segunda-feira, 19 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Mensagem 202

O próximo post será talvez o último, com uma foto do mais recente quadro acabado este mês.
"Finito !".
"Caí das nuvens".
"Dei com os burrinhos n'água".
"Canto bem mas não os alegro".
"Não consegui prender a audiência".
"Os pensamentos ocorrem segundo a vida que se leva".
Mas pode acontecer que seja eu que precise mais do blogue do que ele precisa de mim.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Usurpação do poder ? Golpes de Estado ? Pfff ...


A varanda agora é da Nani.
Sim, a Nani agora tem uma varanda, e tem lá uma tartaruga, e tem umas plantas, umas cadeiras, e tem um aquário de tartaruga com uma água deliciosa (não? não porquê ? a água de aquário é boa para alternar com a água limpa que também tem na sua varanda !) .
E pode subir ao muro quando lhe apetece, é claro, embora esteja sempre a ser retirada de lá pelos donos (pfff, donos de quê ?) .
Nem todos os gatos têm uma varanda com uma tartaruga !

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Volumetria


A gata Nani partiu um prato.
Não foi porque seja desastrada. Aquele prato estava lá desde antes de ela chegar a nossa casa, ela já tinha saltado para perto dele algumas vezes e não tinha acontecido nada.
O problema terá sido que ela esteve algumas semanas sem se aproximar do prato. Foi comendo e crescendo, aumentando de abrangência, e quando ontem saltou para aquele lugar tão agradável em cima do armário, atrás do vaso da avenca e do tal prato de exposição, já não cabia lá ...

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Areia

Os meus sonhos desta noite foram rematados por uma imagem em jeito de interrupção em câmara lenta: a minha mão e um pincel embebido em tinta verde, a pintar dunas de areia dourada cortadas por ervas ao vento, imagem que ocupava todo o meu campo de visão, e possuia movimento.
(A Nani acordou-me entretanto para eu ir abrir a porta da varanda à Dona Tartaruga, que batia insistentemente, a ponto de chamar a atenção da gatinha.)
Estou a tentar arrancar da imagem do sonho uma composição para um quadro.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Umas festinhas no ego, que 'tá um pouco em baixo


Porque no fundo, uns mais outros menos, eu até costumo gostar dos quadros que pinto, chame-lhes eu sempre 'bonecos' infantis.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

"Todos os nomes"

Tenho andado às voltas com uma situação enervante: a Conservatória 'deslocalizou' o meu registo de nascimento. Numa ocasião em que foi necessário não o conseguiam encontrar. Estava aparentemente perdido. Eu virtualmente não existia.
A minha Mãe socorreu com dados constantes nas suas eternas agendazinhas de factos. Foi preciso que eu me lembrasse que no meu casamento tinha tirado uma certidão de nascimento, obrigatória para o processo. Através do livro físico em que constava esse registo de casamento, localizado através de data e nome do marido, foi possível descobrir que o meu registo de nascimento tinha sido migrado deficientemente para "o novo sistema", constando agora dos dados de outra pessoa.
Claro que este episódio me transportou à aventura daquele funcionário de uma Conservatória obcecado com a vida de uma mulher constante dos 'seus' registos, que José Saramago escreveu nos anos 90.
O assunto mostrou-se tão moroso de resolver, que comecei a temer pela minha integridade mental por pensar obcecadamente nas oportunidades de fraude associadas a esta situação.
Depois de um mês e picos de diligências, na sexta-feira passada, 18 de Junho de 2010, data de aniversário do meu casamento, data da morte de Saramago, parece que o meu assunto ficou resolvido.

domingo, 20 de junho de 2010

O homem só conheci em sonho

Durante muitos anos fui uma leitora de não repetir leituras. Ler pela segunda vez um livro não tinha interesse para mim porque a surpresa já não estava lá.
Fi-lo, no entanto, pela primeira vez com 'Todos os nomes', de José Saramago. E repeti a experiência com 'O memorial do convento' e depois com alguns livros de outros autores. Aprendi então que numa segunda leitura podem descobrir-se pormenores que não foram evidentes na primeira.
Saramago tinha entretanto passado a ser um bom estímulo mental, pois de x em x meses editava um novo livro, e assim uma nova surpresa esperava por mim.
Os seus livros têm um quê de raciocínio pelo absurdo, provam que temas já tão correntemente e previsivelmente tratados podem ter uma abordagem nova e inesperada: a história, o amor, o quotidiano, os Evangelhos, o insólito, a morte.
A sua escrita é uma filigrana de bom gosto, leve e rica, tão carregada de personalidade que penso que só poderia ser escrita na idade e experiência que Saramago já tinha. Isso infelizmente representou que mais cedo na minha vida perco a fonte de um importante quinhão das minhas leituras.
O primeiro exemplar de 'Caim', que comprei na Bertrand do Chiado no outono passado, e que só pude começar a ler este mês, tinha as páginas 36 e algumas seguintes distorcidas por erro de impressão, e fui trocá-lo para poder saborear o resto da prosa que estava a ler entusiasmada. Soube agora que antes de morrer Saramago deixou escritas as primeiras 30 páginas de um novo romance.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Nani malabarista


