sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Tia Lilita

Lembro-me como se fosse ontem. O meu Pai pegou no telegrama, e leu em voz alta, entusiasmado:

"- Nasceu Maria João !(STOP)"

Era o primeiro telegrama que me lembro de receber. E pensei, na altura, então é assim que se escrevem telegramas, poupando as palavras. Sim, porque decerto os meus tios queriam dizer mais, muito mais, mas naquele tempo, de Angola para cá, cada palavra representava uma quantia preciosa.

Mais tarde chegou uma foto, a ternura da prima Ana segurando a prima João ao colo.

Esta manhã cedinho recebi um telefonema da Maria João:

"- Olha Miuxa ... a Mãe ... foi ... esta noite, 3 da manhã ..."

Recebi o telefonema no comboio. Segui caminho em gestos automáticos, o pensamento ocupado em desfiar recordações. Quando saí do acesso ao Metro não consegui reconhecer o lugar onde estava. Valeu-me uma colega que me ultrapassou no passeio dizendo "- Bom dia :-)". Voltei ao aqui e agora.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Um forte à beira-mar



Sem foto é um bocado difícil lembrar-me dos detalhes da construção. O que me impressionou na imagem foram os reflexos das iluminações na água. Espero que não fiquem muito desagradados com o traço tosco da 'artista' ...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Bacalhau à Gomes de Sá

Muitos de vós já saberão fazer esta receita, mas a minha intenção nas receitas que ponho neste blogue é em primeiro lugar que o meu filhote saiba como a mãe fazia os cozinhados cá de casa.

Começo por cozer uma posta de bacalhau demolhada, que pode estar congelada. Cozo também uns ovos e umas batatas cortadas aos cubos. Depois de cozido desfaço o bacalhau em lascas.

No tacho de servir, de preferência um inox, cubro o fundo com azeite e cebola em rodelas finas, e se estiver p'raí virada ponho uma folha de louro. Deixo refogar sem queimar, se necessário pondo umas gotas da água de cozer o bacalhau. Quando a cebola estiver macia, junto o bacalhau desfeito em lascas, e deixo ganhar sabor. Depois junto as batatas cozidas aos cubos, os ovos cozidos cortados aos pedaços ou às rodelas, e bastante salsa picada.

Serve-se bem quentinho. Pode acompanhar com azeitonas.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Caldeirada de peixe

Um prato simples e que só suja um tacho, é a caldeirada. Cheguei a fazê-la num pequeno tachinho, só para dois, quando éramos só dois ... Com o passar do tempo fui aperfeiçoando a receita, e hoje em dia fica deliciosa.

Começo, como quase sempre, por cobrir o fundo do tacho com azeite. Em camadas sucessivas ponho rodelas grossas de cebola, de tomate maduro, uma ou duas folhas de louro, tiras de pimento verde, o peixe - que podem ser postas de garoupa ou de raia, ou as duas coisas - sal, batatas às rodelas grossas, sal, e novamente cebola, tomate e pimento, sal.

Ponho em lume brando para começar a suar, e junto um pouco de polpa de tomate, um pouco de água e um cálice de vinho branco. Remato com orégãos, e fica o tacho fechado, em lume brando, a fervilhar até as batatas ficarem bem cozidas. Serve-se imediatamente.

Pode parecer mas não ponho muito sal, ponho é um pouquinho em várias camadas porque nunca mexo o conteúdo do tacho.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mesmo debaixo dos nossos pés

Já ontem à tarde tinha ficado encantada com as côres das folhas caídas no passeio. Lembrei-me de uma foto, mas já estava escuro. Esta manhã fixei alguns pormenores, e resolvi mostrar-vos as côres que pisamos na maior parte das vezes sem a mínima atenção. Espero que também se deliciem.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Foi uma experiência inesquecível, na tarde de ontem

Terminada a sua apresentação da tese de mestrado, em 20 minutos de tempo regulamentar, o candidato a Engenheiro foi convidado a sentar-se à mesa da sala de reuniões onde decorriam as suas provas académicas. A Engenheira arguente "abriu as hostilidades" "atacando" o candidato a Engenheiro. Alguns elementos do público, todo apoiante, faziam um esforço para não trucidar - ou mesmo trincar - a Engenheira arguente. Mas o candidato a mestre Engenheiro manteve sempre a calma, e quando interpelado apresentava explicações seguras e inatacáveis, uma das vezes mesmo referindo máximas das aulas da Professora Presidente do Júri, conhecida pela sua ferocidade nas provas de apresentação de teses de mestrado. Quando chegou a vez dos comentários da Professora Presidente do Júri, ela elogiou alguns aspectos do trabalho e da apresentação, e contribuiu com algumas sugestões de melhoramento do documento. Para rematar, o Professor Orientador da tese pôs algumas questões que deram oportunidade ao candidato de provar o seu domínio da matéria e o valor do trabalho apresentado.

