sexta-feira, 30 de abril de 2010

Esparguete de legumes

Recorro agora muitas vezes a este prato. É simples de fazer.
Cubro o fundo de uma sertã anti-aderente com um bom fio de azeite. Corto diversos legumes tais como alho francês em rodelas ou cebola picadinha, raminhos pequeninos de bróculos, cubinhos de nabo, cubinhos de tomate, cubinhos de courgette, cubinhos de cenoura, os legumes que tivermos em casa partidos pequeninos para demorarem pouco tempo a guizar. Acrescento umas gotas de água para não fritar. Também ponho por vezes um peito de frango ou bifinho de perú também aos cubinhos.
Tempero de sal, môlho inglês, sumo de limão, orégãos. Por vezes junto uma colher de sobremesa de polpa de tomate.
Tapo para reter bem os sucos dos legumes.
Entretanto cozo esparguete ou macarrão 'al dente', e por fim junto a massa aos legumes na sertã e misturo bem. Sirvo bem quente.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nani alpinista ...

... ou "aquelas coisas que as donas de gatos não avisam umas às outras ... ".
A Nani descobriu este fim-de-semana que é capaz de dar um grande impulso de metro e picos, de baixo para cima, para aterrar com segurança no topo dos armários cá de casa.
Deixou para depois resolver o problema de como descer ... alguma coisa se há-de arranjar. E lá foi resolvendo os obstáculos, salto a salto.
O vaso da avenca, tão 'mastigado' enquanto esteve cá mais para baixo, tinha recuperado depois de colocado bem alto (pensávamos nós) em cima do armário da sala. Está agora de novo ao alcance do apetite da Nani por caules fininhos, bons para roer.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Novo projecto


Não tenho pintado grande coisa ultimamente, mas continuo com bastantes projectos, uns começados já, outros ainda em esboço, como este 'fundo do mar'.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quando a minha Mãe me chama por todos os nomes das filhas até finalmente chegar ao meu

Hoje aconteceu uma coisa curiosa.
Um colega meu, que fala comigo praticamente todos os dias, e me cumprimenta sempre pelo meu nome, quis referir-se a mim, dirigindo-se a outra pessoa à minha frente, e ficou a olhar-me, sem se conseguir lembrar de como eu me chamo, um sorriso cansado estampado no rosto.
Foi uma sensação estranha, surpreendente.
Foi como se o meu nome estivesse tão interiorizado no seu espírito que quando o invocou conscientemente não o conseguiu reconhecer.
Como aquelas situações em que a resposta é tão formal que duvidamos dela.
Não sei se foi o que ele sentiu, mas a mim não me desagradou.

Poder voar

O lixo pesa.
Sentimentos negativos prendem-nos ao chão.
Deitem fora ressentimentos, inseguranças e invejas.
Infelizmente já tive a minha parte.
Partilhem alegrias e amizade, preservem a felicidade.
Acompanhem-me num voo leve e silencioso, bem alto na noite, por sobre as luzes alaranjadas da cidade.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Lisboa, destino turístico 2010


Pela manhã dirigi-me ao Chiado, para comprar um pequeno cavalete na Corbel do Largo de Camões, e reparei melhor nos desenhos polidos dos passeios em calçada portuguesa, as estátuas pitorescas a marcar a história da cidade. Percebi que finalmente foi descoberto o nosso bem guardado segredo.
Esta cidade mal tratada por alguma modernidade de mau gosto consegue manter alguns cantinhos de grande dignidade, que nos provocam um brando arrepio de um prazer pessoal. Apesar disso temo pela futura perda de belezas tão simples que podem escapar à estima de quem tem o poder de zelar pela cidade.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Os Três Porquinhos ou a Alice no País das Maravilhas

