quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Five O'clock Tea

Quase sempre que se fala em 'chá das cinco' lembro-me daquilo que sempre achei um 'must' nos pormenores gastronómicos da autoria da minha Mãe : a fôrma no forno. Um pão de fôrma 'desmontado' em côdeas e fatias de miolo, besuntados de manteiga, de novo 'montado' com a ajuda de palitos na sua forma original, e depois aquecido no forno até ficarem as côdeas estaladiças e, é claro, a manteiga por dentro derretida.
A acompanhar um cházinho a gosto, completada com um pouco de dôce ou mel (ou não), fazia as delícias de todos lá em casa.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Ensaio 2


Outra das imagens que me ficou de caminho foi um pôr-do-sol insólito, tenho mesmo a impressão que não acreditarão que existiu. Outro ensaio em 'Paint' para uma tela que tenho estado a preparar.

Ensaio

É verdade, está bem, nunca estive na Índia. Mas ontem no National Geographic apresentaram um programa sobre tigres de bengala na selva da Índia, e pelo meio surgiu um plano que me surpreendeu muito pelas côres. Estou com alguma dificuldade em conseguir reproduzi-las, mas conto utilizar o tema numa tela.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Natal 2012




Seguro teimosamente o sopro e respiro,
Descanso o meu cansaço nas recordações mais suaves.

Cansaço é um gato pardo que desata os laços mais fracos da vida.
Cansaço é uma estação de luz branda na vida.
Oscila, nem frio de Inverno, nem calor de Verão.

Inspiro as recordações e vivo a vida,
Ponho o cansaço a dormir aconchegado e quente.
E deixo a vida embalar-me no seu regaço.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Os gomos de laranja

Pela praceta onde eu morava quando era pequena, costumava passar um 'homem do lixo', para varrer as ruas e recolher algum lixo. Usava um fato cinzento de tecido pardo, e empurrava um carrinho com um bidon metálico cilíndrico. Na cabeça uma boina do mesmo tecido do uniforme.
Calhou em alguns dias sentar-se o 'homem do lixo' no passeio frente ao meu jardim, para comer uma bucha. Uma lancheira térmica metálica que desencantava de algures no carrinho do lixo, com uma mistela morna, e uma laranja. Um desses dias eu saí do jardim para a rua e sentei-me ao lado dele a conversar. Teria os meus quatro ou cinco anos. Gostava de me lembrar que conversa tivemos nesse dia, mas a minha memória não vai tão longe. Lembro-me no entanto que partilhou comigo uma colherada da mistela morna e dois gomos de laranja, fresquinha e quase azeda.
Por muitos anos que viva, laranja para mim é uma fruta do 'homem do lixo'.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Mousse de maracujá

Comi outro dia uma excelente mousse de maracujá, que tinha um toque nítido de yogurte. Não podia pedir a receita, e então resolvi testar uma combinação criativa.
Comprei uma lata de polpa de maracujá 565g. Passei a polpa de maracujá por um coador para retirar as graínhas.
Misturei um pacote de natas frescas Longa Vida, a polpa de maracujá, dois yogurtes Danone cremoso natural, e uma lata de leite condensado. Bati tudo com a batedeira eléctrica em velocidade máxima, durante alguns minutos, e embora não tenha ficado grossa imediatamente, a mousse endureceu o suficiente depois de umas horas no frigorífico.
Este teste resultou numa mousse bastante doce, talvez fosse suficiente meia lata de leite condensado, mas bem geladinha é muito boa.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Natal 2012

Há coisas que nos vão acontecendo sem darmos por isso. Como crescer, por exemplo. Não digo crescer as mãos, ou crescerem as pernas ou a barriga, mas sim crescer o coração e a consciência. 
Eu não tinha dado por isso, mas já há alguns anos que tinha deixado de acreditar no Pai Natal. Só me apercebi de uma certa tristeza nos meus útimos Natais, uma certa melancolia, e uma descrença nas boas intenções de um qualquer Pai Natal.
Espero poder continuar a crescer, e que isso se traduza em deixar de acreditar em algumas coisas, mas possa trazer-me a Fé noutras, melhores ou piores. Afinal, eu andava um bocado enganada, a festa de Natal é a festa de Jesus, e espero que Ele esteja atento ao meu processo de crescimento e ao processo de crescimento daqueles que mais amo.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Novembro

Por estes dias vive-se a exaltação de Cristo na sua condição de Rei do Universo. Neste último Domingo de Novembro a leitura do Evangelho remeteu-nos para o encontro de Jesus com Pilatos por ocasião da sua condenação. 
Jesus diz a Pilatos : "O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas, o meu Reino não é daqui".
Explicava o pároco que Jesus quer ter o seu Reino no interior de cada um de nós, assim sejamos capazes de viver as nossas vidas na Verdade, na Justiça e no Amor ao Próximo.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Mia Couto contou histórias

