Há um filme juvenil, na temática do fantástico, que a mim me deixa algo deprimida.
Já não tenho presente todo o enredo, mas ficou-me a excelente ideia do autor em retratar as crianças como sendo cada uma delas acompanhada do seu 'génio', ligadas a ele por um elo invisível com manifestações físicas, representado por uma imagem de animal de estimação como um gato, rato, esquilo, pardal ou outro do género. Na história o 'génio' de uma criança não tinha uma forma estável, podia, por exemplo, oscilar entre a forma de uma marta e a de um gato doméstico, consoante o estado de conforto e de confiança da criança. O 'génio' fala a linguagem humana, e alerta a criança para perigos que lhe são visíveis pelo comportamento dos 'génios' dos adultos, no fundo fazendo uma verbalização daquilo que a criança instintivamente sente.
Os adultos tinham 'génios' perfeitamente definidos, representados por animais como pumas, panteras, lobos, corujas, ou no caso da personagem mais demoníaca, um macaco de pelo dourado e de semblante ameaçador e cínico.
É aflitivo o propósito dos adultos que têm poder naquele mundo : eles criaram um laboratório para desenvolver um procedimento para separar as crianças dos seus 'génios', com o objectivo de poderem dominá-las mais facilmente. Pretendem conseguir fazê-lo mantendo as crianças vivas, mas as primeiras experiências resultam na morte ou na profunda depressão da criança a quem foi 'extraído' o seu 'génio'.
São aliados das crianças uma organização de resistência constituída pelos pais e mães de algumas das crianças já raptadas, que viajam numa caravela voadora, as fadas milenares sempre jovens e um exército de ursos polares de armaduras possantes.
Vamos manter-nos atentos para que não tentem fazer-nos o mesmo.