segunda-feira, 27 de maio de 2013

Reflexões de uma idiota

Se se investisse tanto nos sectores primários da economia como se investe em futebol, tinhamos a crise praticamente resolvida. Estava a ler o jornal e a visualizar as vidas dos barões do futebol, em como o dinheiro dos bancos lhes é facultado em avultados empréstimos, em como esse dinheiro se multiplica por artes mágicas, direi mesmo artes altamente voláteis, em como logo se lhes abrem lobbys financeiros duvidosos, enfim, números enormes, que como estranhamente dizia um nosso distinto economista, são números tão enormes que escapam às nossas grandezas de raciocínio. Sim, era um economista dos nossos dias a falar ... já nem as pessoas que foram formadas para nos ajudarem a controlar os números têm o número de dígitos no seu raciocínio suficientes para fazerem contas de cabeça ...

terça-feira, 21 de maio de 2013

Vidas

Naquele relvado junto a um prédio austero e deserto costuma estar sentado, encostado à parede, um sem-abrigo.
Passo de comboio e avisto-o da janela.
Hoje não está sozinho. Um cão vadio rebola-se na relva, contente com as festas que o homem lhe oferece.
É uma visão inusitada para estas manhãs, tão cêdo, em que quem vai de comboio se prepara para encarar mais um dia de trabalho.
O sem-abrigo aproveita a manhã preenchendo o seu tempo e o do cão com assuntos deveras importantes : respirar a natureza, gozar o sol, construir a amizade, viver a vida.
Não chego ao ponto de o invejar, a sua vida é seguramente duríssima, mas deixa-me a sentir a responsabilidade de assegurar a  utilidade da minha vida.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

'Há dias em que não se deve sair de casa ...'

Tudo bem, com a minha idade era de esperar que já soubesse lidar com a maioria das situações. Ultrapassar todas as frustrações. Mas afinal, todos os dias me surpreendem situações novas, sentimentos novos, outros antigos mas com o mesmo peso, ou com as mesmas alegrias, altos e baixos.
O que vale é que na maioria dos dias em que há baixos, também há altos. 
Falta-me acreditar sempre na alegria, aprender a acreditar na bonança a seguir a cada tempestade, descartar rápidamente o lixo.
Hoje recuei a 9 de Maio de 2011. Voltei a uma noite nas urgências, mas aí chegada encontrei-me com uma recordação querida. Inexplicavelmente a lembrança triste suavizou-me o dia.
Mas como era inevitável, termino a tarde com lágrimas. 
Cansaço.
Espero que a noite me traga sorrisos e energia.

sábado, 18 de maio de 2013

Sábado, 7 da manhã, comboio Cascais - Cais-do-Sodré

O comboio de manhã cêdo ao sábado tem uma paisagem diferente. Paisagem de olhar para dentro.
As carruagens estão práticamente vazias.
Um polícia debruça-se sobre um banco à minha frente, e surge de lá um adolescente que estava a dormir a ressaca de sexta à noite. Mas não pode. "Vá lá, chefe, sente-se bem ?".
O comboio vai sem pressa, a parar em todas as estações.
Ao sábado de manhã não se tem pressa.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

À nossa

O vinho estava geladinho, e o copo estava iluminado de tons amarelo claro, brilhante. Lembrei-me que dava uma tela interessante de construir.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Caça à borboleta-traça em quentes madrugadas

"Quando acordo pelas cinco da manhã, nestas manhãs amenas, tenho um objectivo definido : caçar borboletas-traça que caem na asneira de voar pela varanda. No fundo faço como com as moscas : agarro-as com as mãos, ponho-as na boca, e levo para a cozinha. 
Aí é uma festa ! A borboleta anda doida, a 'mãe' ouve barulho e vem à cozinha, vai buscar o mata-moscas, e caçamo-la as duas ! 
Depois vou lá fora à procura de mais, mas só costuma haver uma por madrugada."
- a gata Nani -

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A placidez dos velhos

Parece-me que começo agora a descobrir o segredo da placidez da maioria dos velhos. 
Talvez porque  cheguei finalmente à idade adulta. Ao mesmo tempo deixei para trás muitas preocupações com os outros que não sejam os que me estão mais próximos. Aceito agora que não posso agradar a todos, tal como nem todos me agradam.
A placidez dos velhos, parece-me, vem da capacidade de apreciar o canto dos pássaros pela manhã. Vem de conhecer-se antecipadamente a imprevisibilidade do tempo. 
Vem de saber-se despreocupadamente quando se deve regar uma planta.
A placidez dos velhos é o conforto dos netos.
Vem de se abraçar o caminho e de se aceitar o fim do caminho.

terça-feira, 30 de abril de 2013

E dos confins dos tempos ...


