segunda-feira, 27 de agosto de 2012
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
A idade é lixada
A idade é lixada. Mas também tem as suas vantagens. Quando chegarem às idades de que falo compreenderão o que quero dizer.
Por um lado, lá por volta dos quarenta e tal, comecei a ouvir comentários do professor de ginástica (...) de que a mãe dele também sofria de 'ferrugem' nas articulações dos ombros como eu. Comecei realmente a sofrer de menor agilidade ou destreza física por sinais de aviso de perigo de lesões. Depois um pouco mais tarde, constatei que um jovem coleguinha tem mais ou menos a idade do meu filho. Enfim, jovens com dificuldade em tratar-me por 'tu' é mato. Ah, e já tenho um sobrinho-neto.
Mas por outro lado, consigo esquecer mais facilmente as coisas que me incomodam, afastar-me delas, lutar sem deslumbramento as insignificantes lutas profissionais, perdoar ou pelo menos esquecer pequenas traições de familiares ou amigos, e concentrar-me mais nos regalos que a minha idade ainda me permite. Que a vida sempre foi lançando no meu caminho, e que aparentemente estou agora em melhores condições de acolher e apreciar.
quinta-feira, 16 de agosto de 2012
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Amizades
Um melro é um pássaro negro, penas aprumadas como um fraque de bom corte, de bico alaranjado. Se apurarmos bem o ouvido, concluímos que parece ser sempre ele o primeiro a cantar pela manhã.
Aquele melro era recém-nascido, pardo e despenteado. Tinha caído do ninho e estava desamparado. Os miúdos encheram-se de cuidados, e alimentaram-no à mão, na varanda. Abrigaram-no do fresco da noite e transformaram em brincadeira diária o seu papel de pais-mães-adoptivos. O melro foi crescendo e ao fim de uns dias voou para fora da varanda.
É preto, penas muito lisas e alinhadas, e tem um bico alaranjado. Nada o distingue dos outros. Os miúdos, agora já crescidos, não sabem quantos anos vive um melro, mas naquele jardim há sempre dois ou três que acompanham com uma animada cantoria as suas tarefas de jardinagem.
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Perninhas de frango com alho francês e grão
Desta vez foram perninhas de frango em vez de coelho. Cobri o fundo de um tacho inox com azeite, bastante alho francês às rodelas, um pouco de cebola picada. Coloquei as perninhas de frango e temperei com sal, pouquinho molho inglês, pimentão doce em pó, gengibre em pó. Cortei uns tomatitos da horta em pedacinhos e juntei. Tapei o tacho e deixei refogar em lume brando de todos os lados. Juntei umas colheradas de polpa de tomate, um pouco de água e vinho branco, voltei a tapar. Quando o frango já estava cozinhado, juntei um frasco de grão cozido escorrido e deixei apurar.
Servi com arroz branco.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Saltos para a água
A minha modalidade preferida nos Jogos Olímpicos. Em criança tive a sorte de poder experimentar saltos (mais simples) de prancha e de trampolim, com algumas indicações de uma profissional destas técnicas. Inesquecível ! Nestes jogos vi alguns saltos de pares sincronizados, e de individuais. Recomendo pela beleza das imagens.
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Perspicácia
Sempre tive a noção de que a minha perspicácia não é quase nenhuma. Para não ter remorsos de tomar o lado errado ou incómodo de uma disputa, de que quase nunca me apercebo a tempo, optei sempre por fazer só o que me dita a consciência, defender a verdade à luz dos princípios morais que me foram transmitidos pelos meus pais e outras pessoas que respeito na minha vida. O que é certo é que muitas vezes as minhas acções sobre a realidade que me rodeia têm o mesmo efeito que os movimentos 'graciosos' de um elefante numa loja de porcelanas. Mas talvez esteja a dar uma relevância exagerada ao meu papel neste mundo.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Fórmula
Já me apercebi de que os meus quadros feitos com base na memória obedecem quase todos a uma fórmula fixa. Quando o tema é o alentejo ou outra paisagem que me deixe respirar, lá está o céu nublado ao fundo, dois ou três planos a diferentes distâncias, um primeiro plano que surge à direita. Este obedeceu a essa fórmula. Já levou mais uns toques depois desta foto.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
O stress e as 'estratégias de coping'
Depois de muito penar no desempenho das minhas atribuições profissionais, por razões que não veem agora ao caso, e de ter desenvolvido, com a ajuda da família, amigos e profissionais de várias valências, algumas 'manhas' para resistir e ultrapassar o stress, fui abençoada com o acesso a uma formação que me revelou o conceito de 'estratégias de coping'.
