés e pernas, formava um ambiente de um mundo paralelo e secreto, à maneira de um Harry Potter de então.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Concorrência

"Dona Tartaruga apareceu na minha sala com todo o descaramento ! Esfregou a carapaça nos meus sofás, cheirou os meus tapetes e atropelou os meus brinquedos.
Toda a gente achou muita graça, mas eu não achei piada nenhuma ...
Lá tive de lhe pregar umas sapatadas, mas parece que na carapaça não dá mossa, e o resto do corpo ela esconde-o muito bem.
É só mordomias: pôem-na a beber água numa tina, deixam-na salpicar com água a manta do chão da cozinha, abrem-lhe a porta da varanda para ela ir apanhar ar fresco lá fora, um luxo !
Bem, de falta de atenção também não me posso queixar, mas uma tartaruga, que até devia estar sossegada a hibernar, à solta no meu espaço, não acho bem."

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Gaivotas em terra ...


Hoje os pombos foram substituidos por gaivotas, que sobrevoam num voo muito mais lento os telhados vizinhos. Não se apressam nos beirais, aterram com um compasso em que pairam na vertical o topo de uma chaminé ou de um grande candeeiro de rua. Escolhem minuciosamente o local de aterragem, e cortam lentamente o ar com a enorme envergadura das suas asas.
O dia acordou tempestuoso de nuvens gordas e escuras, vento e chuva.
Pelos vistos no mar as coisas devem estar agitadas.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Instinto


"Aquele passarinho começou por assustar-me, quando agitou as asas muito depressa, levantando uma nuvem de penugem e cascas de alpista. Depois de várias aproximações percebi que ele também se assustou. E a coisa parece divertida.
Quando o filhote-de-dono faz a manutenção da gaiola pousa-a perto de mim. Já fiz alguns ataques sorrateiros, e parece que nem sempre o canário leva a coisa a sério. Lá está, já percebeu que está protegido pelas grades da gaiola, e ri-se de mim.
Acho que a Dona Tartaruga nunca se lembrou desta brincadeira. Pesa-lhe um bocado aquela carapaça, não tem muito jeito para emboscadas.
Tenho olhado cá de baixo para a gaiola lá em cima, e ainda não descobri um caminho de subida para lá. Um dia destes dou um belo salto de predadora da selva ! "

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Mousse de chocolate meio improvisada

Comecei por improvisar, com a ajuda da minha Mãe. Já utilizei diversos tipos de tablete de chocolate escuro de culinária, daquelas com o comprimento de um palmo, e o resultado depende um pouco desse mesmo chocolate. Mas a receita consiste em bater muito bem (eu uso colher de pau) 6 ou 7 gemas com 6/7 colheres de sopa de açucar, até ficar uma gemada clarinha e cremosa. Entretanto derrete-se em banho-maria a tablete de chocolate. Batem-se as 6/7 claras em castelo muitissimo firme (não esquecer os dois grãozinhos de sal).
Já fora do lume juntam-se duas colheres de sopa de margarina Becel ao chocolate derretido, mexe-se energicamente, junta-se um pouquinho da gemada, e depois junta-se o preparado de chocolate ao resto da gemada, mexendo bem até ficar bem misturado. No fim incorporam-se gentilmente as claras, deita-se na(s) taça(s) de servir, e vai ao frigorífico para no dia seguinte ser apreciada.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O amor e uma cabana

Já está terminado há bastante tempo, mas como parece que precisa de uns melhoramentos ainda não me tinha decidido a pô-lo aqui. Mas por qualquer razão falou-se em paisagens da minha cabeça , e por isso fiquei com vontade de vê-lo aqui.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

A Mulher duplicada - ou a gatinha Nani e os reflexos


"A minha dona faz hoje pelo menos uns 100 anos. É que ela vive muitos momentos em vários sítios ao mesmo tempo. Como hoje de manhã, que secava o cabelo sentada no banco da cozinha, enquanto fazia o mesmo do outro lado do vidro da marquise. Estava lá uma gatinha que olhava para mim, sentada muito direita, com as orelhas bem esticadas e os olhos verdes muito abertos.
Já a apanhei a pentear-se no quarto e também do outro lado simétrico do quarto. Como quando me pega ao colo e eu a vejo à minha frente, do outro lado do espelho, com aquela gatinha ao colo.
A Dona Tartaruga, que vive cá há mais tempo que eu e é muito sabichona, diz que eu sou pateta, que é só um 'reflexo', mas eu nem percebi o que é isso.
Cá para mim ela está escondida em todos os cantinhos da casa para vigiar os meus disparates. Por isso faço os possíveis por me portar bem, mesmo quando não a estou a ver."

