terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Ontem cantou-me de surpresa a minha infância

"Au clair de la lune
Mon ami Pierrot
Prête-moi ta plume
Pour écrire un mot
Ma chandelle est morte
Je n'ai plus de feu
Ouvre-moi ta porte
Pour l'amour de Dieu.
Au clair de la lune,
Pierrot répondit :
« Je n'ai pas de plume,
Je suis dans mon lit.
Va chez la voisine,
Je crois qu'elle y est,
Car dans sa cuisine
On bat le briquet. » (...)"

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Dia

Se voltasse a nascer depois de morrer gostava de passar a ser gaivota. Para estar acordada em cada nascer do Sol. Aquecer o peito nos primeiros raios de luz à beira mar. Guardar o silêncio a maior parte do dia. Gritar a alegria de voar.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Avaliação de desempenho e esquema de incentivos

Uma avaliação de desempenho só incentiva quando a avaliação é francamente lisonjeira. Dizerem-nos que apenas nos limitamos a corresponder de forma não surpreendente àquilo que nos é pedido não nos faz regozijar com a nossa prestação e ansiar por nos superarmos no futuro.

Como me diziam hoje mesmo, se todos tivessem uma nota de destaque na sua avaliação, essa nota passaria a ser comum e por isso insatisfatória, e essa lógica levar-nos-ia por um caminho que não acabaria nunca.

Mas eu defendo que a avaliação só incentiva os que se destacam, e que é um exercício de crueldade lembrar-se a quem não se destaca de que não passa de uma pessoa que não se consegue superar.

Por isso, 'esquema de incentivos' my ass !!!

Mais uma invenção que serve objectivos indeterminados e gera muitas frustrações e injustiças.

domingo, 11 de dezembro de 2011

"L'amour est un oiseau rebelle"

Agora é que eu percebi. A minha primeira visita à Aula Magna estava guardada para ser um momento inesquecível e especial.

Por várias vezes estiveram anunciados concertos de artistas de quem gosto, mas nunca me empenhei em levar ávante os meus gostos. Finalmente ontem, em combinação com a Bi, fui à Aula Magna ouvir a orquestra juvenil, com a participação do seu filhote violoncelista.

Desde aqueles cantinhos brancos das páginas das partituras do coro, que pareciam voar em bando sobre o fundo preto dos seus fatos, passando pelo maestro impecável de madeixas brancas rebeldes, o profissionalismo de todos os intervenientes, incluindo as vozes dos solistas, e o reportório de Mozart e Bizet, tinha tudo estado guardado estes anos todos de hesitação para me levar a um momento de rara beleza.

Está bem, eu sei que aquele momento não foi feito expressamente para mim, mas eu felizmente estive lá.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

As orquídeas de um Professor de latim









Devo dizer, em abono da verdade, que as obras da 'artista' ficam um bocado aquém da beleza real das orquídeas cultivadas pelo ilustre Professor, já com seguidores dedicados.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A fada-madrinha das lágrimas

Houve tempos em que as lágrimas eram o meu único escape para algumas angústias próprias da juventude. Nessas alturas eu tinha uma fada-madrinha que me consolava deixando-me chorar, em gestos iguais aos que faço agora para confortar a Nani enrolada nos seus sonos preguiçosos.

Hoje em dia as lágrimas surpreendem-me em momentos incoerentes, deixando-me sem jeito frente a interlocutores impressionados com a desproporção dos sentidos, mas secando completamente nos momentos em que é suposto prestarem tributo à tristeza.

A fada-madrinha das minhas lágrimas deixou-me com este jeito desajeitado de chorar.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Reflexões de uma idiota : Quantos pepinos vale um BMW ?

Isto só lá vai quando se conseguir pagar um BMW com meia dúzia de caixas de pepinos. As cotações estão muito desequilibradas. Se não, vejamos : até agora o pessoal que cultivava pepinos tinha como objectivo último comprar um BMW ou similar. Só que para lá chegar não bastava vender pepinos aos alemães. Era preciso pedir dinheiro a crédito. A quem ? Aos alemães. Os alemães compravam pepinos e os produtores de pepinos pediam dinheiro aos alemães para comprar BMW e pagavam-lhes os BMW, o dinheiro pedido, os juros do crédito, e os pepinos. Os alemães comiam pepinos e eram pagos para isso. Ainda por cima descobriram que talvez pudessem pedir uma indemnização porque os pepinos alegadamente estavam contaminados, embora a contaminação afinal fosse de uns rebentos de soja produzidos na alemanha.

Enfim, defendo que os bens alimentares têm de passar a ter uma cotação mais equilibrada face a BMWs e similares. Pescas e agricultura têm de ser valorizados face a algumas indústrias. Como é que isso se consegue, penso que deveria ser objecto de trabalho pelos governos, em vez de andarem em sensaboronas carreiras políticas, a receber ordenados baseados nos impostos pagos pelos combustíveis e automóveis.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Saudade

"(...)
Há sempre alguém que nos diz: - Tem cuidado !
Há sempre alguém que nos faz pensar um pouco.
Há sempre alguém que nos faz falta,
ah, saudade !
(...)"