Não esperem deste post um absoluto rigor nos conceitos, aconselho-vos vivamente que frequentem esta formação, mas merecem que vos alerte para o que basicamente me tirou o peso na consciência para algumas das estratégias que passei a utilizar instintivamente quando a coisa ficou preta.
É que nessa formação foi referido que faziam parte das estratégias de coping válidas a pessoa evitar alguns assuntos ou situações ou adiá-los para momento mais oportuno.
Claro que são mais interessantes outras estratégias de coping como o enfrentar os problemas, elaborar planos de abordagem às tarefas, recorrer ao apoio da família e amigos, adoptar hábitos alimentares saudáveis, e também arranjar tempo para desenvolver algum tipo de exercício físico, algum hobby, ou aprender técnicas de relaxamento como o yoga.
No fundo encontrar o tal botão 'ON-OFF', ou a válvula de pressão, a utilizar quando nos sentimos em níveis de stress próximos do insuportável.
segunda-feira, 23 de julho de 2012
Papoilas
Estou a prepara novo original, meio de encomenda ... ainda não investi tempo suficiente no desenho da casa, e se bem calha vou precisar de ajuda para ficar arquitectonicamente plausível.
quinta-feira, 19 de julho de 2012
(Leiam este post às escuras ...)
Para a gata Nani a noite escura não tem segredos. É a altura ideal para deambular pela casa, certificando-se de que os livros permanecem alinhados nas estantes, os móveis estão imóveis nos seus respectivos sítios, as plantas completam o ciclo de respiração nocturna, e todos dormem profundamente. Acordar alguém, passando-lhe perto do nariz como quem não quer a coisa, de preferência a 'mãe', faz parte da animação da noite. Assim, a Nani guia o sonâmbulo pela casa, e mostra-lhe como é interessante ver um canário a dormir, ouvir os relógios que desfiam o tempo, e reconhecer todos os objectos pelas suas côres de gato-pardo. E voltar a adormecer a meio da madrugada. Esta noite, no entanto, o vento soprava inquietante, e a Nani não conseguia voltar a pegar no sono. Pelo sim pelo não deixou-se ficar de guarda, não fosse o vento pregar alguma partida.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
As férias da 'tribo'
A Nani admirou-se : "Então o canário desta vez também vem de férias ? E traz a gaiola com o baloiço ? Que a Dona Turtle venha de férias com a sua piscina, é coisa que já tinha visto, agora o canário costumava ficar em casa da Avó. Vir para aqui de férias, mesmo debaixo do meu nariz ... E agora ? Já abri bem os meus olhos e posicionei-me em missão de caça, mas a 'mãe' ralhou logo comigo. Disse-me que tenho de tomar conta dele enquanto vão para a praia. E eu, como uma verdadeira 'coisa linda, fôfa, princesa' faço-lhe a vontade."
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Parabéns !
Hoje é um daqueles dias em que se espera que os astros se alinhem e os espíritos conjurem um futuro de alegria.
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Moscas para a gata Nani
"A 'mãe' é uma exímia caçadora de moscas. Caçamos moscas em equipa, eu e ela, e ontem era uma daquelas tardes quentes em que as moscas entram na sala fugindo do calor da varanda em busca de fresquinho. A 'mãe' fecha a porta de vidro e a mosca fica desorientada, às cabeçadas ao vidro. Esse é o momento em que eu salto e apanho a mosca com as 'mãos', guardo-a na boca delicadamente, e levo-a para a cozinha para brincar ao-gato-e-à-mosca."