Até os contos infantis nos preparam para aceitar a existência inevitável de figuras malvadas que nos atrofiam a vida.
Somos ensinados a confiar em golpes de sorte ou soluções miraculosas, que só acontecem aos mais dóceis, honestos e generosos, e que só no extremo da agonia destroem as tais personagens.
Talvez sejam excepção aquele porquinho prático, que coloca um caldeirão a ferver à espera da intrusão do lobo mau, ou aquele menino manhoso que escolhe um ossito para simular magreza à canibal bruxa míope.
Também pode ser que me tenham escapado alguns contos mais didácticos.
De resto não me lembro de ter aprendido dicas úteis de como superar os génios do mal no seu próprio jogo.
O caldeirão a ferver não é muito prático no mundo real.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Os mimos dos amigos são 'o que se leva desta vida'

Ontem o meu médico, normalmente tão parco em palavras, muito reservado sem deixar de esclarecer sempre as minhas dúvidas médicas, reparou que eu tenho agora 50 anos. Retorqui de imediato: "- ... mas não me sinto !". A partir daí decorreu uma conversa longa, arrisco a classificá-la como de velhos amigos, em que ele, agora com 62 anos, apoiou a sensação, embora referisse algumas coisas que agora são para ele diferentes.
Para além daquilo que inevitavelmente envelhece no corpo, abandonou alguns planos como o de vir a ter um monte no Alentejo. Não corre para o autocarro, o que lhe fiz notar que se trata de uma questão de atitude ... Canaliza mais energia para projectos de curto prazo como viagens, que lhe dão muito gozo arquitectar.
O que mais estranha é a tal sensação de que já aqui falei, de que tem memórias já tão distantes, e em tão grande quantidade, que quase não parece possível serem dele.
Aprendeu a não se arrepender das suas decisões de vida, pois as alternativas não podem nunca ser certificadas em paralelo. Aprendeu também a aguardar o auxílio do tempo e do esforço para aquilo que numa análise precipitada pode parecer irremediável.
Confessou-me que receava que apenas tivesse mais dez ou quinze anos pela frente, e por isso referi-lhe o caso do meu Pai, que lhe alarga esse prazo para o dobro.
E de saída agradeci-lhe a atenção, para o fazer reparar que tem agora mais disponibilidade para dedicar a uma paciente que o consulta há perto de uns bons 30 anos.

terça-feira, 23 de março de 2010

Tejo no meu caminho



Árvores sem folhas e bancos sem gente. Estavam a fazer falta uns diazinhos mais amenos para voltar o movimento saudável à beira do rio. Entretanto lembrei-me se conseguiria pintar a margem com uma vista da ponte. E saiu este desenho. Vai ser uma aventura difícil.

segunda-feira, 22 de março de 2010

DJ (2)


O DJ que me vai presenteando com novas interpretações de velhos temas, ou com músicas que não ouço habitualmente e assim vou relembrando, continua de serviço na rádio Marginal.
No final da semana passada ouvi, interpretada por uma nova voz que fiquei sem saber de quem, mas não era Rod Stewart, uma das minhas canções preferidas: "Have I told you lately that I love you ?".
E hoje, logo por volta das 7h45m da manhã, aquele grito agudo : "Te amo. Te amo. Eternamente, te amo ! " . Ney Matogrosso cantando 'Yolanda' de Chico Buarque.

Entretanto a Nani vai caçando moscas, que come 'lambendo os beiços' como se fossem marisco. Também faz emboscadas à Dona Tartaruga, que já viu que dali não vem perigo de maior e por isso passeia-se pachorrentamente desafiando a paciência da gatinha.
A Nani também nos faz emboscadas a nós, escondida atrás de maples ou portas, a fazer lembrar na sua versão de caçadora de meia-tigela o Herman José atrás das plantas de plástico na sua recriação de reportagens National Geographic.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Chocolate

O chocolate 'Crunch' tem para mim uma história preciosa.
Quando o meu Pai ia em viagens pela Europa, lembro-me que chegava ao fim do dia, ou mesmo já de noite, e abria a mala na sala, frente à lareira. De lá de dentro saíam alguns vinis que o meu irmão lhe encomendava (ainda não havia por cá), bonecas antecessoras da Barbie, com os seus vestidos de noiva ou tutus de bailarinas, jogos escolhidos por critérios de originalidade, livros de belas ilustrações fotográficas, e na maior parte das vezes algumas tabletes de um chocolate recheado de arroz tufado embrulhado em papel azul forte de nome 'Crunch'.
Só muitos anos mais tarde começou a ser comercializado em Portugal.
Continua a ser o meu chocolate preferido.

terça-feira, 16 de março de 2010

Uuuuffa !!!