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Frango de cerveja com cenouras e ervilhas

Utilize ou um frango cortado aos pedaços pelas junções, ou uma embalagem de perninhas ou coxas de frango.

Cubra o fundo do tacho com azeite, cebola picada e umas fatias fininhas de bacon partidas aos pedacinhos. Deixar fervilhar em lume brando, e juntar uma cenoura em rodelas grossinhas, uma chávena de ervilhas congeladas, e o frango. Tempere de sal e tape o tacho. Vire o frango para alourar por igual. Depois de uns 10 minutos junte meia lata de cerveja, duas colheres de sopa de água e uma colher de sopa de polpa de tomate.

Deixe cozinhar, fervilhando sempre em lume brando, aí uns 25 minutos. Sirva com arroz branco soltinho.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

A minha terra





Tia Lilita

Lembro-me como se fosse ontem. O meu Pai pegou no telegrama, e leu em voz alta, entusiasmado:

"- Nasceu Maria João !(STOP)"

Era o primeiro telegrama que me lembro de receber. E pensei, na altura, então é assim que se escrevem telegramas, poupando as palavras. Sim, porque decerto os meus tios queriam dizer mais, muito mais, mas naquele tempo, de Angola para cá, cada palavra representava uma quantia preciosa.

Mais tarde chegou uma foto, a ternura da prima Ana segurando a prima João ao colo.

Esta manhã cedinho recebi um telefonema da Maria João:

"- Olha Miuxa ... a Mãe ... foi ... esta noite, 3 da manhã ..."

Recebi o telefonema no comboio. Segui caminho em gestos automáticos, o pensamento ocupado em desfiar recordações. Quando saí do acesso ao Metro não consegui reconhecer o lugar onde estava. Valeu-me uma colega que me ultrapassou no passeio dizendo "- Bom dia :-)". Voltei ao aqui e agora.


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Um forte à beira-mar



Sem foto é um bocado difícil lembrar-me dos detalhes da construção. O que me impressionou na imagem foram os reflexos das iluminações na água. Espero que não fiquem muito desagradados com o traço tosco da 'artista' ...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Bacalhau à Gomes de Sá

Muitos de vós já saberão fazer esta receita, mas a minha intenção nas receitas que ponho neste blogue é em primeiro lugar que o meu filhote saiba como a mãe fazia os cozinhados cá de casa.

Começo por cozer uma posta de bacalhau demolhada, que pode estar congelada. Cozo também uns ovos e umas batatas cortadas aos cubos. Depois de cozido desfaço o bacalhau em lascas.

No tacho de servir, de preferência um inox, cubro o fundo com azeite e cebola em rodelas finas, e se estiver p'raí virada ponho uma folha de louro. Deixo refogar sem queimar, se necessário pondo umas gotas da água de cozer o bacalhau. Quando a cebola estiver macia, junto o bacalhau desfeito em lascas, e deixo ganhar sabor. Depois junto as batatas cozidas aos cubos, os ovos cozidos cortados aos pedaços ou às rodelas, e bastante salsa picada.

Serve-se bem quentinho. Pode acompanhar com azeitonas.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Caldeirada de peixe

Um prato simples e que só suja um tacho, é a caldeirada. Cheguei a fazê-la num pequeno tachinho, só para dois, quando éramos só dois ... Com o passar do tempo fui aperfeiçoando a receita, e hoje em dia fica deliciosa.

Começo, como quase sempre, por cobrir o fundo do tacho com azeite. Em camadas sucessivas ponho rodelas grossas de cebola, de tomate maduro, uma ou duas folhas de louro, tiras de pimento verde, o peixe - que podem ser postas de garoupa ou de raia, ou as duas coisas - sal, batatas às rodelas grossas, sal, e novamente cebola, tomate e pimento, sal.

Ponho em lume brando para começar a suar, e junto um pouco de polpa de tomate, um pouco de água e um cálice de vinho branco. Remato com orégãos, e fica o tacho fechado, em lume brando, a fervilhar até as batatas ficarem bem cozidas. Serve-se imediatamente.

Pode parecer mas não ponho muito sal, ponho é um pouquinho em várias camadas porque nunca mexo o conteúdo do tacho.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Mesmo debaixo dos nossos pés

Já ontem à tarde tinha ficado encantada com as côres das folhas caídas no passeio. Lembrei-me de uma foto, mas já estava escuro. Esta manhã fixei alguns pormenores, e resolvi mostrar-vos as côres que pisamos na maior parte das vezes sem a mínima atenção. Espero que também se deliciem.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Foi uma experiência inesquecível, na tarde de ontem

