quinta-feira, 17 de março de 2011

Uma gracinha para a Ritinha



Marcador edding 3000 preto sobre tela branca de algodão 24cm x 30cm. Uma encomenda da Mãe da Ritinha.

Tudo feito num fôlego de concentração depois de pesquisa de materiais nas lojas de artes plásticas e decorativas, que culminaram numa solução simples que dependia totalmente da firmeza da mão e de um momento feliz. Acção precedida de alguns desenhos preparativos em papel e de muita ansiedade e expectativa sobre o efeito final.

O desenho é simples, mas fazê-lo pela primeira vez sobre uma tela de boa qualidade praticamente 'sem rede' é assustador.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Em terra de cegos ...

1. Num Portugal de cegos-surdos-mudos, políticos ou empresários que nem sequer têm um olho são reis.
2. Há infraestruturas pesadas desertas e abandonadas porque se gasta mais em projectos desproporcionados de poucos do que se investe no trabalho necessário a muitos.
3. Faz-se mais por um magro subsídio de desemprego em inactividade do que por um rendimento limitado trabalhando na produção agrícola ou pesqueira de pequena escala.

terça-feira, 15 de março de 2011

Reflexões de uma idiota

(Lá por casa dos meus pais um idiota é uma pessoa que pensa muito e por isso tem muitas ideias, independentemente de serem válidas ou não)
1. O proteccionismo (seja lá em que sentido fôr) só é mau para os especuladores de mercado - veja-se a presente agitação para acabar com a golden share do estado português sobre a EDP.
2. A inflacção em Portugal só não é mais alta porque a maioria dos produtos hoje em dia transaccionados tem muito menos qualidade que noutros tempos.

Footing

Hoje o metro de Lisboa só começou a trabalhar lá pelas 11h da manhã. Como o dia acordou soalheiro, muitos lisboetas se aventuraram a deslocar-se a pé para os seus locais de trabalho.
Actualmente mais treinados pelos passeios a pé em períodos de lazer, nas diversas áreas de costa marítima ou fluvial, os lisboetas conseguem encarar com mais optimismo as adversidades das greves de transporte. Passaram da aflição do 'chegar lá a tempo' para a resistência consciente do 'ir andando para lá chegar dentro de cerca de uma hora'. Claro que para percursos maiores ou horários mais apertados a coisa não é tão pacífica ...
Também não ajudam alguns factores negativos dos tempos que correm : os transeuntes que ainda fumam à nossa frente no caminho, e a visão de uma cidade desfeita em prédios entaipados de tijolo nas janelas meio destruídas, grafitis a maior parte das vezes nada inspirados, lojas de produtos de fraca qualidade que invadem espaços que outrora respiravam glamour, muitas caras fechadas em sofrimento contrastando com o teimoso sorriso dos mais jovens.
Mas a mim soube-me bem recordar e voltar a seguir os passos de alguns Fernando(s) Pessoa(s).
Valha-nos esse teimoso sorriso dos mais jovens.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Gandhi

Nem mais a propósito do meu post anterior, li hoje numa publicação online uma citação de Gandhi : " ... existe Terra suficiente para as necessidades de todos, mas não existe Terra suficiente para a ganância de todos ...".

sexta-feira, 11 de março de 2011

Portugal dificilmente agrícola

Tenho-me sentido cada vez menos prudente por não assegurar um pedaço de terra para criar parte dos alimentos necessários à família, e quem sabe também como pequeno comércio de subsistência. Os novos indicadores de subida do custo dos alimentos, e dos efeitos da sua escassez em algumas regiões do mundo deveriam inspirar o tal 'sobressalto social' de que falou o PR. Acredito que, como filho de família humilde, ele pense no mar e nas pescas com a mesma sensibilidade pueril com que eu penso numa quinta familiar. Mas talvez não.
Pelo que ouvi em algumas reportagens, a quem não tem terrenos agrícolas no património da família os custos para os adquirir e explorar não permitem retorno em prazo razoável, e ai estará um dos problemas da agricultura em Portugal.
Resta saber se há terrenos ainda desperdiçados que poderiam ser cuidados e aproveitados.
A mim as notícias deixam-me receosa, e sinto pena que a minha formação não inclua conhecimentos sobre agricultura, rotação de culturas agrícolas e exploração sustentada de terrenos, fertilização de solos segundo as culturas escolhidas, adequação de árvores frutícolas e dimensionamento de pomares, armazenamento e conservação de produtos da terra, que me permitam realmente pesar os riscos e custos de uma mudança de modo de vida.
É claro que estamos sempre a tempo de aprender, e há quem se atire ao futuro de cabeça ...

