sexta-feira, 12 de julho de 2013

Vidas de risco

Comentava eu com a minha amiga Bi que, por exigências da minha profissão nestes últimos dias, sinto-me hoje como se me tivesse passado um comboio por cima. E ela em resposta contou-me a história do passarinho. E é assim :
"Ia um passarinho caminhando pela linha de comboio quando de repente ficou com o pézinho preso ao carril. Puxava o pézinho mas estava preso com uma pastilha elástica. E o passarinho rogava pragas a quem tinha deitado para ali a pastilha elástica, esforçava-se por soltar o pézinho, mas nada. Entretanto começa a ver ao longe o comboio a aproximar-se, e ele a esforçar-se por sair do carril, e nada. Então o passarinho desiste dizendo: - Que se lixe, fiz tudo o que estava ao meu alcance. Se descarrilar descarrilou !".
Senti-me logo pronta para outra.

terça-feira, 9 de julho de 2013

Calor abrasador

Estes últimos dias as temperaturas chegaram aos 40ºC sem qualquer brisa refrescante. Um bafo de fôrno na rua, pouco alívio dentro de casa sem ar condicionado.
A Nani estranhou tanto calor, e tivemos de andar atrás dela com o bebedouro para a motivar a beber água de vez em quando porque nem tinha ânimo para ir à cozinha beber.
Hoje parece que já está mais fresco.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Mais uma sopinha com tomate

Com os restos de legumes no frigorífico fiz uma sopinha boa.
Meia courgette com casca, duas cenouras médias, três tomates chucha sem pele nem graínhas, uma rodela de cebola, três pézinhos de salsa, sal e uma pitada de cardamomo em pó.
Cobri de água, ferveu até os legumes ficarem macios, juntei um bom fio de azeite, e passei com a varinha mágica.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Parece que finalmente chegou o Verão

Trinta e muitos graus nesta última semana de Junho, noites quentes. Parece que finalmente chegou o Verão.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Bolo das borbulhas

Tenho ideia que a minha sogra não era muito de doces. A sobremesa que ela mais fazia eram os pudins mandarim, bem bons por sinal : ela fervia o leite com cascas de limão, toque que não vem na receita, e punha em pequenas formas de 'flanzinhos' forradas de caramelo líquido. Faço muitas vezes esses pudins, e costumo pensar nela quando os faço.

Fazia este bolo de vez em quando, e eu bem gostava.
1ª massa
150 g açucar
150 g margarina
3 ovos inteiros
200 g de farinha com fermento
2ª massa
150 g açucar
150 g margarina
200 g de farinha com fermento
Recheio
fatias de marmelada

Mistura-se a primeira massa, sem bater as claras, tudo bem misturado.
Deita-se num tabuleiro médio (de onde irá a servir) barrado de margarina.
Cobre-se com fatias de marmelada.
Mistura-se a segunda massa com as mãos, e espalha-se por cima da marmelada, sem tentar misturar porque ela depois derrete no forno.
Vai a forno de 180º cerca de uma hora, até ficar bem coradinho. 
Corta-se as fatias como no bolo inglês.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Hoje estou outra vez numa de revivalismo ...

Jesus Christ Superstar - Maria Madalena

Sopa de tomate com ovo escalfado - uma dose

Ontem peguei num fervedor inox, pus no fundo um pouco de azeite, duas rodelas de cebola cortadinhas, três tomates chucha médios sem pele e sem graínhas cortados em pedacinhos. Temperei de sal e uma pitada de açucar. Deixei refogar ligeiramente e acrescentei uma chávena grande de água. Ficou a ferver em lume brando.
Quando a cebola estava transparente e o tomate a desfazer-se, passei com a varinha mágica. Pus de novo a ferver para escalfar dentro um ovo, virando-o cuidadosamente para não pegar ao fundo. Também se pode escalfar o ovo à parte, em água a ferver, em cima de uma escumadeira para depois o escorrer e passar para o prato de sopa.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Sopinha pa mim

Tenho agora um 'caneco' de inox, que tenho utilizado para fazer sopinhas de recurso em dias em que só eu é que quero sopa. 
Fiz outro dia um creminho com um pedaço de cebola que tinha sobrado de uns outros cozinhados, uma cenoura média, e um pedaço de courgette com casca. Uma pitada de sal, ferveu o tempo suficiente para cozer os legumes, um fio de azeite, e passei para o copo da varinha mágica para fazer em creme. Deu para dois pratinhos de sopa.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Fotos de telemóvel



