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Tenho por vezes dificuldade em reconhecer memórias minhas como acontecimentos reais que se tenham mesmo passado comigo. Parece-me por vezes impossível que já tenha decorrido tempo suficiente para conter tantos momentos, em idades tão diferentes, separadas por tantos anos.
É como se tivesse começado a viver não há muitos anos, e todas aquelas recordações não pudessem caber nesse espaço de tempo. Como se essas memórias fossem afinal filmes que consigo rever mas que não terão na realidade acontecido.
É o caso dos filmes que vi outro dia sobre momentos da minha infância, com a presença dos meus avós, eu e os meus irmãos muito pequenos, os meus pais muito novos. Mas também é o caso de coisas que não estão filmadas, existem no meu pensamento.
São mais reais para mim as memórias mais recentes. As outras estão distantes, muitas vezes a preto e branco, amarelecidas por um tempo que não dei por que passasse.
Como se as várias etapas não pertencessem à mesma pessoa.
Acho que é esse o significado quando digo que me sinto sempre com 20 anos, e a minha Mãe diz sentir-se com uns 40. Parece que do início da vida até agora não passou tempo suficiente para tantas recordações.