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Serradura em mousse ...
Fiz ontem uma sobremesa, que aplicando a terminologia do meu sobrinho mais velho poderemos classificar como 'potente'. No entanto, para fugir à sua característica de muito doce, poderá acrescentar-se outro pacote de natas, e para lhe dar uma consistência mais expessa poderá utilizar-se uma pequena quantidade de folhas de gelatina derretida.
De qualquer modo, ontem, enquanto esperávamos que o Ronaldo marcasse aquele golo de mergulho, fomo-nos deliciando com a sobremesa feita da seguinte maneira singela :
Com a batedeira eléctrica batemos um pacote de natas frescas LongaVida (penso que tem 200g) acrescentando lentamente uma lata de leite condensado e finalmente meio pacote de bolacha torrada Continente, picada na 1-2-3. Ficou uma meia hora a arrefecer no congelador (se tivessemos mais tempo iria apenas para o frigorífico), e servimos com mais bolacha torrada picada para cada um acrescentar a gosto.
Um 'must' que nos deixou com uma valente saturação de açucar ...
terça-feira, 19 de junho de 2012
Nani dondoca
" Transformei-me numa gata deveras dondoca. Todos cá em casa me mimam. Bem, todos menos a namorada do filhote-de-dono, que costuma picar-me para eu me mexer, é muito brincalhona e nada dada a mariquices. Tenho lutas implacáveis com ela. Já percebeu que eu abuso um bocadinho, e vai-me cortando as vazas ...
Mas com o resto da família sou uma dondoca. Até já sei miar umas coisas, delicadamente, para chamar a atenção quando estou aborrecida. Tenho uma rotina diária muito descansada. Durmo mais de dia do que de noite, o que os deixa um bocadinho enfadados, porque lá pela madrugada têm de me abrir a porta da varanda, para eu controlar a recolha do lixo pelo camião que passa lá em baixo na rua com as suas luzes cor-de-laranja rotativas. Altura a partir da qual os passarinhos começam a acordar e a cantar, cantos que ecoam suavemente na varanda.
Durante o dia durmo em qualquer lugar fofinho e acolhedor, o que os obriga a manterem tudo sempre o mais livre do meu pêlo quanto possível.
De vez em quando a 'mãe' percebe que estou farta de comer ração da forma normal, e vai comigo à cozinha para me oferecer pepita a pepita molhada na água. Tipo bolacha no chá, se estão bem a ver. Uma delícia !
O que me está terminantemente proibido é comer o que quer que seja para além da ração, e fora da cozinha. Quando muito tenho direito a uns bocadinhos de frango ou de camarão quando a 'mãe' está na cozinha a preparar o petisco, mas na sala, nunca ! Só as moscas caçadas por mim. Mesmo assim, considero-me uma gata dondoca. "
Mas com o resto da família sou uma dondoca. Até já sei miar umas coisas, delicadamente, para chamar a atenção quando estou aborrecida. Tenho uma rotina diária muito descansada. Durmo mais de dia do que de noite, o que os deixa um bocadinho enfadados, porque lá pela madrugada têm de me abrir a porta da varanda, para eu controlar a recolha do lixo pelo camião que passa lá em baixo na rua com as suas luzes cor-de-laranja rotativas. Altura a partir da qual os passarinhos começam a acordar e a cantar, cantos que ecoam suavemente na varanda.
Durante o dia durmo em qualquer lugar fofinho e acolhedor, o que os obriga a manterem tudo sempre o mais livre do meu pêlo quanto possível.
De vez em quando a 'mãe' percebe que estou farta de comer ração da forma normal, e vai comigo à cozinha para me oferecer pepita a pepita molhada na água. Tipo bolacha no chá, se estão bem a ver. Uma delícia !