Estes são dois excertos do meu mais recente quadro, embora a foto não corresponda bem ao original. Como acontece com todos os meus novos quadros, estou naquela fase de 'apaixonamento' pela minha própria obra. 
Sou uma pessoa que não se olha muito ao espelho, mas quando chega aos meus quadros, passo tempos infinitos a contemplá-los, tipo   "... e pensar que isto saiu de dentro de mim ...".  Nunca tive segura convicção de que seria possível.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Primavera invernosa

Dizem que há mais de 180 anos que não havia registo de uma Primavera tão chuvosa e fria. Muito inconstante, uma semana chuva e frio, outra semana calor e sol forte. 
O corpo ressente-se, a cabeça também não me parece muito tranquila. Esta manhã cruzei-me com várias pessoas que falavam sozinhas. Não, não tinham auriculares de telemóvel, estavam mesmo perturbadas, penso eu que devido ao tecto de nuvens escuras que tapou o céu nesta manhã cheia de chuva miudinha, envolvendo-nos num pesado calor mole.
Já não bastava a crise.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Estava lá guardado


Nem vale de lágrimas nem mar de rosas. São 30 anos de partilha, muitas arrelias e muitas alegrias, bastante telepatia, cedências e compromissos, uma grande parte da vida em conjunto.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Mais mimos de infância - croquetes de batata

Refogar em azeite e cebola picadinha carne de vaca picada (pode ter porco misturado). Temperar com sal, noz moscada, molho inglês, e um pouco de polpa de tomate. Deverá ficar sem líquido quase nenhum.
Fazer um puré de batata, grosso e seco, temperado a gosto. Deverá ficar de modo a poder ser moldado com as mãos.
Espalmar um bom bocado de puré na mão, em forma de bolacha grossa, rechear com uma colher de picado de carne, e moldar em croquete gordo, a batata por fora e o picado por dentro.
Fazer assim vários croquetes grandes, e dispor num tabuleiro, para repousar meia hora.
Na altura de servir, passar por ovo batido e pão ralado, e fritar em óleo bem quente para dourar a capa.
Servir com uma boa salada verde !

quarta-feira, 5 de junho de 2013

'Ó Mãe, tou com saudades de bacalhau assado!'

Duas postas altas de bacalhau congelado demolhado. Descongelar mergulhadas em leite com uma colher de café de noz moscada, durante pelo menos duas horas.
Cozer ligeiramente 12 batatinhas com casca para assar.
Num tabuleiro pirex cobrir o fundo com rodelas de cebola, colocar em cima as postas de bacalhau, cortar 4 dentes de alho em rodelinhas fininhas e espalhar por cima, colocar as batatinhas em volta, regar tudo generosamente com azeite Galo clássico, e levar ao forno de 180º durante cerca de uma hora. Na parte final subir o forno para 220º para dourar.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Seis

Sempre considerei o número seis um número simpático e aconchegante, uma espécie de berço seguro. 
Mas a dada altura chamaram-me a atenção para as alegadas atribuições negativas associadas a esse número. 
Fiquei desconfiada, mas nunca convencida.
Continuei a acreditar na afabilidade, inocência e resiliência do número seis.
Ontem fiquei muito contente ao ver num episódio de 'Touch' um diálogo em que um rabino dizia que o número seis é o número do Amor e da Cura.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Escaganifobeticamente fã !

Esqueci-me de vos contar, mas lembraram-me num blog ali ao lado a notícia sobre "o prémio Camões para o escritor Mia Couto" 
Já vos contei sobre a sua voz calmíssima, as suas respostas-histórias no encontro a que assisti, o encantamento de estar na mesma sala e ao mesmo tempo sozinha em mim num envolvimento de véus de magia.
E não é só a mim que Mia Couto encanta.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Reflexões de uma idiota

Se se investisse tanto nos sectores primários da economia como se investe em futebol, tinhamos a crise praticamente resolvida. Estava a ler o jornal e a visualizar as vidas dos barões do futebol, em como o dinheiro dos bancos lhes é facultado em avultados empréstimos, em como esse dinheiro se multiplica por artes mágicas, direi mesmo artes altamente voláteis, em como logo se lhes abrem lobbys financeiros duvidosos, enfim, números enormes, que como estranhamente dizia um nosso distinto economista, são números tão enormes que escapam às nossas grandezas de raciocínio. Sim, era um economista dos nossos dias a falar ... já nem as pessoas que foram formadas para nos ajudarem a controlar os números têm o número de dígitos no seu raciocínio suficientes para fazerem contas de cabeça ...