A nossa gatinha está a tornar-se exímia no manejo de bolinhas de papel de chocolate.
Atenção, só o papel, porque parece que o chocolate em si pode provocar nestes animais um ataque cardíaco.
Para além de perseguir sózinha, a alta velocidade, qualquer dessas bolinhas, o que deixaria perplexos muitos jogadores de futebol a quem a bola só atrapalha a corrida (...), também faz defesas em voo como o melhor guarda-redes da actualidade.
Temos de descontar aqueles acidentes de percurso, em que ela vai contra portas ou outros objectos, tão concentrada que está no percurso da bolinha ...
Ontem conseguiu, em movimentos que incluiam contorcionismo apoiada nas patas traseiras, dominar apenas com a 'mão' direita uma pequena bolinha prateada !
Estou mesmo preparada para que, um dia destes, pegue em 3 ou 4 bolinhas e faça um número de malabarismo invejável.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Outro bolo de yogurte

Sempre senti uma pedra no sapato por o bolo de yogurte ter de levar óleo. Esta semana surgiu uma receita de bolo de yogurte sem óleo, que saiu um bocado maçuda, e então adaptei as quantidades numa experiência que acabou por dar certo.
Bati muito bem com a máquina dos bolos 3 ovos com duas chávenas de chá mal cheias de açucar. Juntei dois yogurtes Danone Cremosos naturais açucarados, raspa da casca de um limão, uma colherinha de açucar baunilhado, e finalmente uma chávena de chá de farinha self-raising e uma colher de chá de fermento em pó Royal.
Deitei a massa - que fica um bocado para o líquido - numa forma de buraco untada de margarina e polvilhada de farinha, e esteve no forno uma hora a 180º.
Um bolo bom para acompanhar um chá.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Rosbife da Avó

Nem toda a gente terá coragem para assistir ao esturricar de margarina que esta receita envolve. O preço da carne também está de fugir, pelo que deverá avaliar bem se quer fazer esta experiência. A fazê-la, deverá concentrar-se bem na sua tarefa.
Mas quem conhece o resultado final - em princípio todos os filhos e netos da Avó - sabe que estou a falar de um 'must' ...
Pomos um pedaço alto de lombo de vaca, inteiro, aí entre 1,2 a 1,5 Kg, numa tigela temperado com sal, alho picado, um ramo de salsa, meia garrafinha de vinho branco seco, e duas gotas de piripiri, durante pelo menos 2 horas. Pode picar-se a carne com um garfo longo em dois ou três sítios para entranhar melhor a marinada, tapar a tigela com papel transparente e pôr no frigorífico..
Derretem-se umas 4 colheres de margarina numa frigideira anti-aderente, em lume médio. Quando a margarina estiver a fervilhar, põe-se o lombo de vaca inteiro a fritar, e vai-se virando à medida que vai ficando bem corado. Quando a margarina começar a esturricar, comece por juntar um pouco mais, e quando achar que já tem gordura suficiente vá acrescentando colheradas da marinada, e continue a virar o lombo. Para um pedaço deste tamanho levará cerca de 35 minutos a obter o ponto desejável, que pode verificar com um golpe fundo na carne: ela deverá estar mal passada por dentro mas de forma a já não sangrar.
Nessa altura tire o pedaço de lombo, junte à gordura esturricada o resto da marinada e meio copinho de leite, deixe fervilhar mexendo e coe, para servir o lombo fatiado com este môlho à parte e o acompanhamento que preferir.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Encontro

Numa casa rústica talvez da Serra da Estrela, de pedra e madeiras escuras, tendo chegado lá depois de atravessar caminhos sinuosos à beira de abismos como os dos contos de fadas da minha infância, ao mesmo tempo assustadores e maravilhosamente mágicos, encontrei-me com José Saramago. Velavam silenciosamente o nosso encontro algumas pessoas queridas da minha vida. Depois de eu tentar explicar-lhe de forma incompreensível e teimosamente inconclusiva a minha tese sobre a sua relação com Deus, ele pegou-me na mão com as suas mãos suaves e sábias e ficámos assim, de mãos dadas, como já me fizeram algumas pessoas de quem gosto e que dessa maneira me demonstram o seu carinho.
Mais um sonho, é claro.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Amigas