Santana - Samba pa ti

Zapava ontem a Zon, passei por um 'Casos Arquivados'. Que série seria mais apropriada para conter uma música da minha adolescência. 
Muitos namoros foram curtidos neste som.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sopinhas

Outra sopinha surpreendente do refeitório Hare Krishna é um consomé fininho de abóbora e gengibre, talvez um pouco de cebola, com um inesperado toque de sumo de limão ou laranja, não tenho a certeza.
Picante. Exótico.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

"25 de Abril sempre"

Um escaravelho gozava, imóvel, muito lampeiro, a sombra do nosso guarda-sol. Esta tarde a praia está quentinha, de fazer lembrar Agosto. Ou, vamos lá, Julho. E o escaravelho entre as nossas cadeiras de praia, que sim 'tá-se bem.
Cheguei a pensar dar-lhe uma migalha do pão que trouxe do almoço para dar aos pardais, mas pensei : "Miuxa, então ? Não se adoptam escaravelhos ! Cai na real ...".
Pelo canto do olho vi uma manchinha escura a aproximar-se, um fininho turbilhão na areia do outro lado. Olhei, e em simultâneo a manchinha imobilizou-se. Disfarça mal, é outro escaravelho.
Atirei-lhe areia mas não se mexeu. A sombra do nosso guarda-sol parece ser muito convidativa.
Subindo veloz pela minha toalha, uma pequeníssima aranha a dar-se ares de tarântula : pernas gordas e arqueadas deslocando-se em modo dominó. 
Assustei-me ! O Cavaleiro Andante veio logo em defesa da sua amada e deu um piparote na desgraçada aranha.

Moral da história : só aqueles que, como o escaravelho, nunca ouviram falar de presos políticos ou de tortura do sono é que gozam com displicência uma sombra amena num quente dia de praia.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Niky, cão-guia

É como vos dizia outro dia : distrair Niky pode ser prejudicial para o seu dono invisual.
Esta manhã, foi o próprio Niky que se distraiu com uma miúda gira ! Atravessou as cancelas do metro com o seu dono ao lado, e desviou-se perigosamente do seu caminho para ir cheirar ou pedir festas a uma adolescente magrinha muito gira que estava parada à espera das amigas ... o dono apercebeu-se do desvio, chamou-o com energia, e Niky lá endireitou a rota para as escadas do metro.
Trabalho duro.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sopinha à moda do refeitório Hare Krishna

É uma experiência muito interessante, uma refeição servida num páteo ajardinado nas traseiras interiores de um prédio antigo de Lisboa. Também tem mesas dentro de casa.
Em alguns dias a sopinha é uma espécie de caldinho ralinho, à base de pouca cenoura, pouca cebola, muitas lentilhas castanhas com casca e uma pitada de sal e, muito importante : uma pitada de cominhos. Tudo desfeito. Já fiz em casa e pus também azeite. Não é nada vulgar.
É servido um menu único por dia, de comida vegetariana : sopa, chá, prato e sobremesa. Pode pedir-se para repetir qualquer dos componentes da refeição.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

"Eu agora gostava de ir para as Caraíbas" disseram aqui na minha sala

Há estradas que se encontram e há estradas paralelas.

Há estradas que começam e não se consegue chegar ao seu fim,
e há estradas que terminam abruptamente.

Há estradas que recomeçam mais à frente depois de um descampado que descansa no caminho.

Há estradas que não levam a lado nenhum,
e há estradas que nos levam onde desejamos chegar.

Há quem nos acompanhe toda a estrada, há quem se junte a nós a meio do caminho.
Há quem nos deixe antes do fim da estrada, e há quem siga uma estrada diferente.

Uma boa estrada sustenta sempre os nossos passos.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Domingo de Páscoa

Há certos dias que parecem não estar a contar connosco. 
Vamos desembrulhando o dia e pouco parece acontecer no sentido de crescermos e tornarmo-nos mais felizes.
Sentimos a humidade extrema e o cinzento pesado, dirigem-nos meias-frases desagradáveis e nada parece estar no lugar certo.
Que fazer com esses dias ?
Esquecer ?
Ou antes pedir para ter oportunidade de desembrulhar outro, e rezar para que venha também em nosso nome.

quinta-feira, 28 de março de 2013

quarta-feira, 27 de março de 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

Rosas de Sta. Teresinha




Chove de tristeza e de alegria em gotas cheias
A saudade enche o céu de nuvens escuras
As nuvens partilha-as com quem mais lhe quer
Fica o orvalho nas rosas mais puras


sexta-feira, 22 de março de 2013

Neil Diamond


Fernão Capelo Gaivota

Foi neste momento da minha adolescência, em que vi Jonathan Livingstone Seagull e gostei, que me deixei render à evidência de que sou uma pessoa foleira.
Todos diziam que gostar de Neil Diamond era foleiro.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Uma 'coisa' de cerejas

Estava a consultar o site Flagrante Delícia, e a receita de bolo de laranja com morangos fez-me lembrar uma experiência minha, em 2010, com cerejas, que não ficou nada mal, e que postei no site Petiscos.com. A receita é a seguinte : 

Uma tigela de sopa cheia de cerejas descaroçadas inteiras
3 ovos
4 colheres de sopa de açucar
1 yogurte Danone cremoso aroma de morango
4 colheres de sopa de farinha self-raising
1 colher de chá de fermento em pó Royal
1 tarteira de loiça barrada de manteiga Becel e polvilhada de açucar

