Hoje o metro de Lisboa só começou a trabalhar lá pelas 11h da manhã. Como o dia acordou soalheiro, muitos lisboetas se aventuraram a deslocar-se a pé para os seus locais de trabalho.
Actualmente mais treinados pelos passeios a pé em períodos de lazer, nas diversas áreas de costa marítima ou fluvial, os lisboetas conseguem encarar com mais optimismo as adversidades das greves de transporte. Passaram da aflição do 'chegar lá a tempo' para a resistência consciente do 'ir andando para lá chegar dentro de cerca de uma hora'. Claro que para percursos maiores ou horários mais apertados a coisa não é tão pacífica ...
Também não ajudam alguns factores negativos dos tempos que correm : os transeuntes que ainda fumam à nossa frente no caminho, e a visão de uma cidade desfeita em prédios entaipados de tijolo nas janelas meio destruídas, grafitis a maior parte das vezes nada inspirados, lojas de produtos de fraca qualidade que invadem espaços que outrora respiravam glamour, muitas caras fechadas em sofrimento contrastando com o teimoso sorriso dos mais jovens.
Mas a mim soube-me bem recordar e voltar a seguir os passos de alguns Fernando(s) Pessoa(s).
Valha-nos esse teimoso sorriso dos mais jovens.