Depois de uma semana e picos de apreensão, a barriga escondida em ligadura elástica autocolante e um lenço colorido para a dissuadir de arrancar alguma coisa, a Nani foi ontem tirar os pontos, e já pode voltar à sua vida normal.
Em comemoração, teve oportunidade de lamber todo o seu pêlo, com requintes de pormenor na barriga, num fim de tarde soalheira na varanda.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Para sua e nossa tranquilidade. Egoístico ?


A veterinária fez no passado dia 5 uma cirurgia de esterilização à Nani.
Ainda não estamos completamente recuperados.

segunda-feira, 1 de março de 2010

"Witty aunt Silvia"

Vários amigos dos meus pais me marcaram como personalidades fortes e inconfundíveis. Uma delas era a tia Silvia, tia apenas pela proximidade com a família.
A tia Silvia tinha um discurso bem humorado, atrás do qual se escondia enquanto atirava à cara de todos o que pensava deles. Humor repentista, enérgico e optimista mas muitas vezes sarcástico ou mordaz. E com o sotaque madeirense, que nunca perdeu mesmo depois dos muitos anos de volta ao continente.
Era daquelas pessoas que parecem não precisar de ninguém, aventureira como poucas, a quem aconteciam as mais dolorosas situações que ela encarava com resignado humor.
Como aqueles ácaros que lhe atacaram o corpo anafadinho. Quis utilizar um aparelho milagroso para se livrar de ácaros, mas eles revoltaram-se e atacaram-na.
Morreu na semana passada, e fez-me pensar que na minha idade começa a acercar-se de mim uma névoa fluida e negra de morte que vai engolindo amores e amizades.
Um pensamento destes não duraria muito tempo ao pé da tia Silvia. Ela dir-me-ia que estou a fazer filme.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Nani 'ama seca'


Fazendo jus ao seu nome (se expresso em inglês) a gatinha Nani passou a tomar conta de todos cá em casa. Não lhe escapa nada, e faz questão de dividir a sua atenção por Dono, Dona e Filhote-de-Dono.
Do Pai sabe que pode esperar muita emoção, brincadeira energética, puxar pelas unhas e dentes e correr disparatadamente. Também é ele que lhe corta as unhas e a põe na ordem quando abusa.
Da Mãe sabe que é mais miminhos, longas sonecas cúmplices. É ela que costuma abastecer os pratos da ração e da água.
Mas quando o Filhote está em casa é quem merece mais atenção. Ele mostra-lhe o canário aproximando-a da gaiola perigosamente. Ainda por cima no seu quarto estão dois pequeninos aquários, com um peixinho de espampanante e agitada cauda cada um. Vai fazendo companhia ao Filhote e aproveita para estudar uma maneira de conseguir agarrar aqueles peixinhos.
Ainda lhe sobra tempo para se inteirar da saúde de Dona Tartaruga, que se mudou já para o 'aquário' na varanda, mesmo com o frio que ainda vai fazendo nestes meados de Fevereiro.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Côres

Num vórtice projectam-se no meu espírito recordações de todas as côres. Desde o transparente da água em que me vejo mergulhar de rochas que escondem pulseiras perdidas, ao vermelho de madrugadas que se alegram com a paz que ultrapassou o sofrimento. Recordações de dias coloridos de prendas que trazia de outras partes do mundo. Verdes e rosas da natureza e carinho escondidos numa capa que o protegia de dores profundas. Azuis descontraídos nos dias que continuam a suceder-se. Cinzentos de algumas memórias que ameaçam desvanecer-se.
Visto-me e pinto com todas as côres que me ensinou.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