O candidato e o público foram convidados a sair da sala para deixar o Júri deliberar.

Passado algum tempo, que pareceu bastante longo, o candidato foi chamado, e informado de que é agora Mestre Engenheiro, aprovado por unanimidade com uma muito boa nota.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Guerra às almas

Esta manhã, eu e a minha amiga A comentávamos o filme 'A lista de Schindler', e estranhávamos a forma como um número tão elevado de seres humanos puderam ser aterrorizados e exterminados sem que o mundo se apercebesse senão demasiado tarde, instalado já o horror, sacrificadas já muitas almas.

Depois, com o devido respeito pelas diferenças, interrogámo-nos sobre o que está neste momento a acontecer nas vidas de milhões de desempregados, que poderão chegar ao ponto de terem de roubar, ou pior, para poderem dar de comer aos seus filhos. Lembrámo-nos das aldeias recônditas que estão a ser despojadas dos seus meios de assistência médica, sem transportes, na maioria idosos, muitas vezes doentes, votados ao abandono, que poderão mesmo morrer dessas carências.

E assim constatamos a mesma indiferença dos poderosos pela tragédia que recai sobre os mais fracos em vários momentos da História, incluindo a actual.

Projectos, projectos, telas, telas



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Crêpes de atum, massa de Dona Lina, cuscus que tinha na despensa

Para preparar os crêpes peneire a farinha self-raising(125g) com uma pitada de sal para uma tigela, abra um buraco no centro e deite nele um ovo batido, mexa bem, misture metade do leite(metade de 2,5 dl), e deixe repousar uns minutos. Passado esse tempo acrescente o restante leite, mexa bem, obtendo uma mistura aveludada com bolhinhas.

Besunte uma pequena frigideira com pouquíssimo azeite, aqueça bem, e com uma concha de sopa deite a massa inclinando e rodando a frigideira para espalhar bem e leve ao lume. Quando a massa estiver quase seca em cima, solte o crêpe e vire-o com a ajuda de espátulas. Logo que esteja lourinho de ambos os lados retire-o para um prato raso. Mantenha o lume médio para evitar que a frigideira queime os crêpes.

Para o recheio coloque um pouco de azeite numa frigideira e cozinhe nele a parte branca de um alho francês em rodelas e um tomate maduro em pedacinhos, acrescentando uma colherada de água para não queimar, e uma pitada de sal. Quando estiver macio acrescente o cuscus, borrifando com um pouco de água, e deixe cozinhar dois ou três minutos. Desligue o lume e misture o atum de lata 'em azeite', escorrido e desfeito.

Recheie e enrole os crêpes. Poderá acrescentar um môlho de cebola, cenoura e tomate bem cozinhado e desfeito.

Acompanhe com uma salada verde.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Dias assim há muitos, aniversário é só uma vez cada ano


O que eu dava hoje para me encontrar nem que fosse com um chapeleiro maluco, uma lebre de Março e um coelho atrasado. Uma festinha de 'desaniversário' acompanhada de gente interessante, em vez destes dias razoavelmente desinteressantes, em que me dedico a máquinas com problemas existenciais, sem companhia dos meus colegas, porque quase nunca têm tempo e disponibilidade para colaborar.

Mando mails a que não respondem, os meus pedidos ficam por fazer até que eu me disponha a deslocar-me 'à sua beira' quando eles quase nunca podem vir 'à minha beira', enfim, ninguém tem tempo, andam mais atrasados que o coelho da Alice.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Madrinha

Já se tinha despedido de nós há uns anos. Perto dos noventa a doença levou-a de volta às praias da Ilha de Luanda. Os filhos adultos voltaram às traquinices de crianças, e era preciso a todo o momento cuidá-los. Com um ar maroto perguntou-me um dia se já namorava. Não percebi como coordenava no seu pensamento o carinho pelo meu filho adolescente com o regresso ao meu namoro com o meu marido de há tantos anos. Não haverá decerto escala de tempo, quereria porventura preservar juntas as boas recordações com as boas vivências presentes. Manteve sempre uma serenidade feliz, embora fosse doloroso vê-la perder autonomia.