Dona Tartaruga atravessou a sala disparada, ao fim do dia, seguida da gatinha Nani, que saltitava curiosa, umas vezes a uma distância segura, outras vezes saltando por cima da carapaça.
Não digo que sejam grandes amigas, mas acompanham-se com tolerância e desportivismo. Quando estão na varanda, Dona Tartaruga desfruta pachorrentamente dos seus prolongados banhos de sol, em cima de umas pedras quentinhas. Enquanto isso a despistada Nani vai por vezes encostar-se a ela, nariz com nariz, nos intervalos de perseguir moscas e de se pendurar perigosamente no muro por onde passam em voos razantes algumas andorinhas.
É difícil explicar à Nani que a água do aquário não se bebe, e que os camarõezinhos não são alimento de gatos.


quarta-feira, 12 de maio de 2010

Viagens

Não tenho muito jeito para viagens.
Cá em casa somos um pouco descuidados em relação a Geografia e História, e pouco rigorosamente preparámos as pequenas viagens europeias que já fizemos.
Assustam-me viagens de avião que durem muito mais que duas horas, é tempo suficiente para pensamentos de dúvida sobre a infalibilidade do voo de uma geringonça tão pesada.
Descobri agora as viagens interiores de pintura. Viagens ao meu 'eu' ingenuamente confiante nas côres e formas das paisagens que passo para as telas de formatos variados. Passo horas fora de tudo, e ao mesmo tempo inspirada por tudo.
Viajo em dimensões diferentes da distância e do tempo.
Só é pena não poder fazê-lo com mais frequência.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Madrugadoras


Estou agora muito mais madrugadora do que em outros tempos. Não me custa tanto levantar-me cedo porque a gatinha Nani acompanha-me desde logo.
Começamos por ir à cozinha encher o seu pratinho de ração e a tigela de água fresquinha. Eu aproveito para beber a minha caneca de leite morno.
Depois ela faz de guarda-costas enquanto eu tomo banho, isto se não se distrair com alguma coisa nova que lhe suscite curiosidade.
Vai afiando as unhas e espreguiçando-se enquanto eu me visto.
Fica a tomar conta da casa quando me despeço dela.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Madrugada vermelha


Numa das passadas manhãs de Fevereiro fui surpreendida por um céu bem vermelho. Já tinha visto aquelas côres em quadros de um pintor amigo meu, mas pensava que era tudo imaginação dele.
E não é. Já dizia nos azulejos daquela capela "Madruga e verás/(...)".

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Esparguete de legumes

Recorro agora muitas vezes a este prato. É simples de fazer.
Cubro o fundo de uma sertã anti-aderente com um bom fio de azeite. Corto diversos legumes tais como alho francês em rodelas ou cebola picadinha, raminhos pequeninos de bróculos, cubinhos de nabo, cubinhos de tomate, cubinhos de courgette, cubinhos de cenoura, os legumes que tivermos em casa partidos pequeninos para demorarem pouco tempo a guizar. Acrescento umas gotas de água para não fritar. Também ponho por vezes um peito de frango ou bifinho de perú também aos cubinhos.
Tempero de sal, môlho inglês, sumo de limão, orégãos. Por vezes junto uma colher de sobremesa de polpa de tomate.
Tapo para reter bem os sucos dos legumes.
Entretanto cozo esparguete ou macarrão 'al dente', e por fim junto a massa aos legumes na sertã e misturo bem. Sirvo bem quente.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Nani alpinista ...

... ou "aquelas coisas que as donas de gatos não avisam umas às outras ... ".
A Nani descobriu este fim-de-semana que é capaz de dar um grande impulso de metro e picos, de baixo para cima, para aterrar com segurança no topo dos armários cá de casa.
Deixou para depois resolver o problema de como descer ... alguma coisa se há-de arranjar. E lá foi resolvendo os obstáculos, salto a salto.
O vaso da avenca, tão 'mastigado' enquanto esteve cá mais para baixo, tinha recuperado depois de colocado bem alto (pensávamos nós) em cima do armário da sala. Está agora de novo ao alcance do apetite da Nani por caules fininhos, bons para roer.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Novo projecto


Não tenho pintado grande coisa ultimamente, mas continuo com bastantes projectos, uns começados já, outros ainda em esboço, como este 'fundo do mar'.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Quando a minha Mãe me chama por todos os nomes das filhas até finalmente chegar ao meu