quarta-feira, 9 de março de 2011

quarta-feira, 2 de março de 2011

Bruxa má

Durante uns poucos de anos partilhei o gabinete de trabalho com um colega pouco falador. O que nos juntou naquele gabinete foi o facto de sermos os últimos fumadores da nossa área de trabalho, e depois de eu deixar de fumar em 2002 nem isso já justificava o arranjo. Não tinhamos nada em comum, nem projectos de trabalho nem interesses de lazer.
As visitas e convidados eram escassos, e o ambiente musical deixou de me agradar ao fim de uns anos de muitos decibéis, numa playlist repetida à exaustão.
O meu colega acabou por mudar agora de gabinete e de área de trabalho, mas continuo a sentir-me uma habitante temida de uma qualquer casinha de chocolate, a evitar pelas crianças mais sensatas.
Ou seja, o mal está mesmo na bruxa má, e não na casinha de chocolate ou no seu DJ.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Osso buco

Há algum tempo que não fazia este prato, desde que apareceu a história das vacas loucas. Mas a minha Mãe insistiu algumas vezes e aparentemente o perigo já passou. Neste sábado voltei a preparar aquela que a minha Mãe considera uma deliciosa refeição.
É uma adaptação de uma receita da Mª de Lurdes Modesto, mas nada de alho, nada de caldo de carne, nada de aipo.
Começo por passar as rodelas de osso buco por farinha. No fundo da panela de pressão derretem-se umas colheres de margarina e alouram-se as rodelas. Retiram-se para um prato, cuidadosamente para não 'fugir' o tutano. À margarina junta-se um fio de azeite, um alho francês cortado às rodelas, bastante tomate maduro cortadinho, sem pele nem grainhas, e cenoura aos quadradinhos. Refoga ligeiramente, colocam-se em cima as rodelas de osso buco, tempera-se de sal e rega-se com um caldo knorr de galinha desfeito num grande copo de água aquecida, e também um copo de vinho branco.
Fecha-se a panela de pressão e deixa-se cozinhar em lume brando, depois de levantar fervura, durante 50 minutos.
Serve-se com tagliatelle cozido.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Panados de perú no forno

Tudo o que substitua coisas fritas em óleo a alta fritura tem a minha adesão. Vai daí resolvi adaptar uma receita de panados no forno.
Para uma embalagem de 5 bifes de perú utilizei um ovo, sal e sumo de limão, parte de uma embalagem de queijo emental farripado e pão ralado.
Tempera-se os bifes com o sal e o sumo de limão, besunta-se um pirex amplo com um pouco de azeite, passam-se os bifes pelo ovo batido e por uma mistura de queijo e pão ralados, dispôem-se no pirex e vão ao forno de 220º cerca de 40 minutos.
Acompanha com um arroz de tomate malandrinho, que começa por um refogadinho de azeite, cebola, tomate e uma folha de louro, junta-se uma porção de arroz agulha lavado, o dobro e mais um pouco de água, polpa de tomate e sal. Coze em lume muito brando.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Nani posição yoga


Após momentos de grande alegria, correrias, cambalhotas, arranhadelas e mordidelas, a Nani, já estoirada, encontrou agora uma posição muito engraçada, de costas no tapete e barriga e patas para o ar, chegando a fechar os olhos de tão descontraída e feliz.
Diz-me a minha amiga Bi que estará a fazer yoga, que a sua cadela também faz yoga dessa forma.
Eu facilmente me rendo aos conhecimentos de especialista da Bi, até porque foi ela que ofereceu a Nani, e também porque tem sempre uma visão muito zen das coisas da vida, humana e animal.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Nani judoca


"As minhas cambalhotas bem tiradas é que deixam os meus donos maravilhados.
Na verdade, não é nada de mais. Qualquer judoca que se preze aprende a cair desta maneira. Para mim é uma diversão e provoca a atenção dos presentes, que me mimam com muitas festas, alguma luta de punhos, cócegas e risadas."

domingo, 30 de janeiro de 2011

As investigações da Nani

"Tinha umas asas de Anjo, mas via-se bem que não era um Anjo. Tinha um corpo de formiga gorda, mas também não era uma formiga. As patas eram finas e compridas como as de um aranhiço, mas eu sei bem como são os aranhiços.
Apanhei-a quando pousou nas orquídeas do filhote-de-dono, e levei-a para dentro para prosseguir as investigações.
Foi um alvoroço !
Dizia o dono : - Não Nani, isso não se come !
E o filhote-de-dono : - Nani, coitadinha da borboleta !
Bem, então era uma borboleta. Estava a fazer-se de morta, porque assim que o dono lhe pegou e a levou para a varanda, saiu a voar da sua mão, e nunca mais a vi."