Ontem o seu corpo transformou-se finalmente num precioso e enrugado maço de papel, fininho e leve, todo escrito com as memórias de África e de uma família invulgar.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Estou fascinada



Perninhas de frango, para variar

Certamente conhecem aquela anedota do tipo que fora do seu país só comia feijoada, que era a única coisa que conseguia transmitir ... assim estamos nós cá em casa com as perninhas de frango.

Desta vez cobri o fundo do tacho com azeite, cebola picada, cenoura ralada e tomate partidinho sem pele nem graínhas. Temperei com sal, sumo de limão e gengibre em pó, e tapei para alourar, virando para alourar por igual. Depois de apuradinho, juntei água com açafrão e uma colherada de ketchup, e ficou a cozinhar em lume brando.

Para não variar, servi com arroz basmatti cozido simples.

Num dia de praia, já em Outubro




sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Um fim-de-tarde por aí



Caetano Veloso vem por aí

"(...) Para desentristecer, leãozinho,
o meu coração tão só,
basta eu encontrar você no caminho. (...)"

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Movimento uniformemente acelerado

Num movimento devido principalmente a inércia emocional tudo o que recordo parece vivo. Tudo o que recordo é positivo. Tudo em que me envolvo actualmente parece inóquo. Como uma esfera perfeita lançada num plano sem atrito os meus dias sucedem-se. Dias quase todos bonitos, novas canções de velhos conhecidos, momentos bem passados, a sós ou acompanhada. A esfera, cinzenta, metálica, lisa, perdida a origem, a caminho de um fim, rola desamparada e sem atrito.


quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O bacalhau saboroso da Avó

Reparei que tinha poucas receitas de peixe, e na falta imperdoável de ainda não ter falado dessa maravilha que é o bacalhau que já era feito pela Jó, se não me engano, empregada dedicada e excelente cozinheira da minha Avó.

Pegue em duas boas postas de bacalhau demolhado e coza-as. Entretanto descasque e corte em rodelas grossinhas umas 5 batatas grandes, que vai fritar só loirinhas e pôr a escorrer. Corte uma cebola grande em rodelas, para refogar nela e em azeite o bacalhau desfeito em lascas. Coza uns três ovos. Prepare um molho béchamel com duas colheres de margarina, três colheres de sopa de Maizena e uma boa caneca de leite. Junte ao béchamel um pacote de natas frescas. Tempere com sal, noz moscada e sumo de limão. (Ou então utilize aquele béchamel já feito misturado com um pacote de natas frescas.)

Num pirex comece por pôr uma camada de batatas, o bacalhau com a cebola, outra camada de batatas, os ovos cozidos cortados em rodelas. Regue tudo muito bem com o môlho, se gostar polvilhe com pão ralado, e leve ao forno de 180º para gratinar.

Acompanhe com uma salada de alface, cenoura e beterraba raladas.

A Nani faz hoje dois anos

... e veio dar aqui só um saltinho, como é seu costume quando pretende convidar alguém para umas brincadeiras ao ar livre.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Quando um poema me parece um presente, mesmo não me chamando eu 'Anne'

Depois de ter pensado 'este parece ser o Leonard Cohen, mas a voz é mais leve... vou pesquisar na internet...' na rádio Marginal anunciam "filho de peixe sabe nadar". É Adam Cohen.

http://www.youtube.com/watch?v=V6eYIt2ANQQ

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Avó fazia-os bem melhores ...

Os rojões de porco. Num almoço aqui em casa a Avó deu-me umas dicas de como fazia os rojões. Mas aparentemente não consigo chegar-lhe aos calcanhares ... Mesmo assim não desgosto dos rojões feitos por mim.

Um tacho de inox, o fundo coberto de azeite, um bom pedaço de cebola picada e alho picadinho, uma folha de louro. Corto os rojões em pedaços pequenos, e da última vez não pus entremeada. Tempero a carne com sal e pó de cominhos. A Avó punha umas tâmaras, mas como não uso deitei uma colherada de caramelo líquido. Também não faz parte da receita mas acrescentei uma pitada de gengibre em pó. Sumo de limão. Deixam-se alourar os rojões, soltar os sucos, e então acrescenta-se bastante vinho branco e um pouco de água. Deixam-se cozinhar em lume brando, tacho tapado, até ficarem tenrinhos.

Se achar mais prático, faça tudo isto numa panela de pressão.

Depois sirva com batata e nabo cozidos, ou outro acompanhamento que lhe pareça bem.