Hoje aconteceu uma coisa curiosa.
Um colega meu, que fala comigo praticamente todos os dias, e me cumprimenta sempre pelo meu nome, quis referir-se a mim, dirigindo-se a outra pessoa à minha frente, e ficou a olhar-me, sem se conseguir lembrar de como eu me chamo, um sorriso cansado estampado no rosto.
Foi uma sensação estranha, surpreendente.
Foi como se o meu nome estivesse tão interiorizado no seu espírito que quando o invocou conscientemente não o conseguiu reconhecer.
Como aquelas situações em que a resposta é tão formal que duvidamos dela.
Não sei se foi o que ele sentiu, mas a mim não me desagradou.

Poder voar

O lixo pesa.
Sentimentos negativos prendem-nos ao chão.
Deitem fora ressentimentos, inseguranças e invejas.
Infelizmente já tive a minha parte.
Partilhem alegrias e amizade, preservem a felicidade.
Acompanhem-me num voo leve e silencioso, bem alto na noite, por sobre as luzes alaranjadas da cidade.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Lisboa, destino turístico 2010


Pela manhã dirigi-me ao Chiado, para comprar um pequeno cavalete na Corbel do Largo de Camões, e reparei melhor nos desenhos polidos dos passeios em calçada portuguesa, as estátuas pitorescas a marcar a história da cidade. Percebi que finalmente foi descoberto o nosso bem guardado segredo.
Esta cidade mal tratada por alguma modernidade de mau gosto consegue manter alguns cantinhos de grande dignidade, que nos provocam um brando arrepio de um prazer pessoal. Apesar disso temo pela futura perda de belezas tão simples que podem escapar à estima de quem tem o poder de zelar pela cidade.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Os Três Porquinhos ou a Alice no País das Maravilhas

Até os contos infantis nos preparam para aceitar a existência inevitável de figuras malvadas que nos atrofiam a vida.
Somos ensinados a confiar em golpes de sorte ou soluções miraculosas, que só acontecem aos mais dóceis, honestos e generosos, e que só no extremo da agonia destroem as tais personagens.
Talvez sejam excepção aquele porquinho prático, que coloca um caldeirão a ferver à espera da intrusão do lobo mau, ou aquele menino manhoso que escolhe um ossito para simular magreza à canibal bruxa míope.
Também pode ser que me tenham escapado alguns contos mais didácticos.
De resto não me lembro de ter aprendido dicas úteis de como superar os génios do mal no seu próprio jogo.
O caldeirão a ferver não é muito prático no mundo real.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Os mimos dos amigos são 'o que se leva desta vida'

Ontem o meu médico, normalmente tão parco em palavras, muito reservado sem deixar de esclarecer sempre as minhas dúvidas médicas, reparou que eu tenho agora 50 anos. Retorqui de imediato: "- ... mas não me sinto !". A partir daí decorreu uma conversa longa, arrisco a classificá-la como de velhos amigos, em que ele, agora com 62 anos, apoiou a sensação, embora referisse algumas coisas que agora são para ele diferentes.
Para além daquilo que inevitavelmente envelhece no corpo, abandonou alguns planos como o de vir a ter um monte no Alentejo. Não corre para o autocarro, o que lhe fiz notar que se trata de uma questão de atitude ... Canaliza mais energia para projectos de curto prazo como viagens, que lhe dão muito gozo arquitectar.
O que mais estranha é a tal sensação de que já aqui falei, de que tem memórias já tão distantes, e em tão grande quantidade, que quase não parece possível serem dele.
Aprendeu a não se arrepender das suas decisões de vida, pois as alternativas não podem nunca ser certificadas em paralelo. Aprendeu também a aguardar o auxílio do tempo e do esforço para aquilo que numa análise precipitada pode parecer irremediável.
Confessou-me que receava que apenas tivesse mais dez ou quinze anos pela frente, e por isso referi-lhe o caso do meu Pai, que lhe alarga esse prazo para o dobro.
E de saída agradeci-lhe a atenção, para o fazer reparar que tem agora mais disponibilidade para dedicar a uma paciente que o consulta há perto de uns bons 30 anos.

terça-feira, 23 de março de 2010

Tejo no meu caminho



Árvores sem folhas e bancos sem gente. Estavam a fazer falta uns diazinhos mais amenos para voltar o movimento saudável à beira do rio. Entretanto lembrei-me se conseguiria pintar a margem com uma vista da ponte. E saiu este desenho. Vai ser uma aventura difícil.