quarta-feira, 30 de maio de 2012

Mimem as vossas Mães

Foi uma reflexão que fiz esta semana. Pronto, não é para puxar ao sentimento, é apenas uma constatação.
Já não tenho o colo que me abraçava com aquele significado único do amor maternal. Pode chegar uma hora na vida em que perdemos a possibilidade desses momentos únicos, sem hipótese de recuperá-los. Outros colos podem acolher os nossos sentimentos de felicidade ou infelicidade, mas não podem substituir o materno. E a única pessoa no mundo que tinha aquele colo para mim, também deve ter feito esta reflexão a dada altura da sua felizmente longa vida.
Mimem as vossas Mães.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

terça-feira, 15 de maio de 2012

Casa

Nesta casa cada divisão tem um aroma próprio. Madeiras, tecidos, perfumes, papéis. Móveis, tapetes, livros e lençóis frescos. Quando pela manhã a luz atravessa os vidros os aromas despertam, agitam-se, abraçam-nos. Com os aromas desenham-se rostos e sorrisos, gestos diários e antigos, palavras ditas ou só pensadas. Correrias de crianças, conversas de adolescentes, cuidados e conselhos de adultos. Bom dia !

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ouvir

Na semana passada, quando cheguei à paragem de comboios, estranhei qualquer coisa. Demorei a perceber que se tratava de um som diferente do habitual rulhar dos pombos nos meses de inverno, e um movimento diferente dos voos lentos das gaivotas que esporadicamente se aventuram mais dentro da vila. Aparentemente nesse dia tinham chegado de viagem as andorinhas. E isso notava-se no piar alegre que despertava a manhã ainda cêdo, e nos voos desordenados de quem ainda procura lembrar-se onde costumava em anos anteriores descansar da longa viagem de regresso. Esta semana já voam em círculos definidos, em pequenos conjuntos de voos sincronizados, sempre de piar animador e muita energia.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

À noite, na cidade

Fora do meu horário habitual, pude testemunhar o rosto nocturno da cidade num dia de semana. Fiz um lanche tardio numa pastelaria praticamente vazia. Acompanhou-me um colega noctívago surpreendido com a minha inusitada presença àquela hora. Vi os olhos indiferentes de uma criança de 4 anos, a chuchar no dedo no metro do início da noite. Falou comigo uma mulher africana, cozinheira cansada da semana já longa de trabalho, e embriagada no metro do início da noite. Queixou-se de que estava mal-disposta, e decidiu que iria de táxi o resto do caminho para casa. Acho que queria ultrapassar a noite que teima em chegar a casa antes dela.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Crescer

Uma das coisas importantes que aprendi nestes últimos anos foi a minha responsabilidade no rumo da minha vida e no meu relacionamento com os outros. Claro que algumas circunstâncias externas próprias do acaso e da vontade dos outros podem influenciar o rumo das coisas, mas é importante que quando algo nos está a sair fora do razoável nos questionemos até que ponto fomos nós próprio que permitimos esse desenrolar de acontecimentos. Não podemos desculpar-nos sempre com o acaso. Não podemos estar sempre distraídos. Há que assumir o nosso papel na nossa vida e na vida dos outros. É dentro dessa lógica que a minha comadre me ensinou que não basta dizer que somos amigos de alguém, é preciso cuidar essa amizade com dedicação, sem displicência.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Músicas 'vintage', interpretações novas

Um dos meus recentes desejos era poder 'experienciar' novos sons, mas com o sabor das grandes obras dos anos da minha juventude. Assim como quem recebe a realização do seu desejo, tenho sido presenteada com novas interpretações de velhas grandes canções. Esta manhã eram estranhas as côres e sensações à volta de uma canção de Bob Dylan  :
It's all over now baby blue

segunda-feira, 23 de abril de 2012

terça-feira, 17 de abril de 2012

Democracia, humanidade, fraternidade, solidariedade, liberdade

Um monarca do século XXI frente a uma criatura que pode representar a sobrevivência da força. Qual dos dois foi o bruto ?

Fui sempre impelida a desviar o olhar daquela fotografia, da imagem do animal majestoso mortalmente atingido, ajoelhado, com a tromba em desalinho contra a árvore à sua frente. É a imagem do passado e da essência da Europa, ferida de morte pela ignorância bossal dos seus próprios (ir)responsáveis.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Por outro lado ...