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Projecto vermelho


Ontem perdi o tino. Comprei uma tela de 90 cm x 90 cm para um quadro de uma janela árabe em tons de vermelho. Depois de a transportar debaixo de uma chuvada, a tela protegida por película plástica transparente, coloquei-a no cavalete em cima da minha mesa no atelier de aprendizagem, e aí é que percebi que é mesmo uma tela e-nor-me !
Pesquisei umas fotos da net, mas o marido prefere a inspiração do meu 'projecto vermelho', esboçado em paint.
Veremos o que sai.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Anjos

E agora as suas mãos amparam anjos
No frio e na chuva deste Inverno.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

OK, O Bolo de Noz da família


Conhecido já no tempo da minha bisavó.
É todo batido à colher de pau em tigela ampla (excepto as claras).
6 gemas misturadas com 2 chávenas de chá grandes de açucar (+-200g) e um cálice de vinho do Porto. Enquanto impregnam barra-se uma forma tipo tabuleiro com margarina, forra-se com papel vegetal, que se besunta também com margarina.
De volta à massa, tem de ser batida até ficar uma gemada cremosa a formar bolhas. Juntam-se então duas colheres de sopa de pão ralado. Polvilha-se e mistura-se uma colher de café bem cheia de fermento Royal em pó. No fim as 6 claras batidas em castelo muito firme, e 250g de nozes bem picadinhas na 1-2-3, envolvendo suavemente com a colher de pau.
Deita-se na forma tabuleiro e vai cerca de 1h ao forno de 180º.
Retira-se e desenforma-se imediatamente, com a ajuda de uma espátula, para uma tábua com papel vegetal. Deixa-se arrefecer para se cortar ao meio, e põe-se no prato de servir, recheando e cobrindo com ovos moles feitos de 8 gemas+8 colheres de sopa de água+8 colheres de sopa de açucar, engrossadas em lume brando aí uns 15 minutos, sempre a mexer. Completa-se cobrindo com fios de ovos e metades de nozes.
Antes de servir pode guardar-se no frigorífico, protegido com papel de alumínio.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Pesadelos felinos



Não deixamos a gatinha Nani ir para a varanda porque temos medo que caia. Não por estupidez mas por algum inesperado acidente. Vamos ter de preparar a varanda para evitar algum percalço.
Entretanto a preocupação é tal que no meu sonho de hoje vi pela janela alguns gatinhos pendurados num estendal de um prédio em frente. Uma era a birmanesa Txutxu pendurada a conseguir aterrar num parapeito salvador, o segundo era um outro gatinho a conseguir o mesmo. A terceira vítima era já uma senhora gorda, de vestido vermelho, absurdamente pendurada nas cordas do estendal.
E durante o sonho eu a pensar que realmente por muito cuidado que tivessemos não conseguiamos evitar aqueles comportamentos inesperados.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Saudade

Sempre acreditei que quando chegasse este dia eu morreria também de uma qualquer dor fulminante e inexplicável. Apesar de alguns sentimentos contraditórios, a sua chama na minha vida parecia ser crucial. Mas afinal essa chama prolonga-se para além do fim.
Afinal quantos já foram os filhos que perderam os pais, quantos pais choram a morte dos filhos, quantos maridos ficaram sem as suas mulheres e quantas mulheres já ficaram viúvas, quantos netos recordam os seus avós com carinho.
Não podemos esperar ser poupados à prova da saudade.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

O meu álbum de fotos pessoal

Há algumas imagens que não têm fotografia mas estão guardadas na minha memória.
Li algures sobre um estudo científico japonês que estabelece que as memórias, que são captadas por nós no chamado 'hipocampo', ocupam espaço - o artigo chamava-se mesmo 'o saber ocupa lugar' -. Segundo esse estudo, para que se mantenha espaço livre, em branco, nessa área do cérebro, para captar novas informações, é feita uma reciclagem das que estão lá guardadas, quer passando a outras áreas mais distantes de acesso na memória, quer eliminando-as, se não estou em erro.
Tenho imagens antigas que me surgem estáticas, como fotografias. Nem sempre consigo aceder a elas. Acontece mais elas saltarem para o pensamento presente espontaneamente. São preciosas. Espero que estejam bem 'coladas'.
Foto #1 - O meu Pai sentado no cadeirão preto do seu gabinete do escritório onde também trabalhei, há cerca de 25 anos.
Foto #2 - A minha Mãe confortando-me num dos meus ataques de choro juvenil.
Foto #3 - O meu Tio a contar a história dos mabecos em África, com um sorriso franzindo-lhe os olhos de alegria.
Foto #4 - O meu Pai sentado no maple há poucos dias, de pescoço muito direito e queixo baixo como os gatos sentados com sono.
Foto #5 - Duas primas abraçadas a chorar.
Foto #6 - O meu Marido a brincar com os sobrinhos quando são pequenos.
Foto #7 - O meu Filho a ser-me entregue na sala de partos, para parar de chorar encostado ao meu peito, com a sua madeixa dourada.
E muitas outras.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Camões

Muitas vezes os ouvi citar o primeiro verso.
Hoje procurei na net. Para além da primeira quadra fico numa interrogação assustada:
" Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que pera mim bastava amor somente.
(...) "

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A gata e a tartaruga


Dona Tartaruga saiu do seu esconderijo de hibernar, para se dirigir calmamente ao seu aquário na varanda, num dia de Inverno frio mas soalheiro. Encontrou pela frente a gatinha Nani, que ficou intrigada e meio eriçada.
As patas fortes de Dona Tartaruga fascinaram a Nani, e ela tentou tocá-las ao de leve com as suas. Dona Tartaruga encolheu-se toda dentro da sua carapaça, que um especialista de um fórum sobre tartarugas descreveu como "armadura medieval". A Nani passou então para o outro extremo da carapaça, examinando a cauda também bem protegida de Dona Tartaruga (diga-se de passagem que a gatinha Nani adora roer tudo o que se pareça com fios eléctricos ou cordéis ...).
Esgotada a curiosidade da Nani e passado o susto de Dona Tartaruga, lá seguiram os seus caminhos, uma para a varanda, a outra regressando aos seus brinquedos.
Não diria que ficaram amigas logo no primeiro encontro, mas agora já se conhecem e sabem com o que contar.