DJ

É uma sensacão estranha, a de que alguém anda a elaborar uma 'play list', de músicas e imagens, propositadamente para mim, ou pelo menos ao meu gosto.
Canções minhas conhecidas de longa data aparecem agora inesperadamente, por vezes cantadas por novos intérpretes. Aparecem novas canções com poemas que invocam memórias ou sentimentos antigos.
De manhã tenho recebido algumas destas surpresas pela rádio Marginal. É bom começar assim o dia. No regresso a casa, quando ligo a televisão, também recebo alguns miminhos.
Alguns destes momentos especiais foram:
1- Na SIC Radical, Neil Young no último show de Conan O'Brien a cantar 'Long may you run'
2- Eric Bibb, no canal Mezzo, cantando 'Don't ever let nobody drag your spirit down' ou 'Pockets'
3- Na Marginal, Lizz Wright cantando 'Thank you' dos Led Zeppelin

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Gatinha mimalha

Antes de recebermos em casa a gatinha Nani, fizemos, como se usa agora, uma pesquisa na net. De entre algumas informações especializadas recordo-me de uma em particular: "os gatos têm uma personalidade de extrema independência, e não gostam de colo".
Então tenho de concluir que a Nani não é um gato. É que ela pede para lhe pegarmos, e adora adormecer a ronronar enroscada no nosso colo.
É verdade que, depois de dormitar algum tempo, levanta-se e vai sozinha para a sua cama. Mas pelos vistos é um bocado mimalha.
Claro que faz tudo isto com uma expressão de fleumática superioridade, como qualquer gato que se preze.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Casinhas de bonecas

Vi ontem um anúncio com crianças bem pequenas entretidas a construir aqueles puzzles coloridos, estampados nas faces de cubos. Quando vi a satisfação e concentração delas no seu mundo mágico recordei a minha própria experiência com brinquedos na infância e compreendi que é a mesma sensação de quando estou a pintar. As minhas amigas de atelier vão conversando animadamente enquanto eu me concentro descontraída, uma mão no bolso da bata e a outra desenhando, uma canção na cabeça que vou trauteando baixinho.
Por isso me anda a saber tão bem.
Poder ser criança aos 50 anos.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Bolo de chocolate da Belinha Gulosa

A Belinha Gulosa é uma das 'petiscólicas' do petiscos.com. Este domingo fiz o bolo de chocolate dela, mas em vez de ficar alto e fôfo ficou abatido tipo 'bolo mousse de chocolate'. Vou dizer como fiz, para que vocês possam optar pelo meu desastre ou fazerem os aperfeiçoamentos devidos.
Derrete-se uma tablete de chocolate de culinária 200g - (eu usei Pingo Doce) da qual retirei duas filas para a cobertura - com 125g de margarina Becel clássica.
Entretanto na batedeira batem-se 6 gemas com 250g de açucar até ficar uma gemada clara.
À parte batem-se as 6 claras em castelo bem firme.
Depois de arrefecer junta-se o chocolate derretido ao creme de gemas, 100g de farinha self-raising e uma colher de chá de fermento royal, e no fim envolvem-se as claras cuidadosamente.
Vai a forno de 180º durante 45 minutos, em forma redonda sem buraco untada de margarina e polvilhada de farinha.
Depois de desenformado cobre-se com um creme feito das duas filas de chocolate que se guardou derretidas com uma colher de sopa de margarina Becel clássica e três colheres de sopa de natas frescas.
Se ficar como o meu têm de contar com espaço no prato para ele se 'esparramar'.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Comunicar

Cientistas britânicos e belgas conseguiram desenvolver uma técnica de comunicação com doentes em estado vegetativo por lesões cerebrais.
Monitorizaram através de scanings tipo ressonância magnética a actividade cerebral do paciente. Instruindo-o para imaginar determinado tipo de situação para transmitir a resposta 'sim' ou pensar outro tipo de situação para transmitir a resposta 'não' puderam testar a exactidão das respostas através de questionários de informação autobiográfica dos pacientes.
Este nível de comunicação poderá ajudar na determinação da necessidade de medicação para a dor, por exemplo. Mas também coloca dúvidas sobre a prática até aqui seguida de ser outra pessoa a decidir se deve ser suspenso o suporte de vida de um doente nestas condições. E mesmo se passar a ser o doente a responder que quer terminar o tratamento provavelmente não vai, do ponto de vista legal, poder decidi-lo.
(Fonte: BBC News online)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