... se eu soubesse escrever canções escrevia esta :
http://www.youtube.com/watch?v=I5OlA7fU17E

domingo, 15 de abril de 2012

Perninhas de coelho com grão e arroz basmati

Seis perninhas de coelho temperadas com sal, sumo de limão, alho picadinho, pimentão doce, môlho inglês, louro, gengibre e vinho branco. Deixei marinar um tempo.

Num tacho inox, o fundo coberto com azeite e bastante cebola picada, pôem-se as perninhas a refogar, em lume brando e tacho tapado. Depois de alouradas de todos os lados, juntei polpa de tomate e a marinada, um bocado de água e deixei apurar aí uma meia hora. Finalmente juntei um frasco de grão cozido escorrido. Entretanto preparei o arroz basmati para acompanhar.

Houve apoiantes e oposição ...

Cromos repetidos



sábado, 14 de abril de 2012

Parece que já dizia o meu Tio Pedro

Como conversavamos ontem, eu e uma das minhas irmãs, o mal é que toda a gente quis ficar rica de repente à custa de dinheiro. Ora como parece ficar provado, o dinheiro só tem valor real se tiver como garantia bens de utilização vital e essencial. Se não estou em erro, foi mesmo assim que começou a história do dinheiro. Parece que mais recentemente, como tentou explicar-me um amigo meu versado nessas coisas da economia, o dinheiro passou a ter um valor intrinseco, valendo pelas transacções mais ou menos transparentes que veicula (infelizmente, muitas vezes muito pouco transparentes e sustentáveis). Explicação que no entanto não consegui assimilar, nem entender verdadeiramente. Estou mesmo convencida de que em escrituras de civilizações esforçadas, com anos de trabalho de campo, verdadeiros manuais de saúde, economia, higiene e segurança no trabalho, como a Biblia, provavelmente o Corão ou a Tora e outros, com as devidas adaptações para a solidariedade que universalmente se impôe e o nível civilizacional que mal ou bem atingimos, estará provavelmente escrito que a riqueza está na água, no pão e no bem-estar espiritual e físico, e não na ostentação. Estará na abundância de alimento físico e espiritual e não na arrogância e no luxo. Ou seja, como muitos já hoje em dia reconhecem, o nosso futuro está no trabalho e produção, assentes numa sociedade solidária e saudável física e espiritualmente falando.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Yoga

A gata Nani já tinha tentado chamar-me muitas vezes a atenção para aquele momento mesmo antes do amanhecer, na varanda aberta para o céu. Hoje, inspirada pela brasileira Cris e por um círculo vivo na minha vida, vestida com o meu pijama leve e umas meias de algodão, aceitei ditraidamente a indicação da Nani.

O céu estava ainda escuro e nublado, não chovia e o ar estava fresco. De pé em frente aos vasos de orquídeas do Filhote, afastei ligeiramente os pés, coloquei as mãos espalmadas contra a barriga, uma acima e outra no umbigo, fechei os olhos, e iniciei a respiração abdominal : inspira - barriga para fora, expira - barriga para dentro. A respiração da Terra e o canto dos pássaros que acordam antes do sol salpicaram o silêncio à minha volta.

Seguiram-se vários exercícios de massagem e relaxamento, estímulo e respiração.

Que bela manhã, Nani.

domingo, 8 de abril de 2012

Pessoas

À nossa volta, todos os dias, há pessoas que escolhem acompanhar-nos e há pessoas que nos ignoram. Ignoramos algumas pessoas e amamos outras. Há aqueles que nem nos lembramos de pensar que não estarão para sempre connosco. E há outros que não estando sempre connosco, contam sempre muito para nós. Pessoas com quem podemos contar sempre. Pessoas que amamos e que nos amam. Pessoas. Pessoas com quem nos encontramos para nos lembrarmos dos que nos juntaram ali e para não nos esquecermos de nós. Para nos lembrarmos de todos. Pessoas.