Uma das histórias que Mia Couto contou, no encontro na UCCLA, na Rua de São Bento, envolvendo tudo na sua voz de encantamento, foi a seguinte :
Por várias vezes, ao chegar a sua casa, Mia encontrou sentados no muro dois jovens.
Sem conseguir perceber o que faziam ali, por vários dias seguidos, sem saber se preparavam alguma tramóia, decidiu dirigir-lhes a palavra. E perguntou a um deles :
- O que fazes aqui, estas tardes todas, sentado no muro da minha casa ?
E o rapaz respondeu :
- Eu ? Nada, absolutamente nada.
E Mia perguntou ao segundo :
- E tu, o que fazes aqui ?
Resposta :
- Eu estou só a ajudar o meu amigo.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Encantamento

Ontem dirigi-me em expectativa ao encontro com Mia Couto na UCCLA, na Rua de São Bento. Uma salinha pequena fez-me adivinhar que algumas pessoas ficariam de pé a ouvi-lo. Mas eu cheguei cêdo e ocupei logo um dos lugares perto da mesa da palestra.
Já li alguns livros de Mia Couto que me ajudaram a encontrar a magia de África, onde eu nasci mas que não conheço porque vim para Lisboa com 5 meses de idade. Em casa dos meus Pais África estava sempre presente em filmes caseiros, objectos, slides e histórias contadas. Mas estar numa sala com Mia Couto, a poucos metros de distância, a ouvi-lo responder a perguntas com pequenas e deliciosas histórias, fez-me sentir envolvida nos véus de neblinas de um encantamento africano.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Algumas pedras no caminho

Suspeitam que estão a ser 'comidos' por uma pessoa que até vos trata bem, mas que insiste em estabelecer um nível hierárquico ou evolutivo superior ao vosso, de que ele próprio se investiu ? Já não têm nada a perder ? Experimentem responder-lhe na mesma moeda. Vão ver como a sua gentileza e bom-trato se desvanecem por completo, tem dificuldade em reconhecer-se no 'espelho', e cai-lhe logo a máscara. Exige alguma capacidade de observação e mímica, e pode resultar numa grande facada, no peito ou nas costas, mas tem a sua graça.
Costumo dizer que todos os adultos que conheço já eram como são na altura em que estavam na escola primária. Se eu fosse suficientemente perspicaz, conseguiria reconhecer à primeira vista nos adultos recém-conhecidos algum dos 'cromos' que me saíram na escola primária, o que me pouparia - e a eles - bastantes dissabores e mal-entendidos.
Têm-me saído muitos 'Zé António', masculinos e femininos, para mal dos meus pecados. Mas também tenho conhecido bastantes 'Zéza' que compensam largamente as más experiências. O meu marido, que conhece esta minha teoria e que já foi alvo de 'match' a um dos cromos, costuma dizer que eu correspondo à 'sonsinha e marrona' 'menina Bélinha'.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Trouxas folhadas de carne

Num pequeno tacho ponha um fio de azeite e cebola picada, 300g de carne picada, meia courgette cortada em pedacinhos, uma colher de sopa de lentilhas sem casca, e os tempêros : sal, môlho inglês, uma pitada de açafrão, tomilho e caril, uma colher de sopa de polpa de tomate. Tape o tacho e deixe cozinhar bem. No fim passe a varinha mágica para ficar bem ligado.
Corte uma base redonda de massa folhada em seis 'triângulos' e coloque uma bola de recheio na parte mais larga de cada um. Enrole como se fossem croissants, primeiro a parte mais larga ficando o bico do triângulo na parte de fora, mas aperte ligeiramente as margens da massa para não abrirem. Coloque num tabuleiro ou pirex besuntado de óleo, suficientemente afastados uns dos outros para terem espaço para crescer. Leve a forno de 220º até ficarem coradinhos e folhados (+- 30m).
Sirva com uma salada ou um arroz de legumes.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Projecto intermédio


A força de J

Nunca me tinha lembrado de vos falar da minha amiga J, talvez apenas tenha mencionado por alto a minha amiga A, muitas vezes mencionei V, escrevi decerto alguns dos posts deste blog a pensar em M, talvez tenha hesitado em falar de P ou de T, estou numa fase em que me afastei de B a seu pedido, possivelmente pouco tenho a dizer sobre R. Mas nesta semana em que J não está por aqui porque tem assuntos tristes para tratar, lembrei-me que nem um telefonema pode fazê-la ultrapassar o que está a viver, dificilmente poderemos alterar o que ela sente à sua volta neste momento, mas ela sabe concerteza que vai ser possível voltar ao normal, ou perto disso, porque, se Deus quiser, estaremos na mesma aqui quando ela voltar.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Verdinha, verdinha, e folhas grandes que nem uma couve

