Tenho andado às voltas com uma situação enervante: a Conservatória 'deslocalizou' o meu registo de nascimento. Numa ocasião em que foi necessário não o conseguiam encontrar. Estava aparentemente perdido. Eu virtualmente não existia.
A minha Mãe socorreu com dados constantes nas suas eternas agendazinhas de factos. Foi preciso que eu me lembrasse que no meu casamento tinha tirado uma certidão de nascimento, obrigatória para o processo. Através do livro físico em que constava esse registo de casamento, localizado através de data e nome do marido, foi possível descobrir que o meu registo de nascimento tinha sido migrado deficientemente para "o novo sistema", constando agora dos dados de outra pessoa.
Claro que este episódio me transportou à aventura daquele funcionário de uma Conservatória obcecado com a vida de uma mulher constante dos 'seus' registos, que José Saramago escreveu nos anos 90.
O assunto mostrou-se tão moroso de resolver, que comecei a temer pela minha integridade mental por pensar obcecadamente nas oportunidades de fraude associadas a esta situação.
Depois de um mês e picos de diligências, na sexta-feira passada, 18 de Junho de 2010, data de aniversário do meu casamento, data da morte de Saramago, parece que o meu assunto ficou resolvido.