"Para todas as coisas, há uma Estação. Um tempo para morrer e um tempo para nascer."

terça-feira, 3 de abril de 2012

Bifinhos de perú grelhados com arroz de tomate

Os meus primórdios na utilização de gengibre em pó estão relacionados com este prato simples. Um belo dia resolvi temperar os bifinhos de perú com sal, muito sumo de limão e gengibre em pó. Grelhei-os num grelhador tipo frigideira, besuntado de azeite, depois de ter preparado para acompanhar um arroz de tomate malandrito : cobri o fundo de um tachinho com azeite, um pouco de cebola picada, um tomate maduro sem pele nem grainhas partido aos pedacinhos, uma folha de louro, alho para quem aguenta, uma colher de sopa de polpa de tomate, uma chávena de chá de arroz agulha, duas chávenas e mais um pouco de água, sal, lume muito brando, a tampa do tacho em cima de uma colher de pau (don't do this at home ... cuidado para não pegar fogo ...) até o arroz estar cozido. É simples mas apetitoso.

sábado, 31 de março de 2012

Garoupa no forno

Consultei a origem da pequena garoupa de cerca de 1Kg: Oceano Atlântico Este. Boa ! não é peixe de aviário. A peixeira pesou-a, tirou-lhe as entranhas e escamas, e pedi-lhe que a deixasse inteira. Chegando a casa lavei-a em água fria, coloquei num pirex. No fundo do pirex fiz uma 'cama' de rodelas de cebola, temperei a garoupa com sal, ervas de provence, gengibre em pó, uma pitada de pimenta branca. Cortei dois tomates maduros em rodelas e espalhei por cima e ao lado da garoupa, reguei com um bom fio de azeite Gallo Clássico e vinho branco.

Esteve no forno de 200º uma hora, e servi com puré e salada verde.

Rádio esotérico

Alguém vai alimentando a minha playlist. Pela manhã oferecem-nos músicas, com poemas que de uma maneira ou de outra nos tocam. Já disse aqui que me daria muito gosto poder ser musa de canções tão inspiradas. Esta manhã, mais uma. Na versão que ouvi na rádio destacava-se a viola e as vozes espanholas quentes de um homem e uma mulher. Fiz algumas pesquisas e o mais próximo que encontrei da minha emoção foi este 'caseiro', com o som cru da guitarra :

http://www.youtube.com/watch?v=A-_vOI0EJYg

quinta-feira, 29 de março de 2012

Cada um usa nas bochechas o que mais gosta

Esta manhã, no comboio, sentei-me ao lado de uma jovem muito jovem. Apesar da tenra idade tinha iniciado uma operação de maquilhagem complicada, que incluia uma substância que me pareceu que se destinava a disfarçar imperfeições (?), uma base líquida que espalhou generosamente por todo o rosto, seguido de esponja de uniformização da aplicação (?), baton incolor, um risco de lápis preto contornando os olhos, e rímel. Terminada a maquilhagem, desencantou da sua mala um yogurte líquido daquela marca que evoca Louis Armstrong :
http://www.youtube.com/watch?v=MAkHbx5Dktg

Pediu licença e saiu apressada do comboio embora ainda raiassem as 7h30m da manhã.

terça-feira, 27 de março de 2012

Fim de tarde na varanda



Consegui não sujar a varanda de tintas. A Nani ficou muito sossegada de tão intrigada com a montagem do atelier ao ar livre. Deixou-se estar em posição de guarda a tão inspirado trabalho de pintora.

'Cromos' repetidos ...



sexta-feira, 16 de março de 2012

Musicalidade

O rapaz preto, 14 anos de corpanzil, 5 anos de idade mental (já tive ocasião de o constatar em outras ocasiões), dançava ao som da música que ele próprio cantava em voz alta. Animado, dava passos largos e ritmados ao longo da plataforma da estação, agitava os braços em gestos amplos.

Estranho foi as restantes pessoas não acompanharem a dança, sincronizados com a alegria do rapaz, braços no ar, passos enérgicos. Olhavam inibidos, inertes, agarrados à sua própria normalidade. Mas afinal para que serve a música de dança senão para cantar e dançar em alegria ?

quinta-feira, 15 de março de 2012

A "ninhada"

"De manhãzinha a 'mãe' sai de casa para caçar. O Dono e o Filhote-de-dono arranjam sempre tempo durante o dia para umas lutas e rebuliços, próprios de irmãos-de-ninhada. Tenho sempre a minha ração e água à disposição, o meu WC privativo, e quando não estou a brincar, a afiar as unhas, ou a lavar o pêlo, vou dormindo em vários recantos da casa: sofás, cadeiras, camas, edredons em armários, parapeitos de janelas, cantinhos mais escurinhos, vou variando. Faço visitas ao canário e vigio os banhos de sol da Turtle.

Ao fim do dia chega a 'mãe' com a caça : bifinhos de frango, bonequinhos de peluche com guizos, caixas de areia, e sacos de ração Royal Canin." - Nani