"Não é suposto as plantas serem regadas por outras pessoas. Afinal, esse é o meu papel nesta relação entre a nossa empresa de manutenção de plantas e os escritórios das organizações onde elas estão colocadas. Mas aquela planta do piso um apresenta sinais evidentes de ser regada, e provavelmente todos os dias. Sempre que cá venho para fazer a rega uma vez por semana ela está para ali verdinha, viçosa, toda lampeira. Parece uma autêntica couve penca por altura do Natal. Nem me agradece a limpeza das folhas e a poda.
Como estão quatro pessoas naquele gabinete, não posso ter a certeza de quem será o autor das regas frequentes, mas suspeito daquelas garrafinhas de água de meio litro, sempre presentes na secretária atrás da planta. 
Por este andar, as pessoas todas desatam a regar plantas elas mesmas, sem nenhuma preparação especializada para tal tarefa, e eu perco o meu emprego !"

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Karateca na casa das histórias

Hoje, pelas 18h30m, estaremos todos, os que comungam boas 'vibes' com a autora, na Casa das Histórias da Paula Rego, em Cascais, a ser apaparicados por esta nova escritora de língua portuguesa que é a Ana Pessoa, com o seu primeiro livro "O caderno vermelho da rapariga karateca".




Sopinha

Estive sem coragem de fazer sopas durante mais de um ano. Faz-me impressão deitar comida fora, e a sopa é uma coisa que cá em casa ou se come muito, ou nem se toca e tem de se deitar fora.
Mas com este friozinho, sabe bem. Ontem fiz uma sopinha deliciosa.
Numa panela pequena pus um pequeno molho de bróculos partido em pequenos pedaços, meia cebola, uma cenoura, um pequeno nabo, uma courgette com casca, uma pequena batata, e uma colher de sopa de lentilhas rosa sem casca. Cobri de água, temperei com sal e deixei cozer. No fim deitei um pouco de azeite e bati com a varinha mágica. 
Um creminho verde claro muito saboroso.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Nani em tempo de chuva

Nani é nome de gata arisca. 
Ela gosta de cheirar o ar da rua, ouvir os pássaros que a desafiam em voos acrobáticos, e caça muitos insectos que nem quero pensar de que espécie serão. Já evitei que mordesse vespas ou abelhas, mas quando não estou a vigiá-la atentamente suponho que marcha tudo.
Mas agora começou a chuva e algum frio, e por vezes fechamos a porta da varanda. Para nos manifestar o seu desagrado pela exiguidade dos aposentos, a Nani corre desenfreada em direcção à porta, e volta para trás cruzando-se connosco em alta velocidade, como quem diz : "Se não abres a @#! da porta, vou deitar os bibelôs todos ao chão !".

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Nem sempre é fácil

O Passarinho não chegou a ter outro nome. Era mesmo o Passarinho, não havia outro lá em casa. Já tinham ali vivido outros, e cantado muito. Mas parece que este foi o recordista em tempo de vida e em variações de canto.
Na última trovoada estava a acabar a muda da pena. Acho que se constipou. Ou o coraçãozinho assustou-se. Petiscou um gomo de maçã, enrolou-se num novelo de penas cinzentas, brancas e amarelas, e adormeceu para sempre. Acho que está agora onde se eternizam todas as criaturas que Deus ama.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Escada abaixo, escada acima

Eu descia as longas escadas rolantes do metro do Chiado, tu subias, e olhaste-me. Não engracei nada com o teu bigode. Fiquei a pensar se será da minha idade a razão porque agora só olham para mim na rua  homens do teu género. Bem, na verdade, boa nunca fui (é uma resposta de que me lembro sempre quando me cumprimentam : "Então, estás boa ?" e eu cá para os meus botões "...boa nunca fui ..."). Tinha ido ao Camões comprar tinta branca, que se está a acabar. Aproveitei e - por puro capricho - comprei também um pincel. Não pinto retratos, e muito menos de homens como tu, de bigode arrebitado. Bigode arrebitado usava-se no início do século passado, quando não sei porquê ainda se tinha a ilusão de que o corpo pode melhorar com artifícios. Acho que neste século já pouca gente recorre a complicados artifícios, preferindo o conforto e a naturalidade. Com a tinta branca, não conseguiria retratar o teu bigode, poderia antes, se fosse pessoa de pintar retratos, retratar as barbas branquinhas do Pai Natal. Talvez um dia venha a descer o Chiado e me cruze com o Pai Natal a subir, e ele olhe para mim e me ofereça alguma coisa que me esteja a fazer falta. Sinceramente, tu e o teu bigode não me fazem falta. E eu a ti também não devo fazer falta nenhuma. O olhar de um homem como tu para uma mulher como eu deve ter o mesmo tempo de duração que a memória de um peixe de aquário.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Nani

Parabéns a você, nesta data felina ...
Terceiro aniversário da gata mais mimada do prédio, quiçá do Universo.