'Gestão' de Recursos Humanos - ou a lei do mais forte

Li ontem um artigo que transcrevia uma entrevista a um psiquiatra que tem estudado, com bastante preocupação, os recentes casos de suicídio nos locais de trabalho. Falava por exemplo no caso da France Telecom, mas também em outros casos em pequenas empresas. Dizia ele que esses suicídios encerram uma brutal mensagem. Reflectia nas recentes estratégias de avaliação individual e ausência de avaliação de equipa, apreciação dos resultados quantificáveis do trabalho desenvolvido e não do próprio esforço desse trabalho.
Falava de como a adopção destes métodos tem coincidido com o aumento de baixas ligadas a doenças mentais. De como pode ser fomentado o medo num grupo de pessoas através do assédio a um elemento desse grupo.
A dada altura afirmou ter acompanhado o caso de uma mulher que tinha pertencido a um grupo de gestores em formação específica de gestão. No início da formação cada participante fora presenteado com um pequeno gatinho, e durante as seguintes sessões trocavam impressões sobre a relação que iam estabelecendo com o seu gatinho. No final da formação foi-lhes ordenado que matassem o seu gato. A mulher recusou-se e ficou doente; os restantes participantes executaram a tarefa.
A mim não me surpreendeu. No meu percurso profissional já tive oportunidade de assistir e conviver com comportamentos que não têm a ver apenas com a formação que então nos é dada, mas antes manifestam o que ao longo da vida desenvolvemos dentro de nós, em vários aspectos incluindo o relacionamento com os outros.
Costumo até dizer que já na escola primária as diversas personalidades, apoiadas não só em skills mas também em regras e princípios que são intrínsecos a cada indivíduo, determinavam o lugar na 'cadeia alimentar' ...
Desconhecendo eu até aqui que há mesmo 'cursos de matar gatos' ...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Gata 5 estrelas

A Nani fez este fim-de-semana duas viagens de duas horas e meia. Só começou a miar ao fim de duas horas, e na viagem de regresso miou ao princípio porque estava mal instalada na sua 'gaiola'. Os miados nesse regresso ao fim de duas horas podiam muito bem ser comentários apreciativos das luzes das portagens e da ponte. Nunca pareceu desesperada, apenas interrogativa.
Portou-se lindamente.
Entretanto a Dona Tartaruga já saiu do seu esconderijo de hibernar e passou o fim-de-semana no seu aquário na varanda. O tempo já não está tão nublado, até já há um solinho quentinho. Começou a comer, ainda sem grande apetite.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Saramago e Deus

Tenho uma tese muito minha sobre a relação de Saramago com Deus.
É preciso lembrar que, segundo um artigo que li algures, Saramago é aquele autodidacta em estado puro que pensou que os heterónimos de Fernando Pessoa eram diversos escritores reais. E é preciso ter assistido àquela entrevista em modelo de frente-a-frente com um estudioso franciscano, em que se notou o enorme respeito que Saramago tem pelas questões religiosas quando confrontado com um 'homem de Deus'. Só faltou pedir a absolvição dos seus pecados, e fá-lo-ia desde que não fosse obrigado a ajoelhar.
A minha tese é de que Saramago perante Deus é como uma criança, a mais ingénua e inocente das crianças, que ouve falar em milagres e logo tem esperança de assistir a um milagre para si próprio. E vai provocando Deus na esperança de que isso aconteça.
É isso, em meu entender, que Saramago procura: ser agraciado com um milagre dirigido aos seus mais íntimos anseios, e que possa ser testemunhado pelo mundo inteiro.
Defendo que isso para ele seria mais importante ainda que o Prémio Nobel.