O que me está terminantemente proibido é comer o que quer que seja para além da ração, e fora da cozinha. Quando muito tenho direito a uns bocadinhos de frango ou de camarão quando a 'mãe' está na cozinha a preparar o petisco, mas na sala, nunca ! Só as moscas caçadas por mim. Mesmo assim, considero-me uma gata dondoca. "
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Voo picado
"Anda por aqui, sobrevoando a zona, um passaroco grande de rapina. Há quem diga que é uma águia. Já fez uma vítima em casa da tia, o pequeno piriquito nem teve tempo de fugir. Já a turtle, por incrível que pareça, fugiu a sete pés ! Estava na varanda a apanhar sol e assustou-se de morte com a sombra que pairou sinistra sobre o chão ! Foi tão rápida a correr que me assustei ! Escondeu-se debaixo do edredon que a 'mãe' tinha deixado pendendo do sofá. Ficou lá com a cabeça tapada e o rabo de fora."
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Mimem as vossas Mães
Foi uma reflexão que fiz esta semana. Pronto, não é para puxar ao sentimento, é apenas uma constatação.
Já não tenho o colo que me abraçava com aquele significado único do amor maternal. Pode chegar uma hora na vida em que perdemos a possibilidade desses momentos únicos, sem hipótese de recuperá-los. Outros colos podem acolher os nossos sentimentos de felicidade ou infelicidade, mas não podem substituir o materno. E a única pessoa no mundo que tinha aquele colo para mim, também deve ter feito esta reflexão a dada altura da sua felizmente longa vida.
Mimem as vossas Mães.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
terça-feira, 15 de maio de 2012
Casa
Nesta casa cada divisão tem um aroma próprio. Madeiras, tecidos, perfumes, papéis. Móveis, tapetes, livros e lençóis frescos. Quando pela manhã a luz atravessa os vidros os aromas despertam, agitam-se, abraçam-nos. Com os aromas desenham-se rostos e sorrisos, gestos diários e antigos, palavras ditas ou só pensadas. Correrias de crianças, conversas de adolescentes, cuidados e conselhos de adultos. Bom dia !
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Ouvir
Na semana passada, quando cheguei à paragem de comboios, estranhei qualquer coisa. Demorei a perceber que se tratava de um som diferente do habitual rulhar dos pombos nos meses de inverno, e um movimento diferente dos voos lentos das gaivotas que esporadicamente se aventuram mais dentro da vila. Aparentemente nesse dia tinham chegado de viagem as andorinhas. E isso notava-se no piar alegre que despertava a manhã ainda cêdo, e nos voos desordenados de quem ainda procura lembrar-se onde costumava em anos anteriores descansar da longa viagem de regresso. Esta semana já voam em círculos definidos, em pequenos conjuntos de voos sincronizados, sempre de piar animador e muita energia.
segunda-feira, 7 de maio de 2012
À noite, na cidade
Fora do meu horário habitual, pude testemunhar o rosto nocturno da cidade num dia de semana. Fiz um lanche tardio numa pastelaria praticamente vazia. Acompanhou-me um colega noctívago surpreendido com a minha inusitada presença àquela hora. Vi os olhos indiferentes de uma criança de 4 anos, a chuchar no dedo no metro do início da noite. Falou comigo uma mulher africana, cozinheira cansada da semana já longa de trabalho, e embriagada no metro do início da noite. Queixou-se de que estava mal-disposta, e decidiu que iria de táxi o resto do caminho para casa. Acho que queria ultrapassar a noite que teima em chegar a casa antes dela.
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Crescer
Uma das coisas importantes que aprendi nestes últimos anos foi a minha responsabilidade no rumo da minha vida e no meu relacionamento com os outros. Claro que algumas circunstâncias externas próprias do acaso e da vontade dos outros podem influenciar o rumo das coisas, mas é importante que quando algo nos está a sair fora do razoável nos questionemos até que ponto fomos nós próprio que permitimos esse desenrolar de acontecimentos. Não podemos desculpar-nos sempre com o acaso. Não podemos estar sempre distraídos. Há que assumir o nosso papel na nossa vida e na vida dos outros. É dentro dessa lógica que a minha comadre me ensinou que não basta dizer que somos amigos de alguém, é preciso cuidar essa amizade com dedicação, sem displicência.
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