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Praia dos 3 irmãos, Alvor



Depois de tirada a fotografia, notei que ainda tenho de retocar os escuros ao fundo ...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

A ocupação dos Anjos (3)

O desenho provavelmente não vos consegue transmitir a estonteante beleza do início do pôr-do-sol de ontem. Além do traço ser desajeitado, falta-lhe o brilho em vários dos tons que pintavam o céu, em leves neblinas e no cobertor de nuvens esfarrapadas. O Sol escondido queimava as nuvens acima mas punha um tom de salmão suave e brilhante na neblina em baixo.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A ocupação dos Anjos (2)


De certa forma ultrapassei a cerimónia que fazia com as côres. O pouco à-vontade teve origem nas minhas frustrações com o guache azul do desenho de liceu. Sempre procurei um azul mais próximo do tom do céu, mas nunca o consegui 'arrancar' a partir do guache. Agora, depois de ter acesso ao azul cerúleo do óleo, encontrei as côres customizadas do 'paint'. Muito reconfortante.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A ocupação dos Anjos



Em cada manhã, um novo céu. O de hoje com uma camada de nuvens debruadas pela luminosidade do sol nascente, passando mais à frente a um nevoeiro cerrado.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

A magia dos números

Nunca pensei em ter mais de cinquenta anos. Não que achasse que não durava mais que isso, mas simplesmente não me conseguia imaginar a somar números acima de cinquenta. Viveria sempre com cinquenta a partir daí.
Pareceu-me sempre um número suficientemente neutro em termos de se ser velho ou novo, nem velho nem novo, um número razoável, redondo, confortável. Meio século. Meia centena.
Pode já saber-se muito mas ainda se ter muito que aprender e experimentar.
Não há nenhum desfecho específico para essa idade, pode esperar-se tudo.
Dá para se ser filha, irmã, tia, prima, esposa, mãe, avó, amiga.
Um número universalista.
Mas cá vou eu já com cinquenta e um. Pronto, mais um mito reformulado.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Reencontros com a infância

Estive umas semanas sem pegar nas pinturas, a fazer coisas muito adultas, muito sérias e responsáveis, e parecia-me que tinha mesmo acabado por perder a capacidade de me encantar com o mundo das tintas, telas e pincéis.
Mas ainda assim, com o incentivo de algumas boas almas, regressei esta semana ao atelier para retomar o quadro que tinha ficado a meio. E lá voltou a sensação de infância, de escola ordenada e amigos de brincadeiras, de concentração maravilhada num projecto que aparentemente não tem importância nenhuma, uma brincadeira de bonecas, mas em última análise é o que me mantém em contacto com a fantasia ao alcance dos dedos.

sábado, 1 de janeiro de 2011

Os bonecos de B

Sexta-feira deixei o meu telemóvel esquecido em cima da minha secretária. Não pude receber nem retribuir os habituais e saborosos votos de Bom Ano ao fim da noite.
Estava um pouco desconsolada, até que me lembrei que o telemóvel está bem acompanhado, pelos pequenos peluches que o meu colega B costumava 'pescar' naquelas máquinas de moeda. O seu método era infalível, só gastava uma moeda. A sua estratégia consistia em estudar qual o boneco que estava em melhor posição de ser pescado, sem ceder à tentação de escolher o alvo pela sua beleza.
O meu colega B já faleceu, bem novo. Disseram que foi de um defeito qualquer no coração. Mas no tempo todo em que tive o prazer de conviver com ele não lhe encontrei qualquer defeito de coração.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Lombo de porco laranja e Porto

Resolvi variar um pouco o tempêro do lombo de porco assado.
O costume é temperar com sal, sumo de limão, môlho inglês, alho picado, pimentão doce em pó e tomilho, azeite e margarina.
Mas inspirei-me no fiambre no forno e temperei o lombo com o sumo de uma laranja doce, sal, um cálice de vinho do Porto, dois cravinhos da Índia que espetei na carne, pimentão doce em pó e gengibre em pó, azeite e margarina.
Como o pedaço de lombo ainda estava meio congelado, esteve duas horas no forno a 160º. Fui regando com o môlho. Se estivesse descongelado talvez bastasse uma hora a hora e meia a 180º.
Uma fatia, com môlho, num pãozinho rústico, é uma delícia !

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010