"Procurei uma receita de tarte de cerejas para não correr o risco de desperdiçar um quilinho a mais de cerejas que comprei ontem. Com base no que encontrei da pesquisa do Google, porque aqui no fórum não encontrei (...) adaptei esta 'coisa' de cerejas. Arrisco em colocá-la aqui porque houve quem aprovasse por razões diversas, principalmente por não ser muito dôce. Mas se quiserem mesmo dôce acho que podem reforçar a dose de açucar. Faltou talvez também uma pitada de sal na massa.
Comecei por besuntar a tarteira com Becel e uma pitada de açucar, e descarocei as cerejas que espalhei  no fundo de maneira a que ficassem uns estreitos intervalos para depois levar a massa.
Bati com uma vara de arames 3 ovos inteiros com 4 colheres de açucar. Juntei o yogurte e bati mais um bocado. No fim a farinha e o fermento. Espalhei a massa na tarteira por entre as cerejas.
Esteve 45 minutos em forno de 180º, para crescer e acastanhar.
Antes de servir passou pelo frigortífico."

terça-feira, 19 de março de 2013

Bailarina


Eu era miúda, e por horas esquecidas no sótão dos meus Pais folheava revistas Paris Match do início dos anos 60. O assassinato de Kennedy, Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Ursula Andress, James Dean. A minha Mãe autorizou-me a recortar imagens de que gostasse para forrar cadernos, dossiers,  caixinhas de lápis ou outras coisas assim. Um dos recortes que escolhi era uma foto de uma bailarina antes de entrar em cena. Uma foto tratada com filtros que resultava numa imagem difusa toda em tons de rosa velho. 
Escolhi esse recorte e guardei-o numa pasta de desenhos, com a ideia de que, se algum dia viesse a pintar, aquela seria a minha obra prima.
Guardei o recorte até que por volta dos meus trinta anos deixei de acreditar que algum dia viesse a pintar, e abandonei o meu sonho numa daquelas limpezas de Primavera de que mais tarde ou mais cedo nos arrependemos. Deitei fora o recorte e mais algumas peças da minha história. 
Quis o destino que o meu sonho viesse ao meu encontro em 2006, mas já não tenho o recorte.
Este fim de semana, não sei que espíritos consegui invocar, mas, sentada e completamente entregue à sorte, saiu da minha esferográfica uma imagem muito aproximada daquele recorte da minha adolescência.
Irei fazer pelo menos uma tentativa em óleo sobre tela.

segunda-feira, 18 de março de 2013

quinta-feira, 14 de março de 2013

Reflexões de uma idiota

Estamos mais habituados a criticar fortemente os aspectos negativos de certas situações do que a dar relevância aos seus aspectos positivos.
Falava-se hoje no Papa, e a conversa foi parar aos actos de solidariedade publicitados nos media. Alguém dizia que achava hipócrita a maneira como é feito o aproveitamento mediático das diversas acções de solidariedade.
A mim parece-me mais apropriado que se dê relevância à própria existência de pessoas que empregam o seu tempo a dedicar-se ao bem dos outros, e que se deve reconhecer que a publicitação dessas acções pelos media podem despertar novas vocações, angariar novos voluntários. O resto são efeitos colaterais na maior parte das vezes inevitáveis, devido à própria natureza humana.
O acto isolado e anónimo é sempre mais um, mas há necessidades generalizadas que têm de ser supridas através de campanhas organizadas, e de procedimentos regulares também organizados.
Já temos Papa, Francisco I.
Sejamos positivos.

terça-feira, 12 de março de 2013

Acampamentos na sala

Não sou pessoa com apetite e skills adequados para acampar. Mas faço uma espécie de acampamentos em casa ... Proibi toda a gente de me acordar ao fim das noitadas de televisão que me deixam invariavelmente KO. Optei por ajeitar um amontoado de colchões de espreguiçadeiras no chão da sala, para me preparar para os efeitos analgésicos da luz e dos sons de episódios repetidos de CSI ou Castle, Mentes Criminosas ou Investigação Criminal. 
Fiquei um pouco surpreendida com a indicação daquela médica especialista em questões do sono, que costuma aparecer na televisão. Ela diz que adormecer em frente do televisor não é um comportamento normal ... Deverei preocupar-me ?
De qualquer maneira, quem me acompanha é a gata Nani. Se durmo na sala fica também a dormir na sala enroladinha num sofá.

quinta-feira, 7 de março de 2013

Dona Turtle

Tem andado a rondar-nos, ao fim da tarde, na cozinha. Como já aprendemos, damos-lhe só água porque ela está ainda a hibernar. Ou assim pensávamos : esta semana começou a comer desalmadamente. 
O fim deste Inverno está muito frio, mas aparentemente Dona Turtle guia-se pelo calendário e não pelo termómetro.
Ontem eu estava na cozinha, com um joelho no chão para arrumar umas coisas, e quando dei por ela Dona Turtle estava atrás de mim a cheirar-me o calcanhar. Parece ser tão curiosa como a gata Nani.