Terminada a sua apresentação da tese de mestrado, em 20 minutos de tempo regulamentar, o candidato a Engenheiro foi convidado a sentar-se à mesa da sala de reuniões onde decorriam as suas provas académicas. A Engenheira arguente "abriu as hostilidades" "atacando" o candidato a Engenheiro. Alguns elementos do público, todo apoiante, faziam um esforço para não trucidar - ou mesmo trincar - a Engenheira arguente. Mas o candidato a mestre Engenheiro manteve sempre a calma, e quando interpelado apresentava explicações seguras e inatacáveis, uma das vezes mesmo referindo máximas das aulas da Professora Presidente do Júri, conhecida pela sua ferocidade nas provas de apresentação de teses de mestrado. Quando chegou a vez dos comentários da Professora Presidente do Júri, ela elogiou alguns aspectos do trabalho e da apresentação, e contribuiu com algumas sugestões de melhoramento do documento. Para rematar, o Professor Orientador da tese pôs algumas questões que deram oportunidade ao candidato de provar o seu domínio da matéria e o valor do trabalho apresentado.

O candidato e o público foram convidados a sair da sala para deixar o Júri deliberar.

Passado algum tempo, que pareceu bastante longo, o candidato foi chamado, e informado de que é agora Mestre Engenheiro, aprovado por unanimidade com uma muito boa nota.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Guerra às almas

Esta manhã, eu e a minha amiga A comentávamos o filme 'A lista de Schindler', e estranhávamos a forma como um número tão elevado de seres humanos puderam ser aterrorizados e exterminados sem que o mundo se apercebesse senão demasiado tarde, instalado já o horror, sacrificadas já muitas almas.

Depois, com o devido respeito pelas diferenças, interrogámo-nos sobre o que está neste momento a acontecer nas vidas de milhões de desempregados, que poderão chegar ao ponto de terem de roubar, ou pior, para poderem dar de comer aos seus filhos. Lembrámo-nos das aldeias recônditas que estão a ser despojadas dos seus meios de assistência médica, sem transportes, na maioria idosos, muitas vezes doentes, votados ao abandono, que poderão mesmo morrer dessas carências.

E assim constatamos a mesma indiferença dos poderosos pela tragédia que recai sobre os mais fracos em vários momentos da História, incluindo a actual.

Projectos, projectos, telas, telas



sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Crêpes de atum, massa de Dona Lina, cuscus que tinha na despensa

Para preparar os crêpes peneire a farinha self-raising(125g) com uma pitada de sal para uma tigela, abra um buraco no centro e deite nele um ovo batido, mexa bem, misture metade do leite(metade de 2,5 dl), e deixe repousar uns minutos. Passado esse tempo acrescente o restante leite, mexa bem, obtendo uma mistura aveludada com bolhinhas.

Besunte uma pequena frigideira com pouquíssimo azeite, aqueça bem, e com uma concha de sopa deite a massa inclinando e rodando a frigideira para espalhar bem e leve ao lume. Quando a massa estiver quase seca em cima, solte o crêpe e vire-o com a ajuda de espátulas. Logo que esteja lourinho de ambos os lados retire-o para um prato raso. Mantenha o lume médio para evitar que a frigideira queime os crêpes.

Para o recheio coloque um pouco de azeite numa frigideira e cozinhe nele a parte branca de um alho francês em rodelas e um tomate maduro em pedacinhos, acrescentando uma colherada de água para não queimar, e uma pitada de sal. Quando estiver macio acrescente o cuscus, borrifando com um pouco de água, e deixe cozinhar dois ou três minutos. Desligue o lume e misture o atum de lata 'em azeite', escorrido e desfeito.

Recheie e enrole os crêpes. Poderá acrescentar um môlho de cebola, cenoura e tomate bem cozinhado e desfeito.

Acompanhe com uma salada verde.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Dias assim há muitos, aniversário é só uma vez cada ano


O que eu dava hoje para me encontrar nem que fosse com um chapeleiro maluco, uma lebre de Março e um coelho atrasado. Uma festinha de 'desaniversário' acompanhada de gente interessante, em vez destes dias razoavelmente desinteressantes, em que me dedico a máquinas com problemas existenciais, sem companhia dos meus colegas, porque quase nunca têm tempo e disponibilidade para colaborar.

Mando mails a que não respondem, os meus pedidos ficam por fazer até que eu me disponha a deslocar-me 'à sua beira' quando eles quase nunca podem vir 'à minha beira', enfim, ninguém tem tempo, andam mais atrasados que o coelho da Alice.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Madrinha

Já se tinha despedido de nós há uns anos. Perto dos noventa a doença levou-a de volta às praias da Ilha de Luanda. Os filhos adultos voltaram às traquinices de crianças, e era preciso a todo o momento cuidá-los. Com um ar maroto perguntou-me um dia se já namorava. Não percebi como coordenava no seu pensamento o carinho pelo meu filho adolescente com o regresso ao meu namoro com o meu marido de há tantos anos. Não haverá decerto escala de tempo, quereria porventura preservar juntas as boas recordações com as boas vivências presentes. Manteve sempre uma serenidade feliz, embora fosse doloroso vê-la perder autonomia.

Ontem o seu corpo transformou-se finalmente num precioso e enrugado maço de papel, fininho e leve, todo escrito com as memórias de África e de uma família invulgar.