terça-feira, 21 de maio de 2013

Vidas

Naquele relvado junto a um prédio austero e deserto costuma estar sentado, encostado à parede, um sem-abrigo.
Passo de comboio e avisto-o da janela.
Hoje não está sozinho. Um cão vadio rebola-se na relva, contente com as festas que o homem lhe oferece.
É uma visão inusitada para estas manhãs, tão cêdo, em que quem vai de comboio se prepara para encarar mais um dia de trabalho.
O sem-abrigo aproveita a manhã preenchendo o seu tempo e o do cão com assuntos deveras importantes : respirar a natureza, gozar o sol, construir a amizade, viver a vida.
Não chego ao ponto de o invejar, a sua vida é seguramente duríssima, mas deixa-me a sentir a responsabilidade de assegurar a  utilidade da minha vida.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

'Há dias em que não se deve sair de casa ...'

Tudo bem, com a minha idade era de esperar que já soubesse lidar com a maioria das situações. Ultrapassar todas as frustrações. Mas afinal, todos os dias me surpreendem situações novas, sentimentos novos, outros antigos mas com o mesmo peso, ou com as mesmas alegrias, altos e baixos.
O que vale é que na maioria dos dias em que há baixos, também há altos. 
Falta-me acreditar sempre na alegria, aprender a acreditar na bonança a seguir a cada tempestade, descartar rápidamente o lixo.
Hoje recuei a 9 de Maio de 2011. Voltei a uma noite nas urgências, mas aí chegada encontrei-me com uma recordação querida. Inexplicavelmente a lembrança triste suavizou-me o dia.
Mas como era inevitável, termino a tarde com lágrimas. 
Cansaço.
Espero que a noite me traga sorrisos e energia.

sábado, 18 de maio de 2013

Sábado, 7 da manhã, comboio Cascais - Cais-do-Sodré

O comboio de manhã cêdo ao sábado tem uma paisagem diferente. Paisagem de olhar para dentro.
As carruagens estão práticamente vazias.
Um polícia debruça-se sobre um banco à minha frente, e surge de lá um adolescente que estava a dormir a ressaca de sexta à noite. Mas não pode. "Vá lá, chefe, sente-se bem ?".
O comboio vai sem pressa, a parar em todas as estações.
Ao sábado de manhã não se tem pressa.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

À nossa

O vinho estava geladinho, e o copo estava iluminado de tons amarelo claro, brilhante. Lembrei-me que dava uma tela interessante de construir.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Caça à borboleta-traça em quentes madrugadas

"Quando acordo pelas cinco da manhã, nestas manhãs amenas, tenho um objectivo definido : caçar borboletas-traça que caem na asneira de voar pela varanda. No fundo faço como com as moscas : agarro-as com as mãos, ponho-as na boca, e levo para a cozinha. 
Aí é uma festa ! A borboleta anda doida, a 'mãe' ouve barulho e vem à cozinha, vai buscar o mata-moscas, e caçamo-la as duas ! 
Depois vou lá fora à procura de mais, mas só costuma haver uma por madrugada."
- a gata Nani -

sexta-feira, 3 de maio de 2013

A placidez dos velhos

Parece-me que começo agora a descobrir o segredo da placidez da maioria dos velhos. 
Talvez porque  cheguei finalmente à idade adulta. Ao mesmo tempo deixei para trás muitas preocupações com os outros que não sejam os que me estão mais próximos. Aceito agora que não posso agradar a todos, tal como nem todos me agradam.
A placidez dos velhos, parece-me, vem da capacidade de apreciar o canto dos pássaros pela manhã. Vem de conhecer-se antecipadamente a imprevisibilidade do tempo. 
Vem de saber-se despreocupadamente quando se deve regar uma planta.
A placidez dos velhos é o conforto dos netos.
Vem de se abraçar o caminho e de se aceitar o fim do caminho.

terça-feira, 30 de abril de 2013

E dos confins dos tempos ...


Santana - Samba pa ti

Zapava ontem a Zon, passei por um 'Casos Arquivados'. Que série seria mais apropriada para conter uma música da minha adolescência. 
Muitos namoros foram curtidos neste som.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Sopinhas

Outra sopinha surpreendente do refeitório Hare Krishna é um consomé fininho de abóbora e gengibre, talvez um pouco de cebola, com um inesperado toque de sumo de limão ou laranja, não tenho a certeza.
Picante. Exótico.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

"25 de Abril sempre"

Um escaravelho gozava, imóvel, muito lampeiro, a sombra do nosso guarda-sol. Esta tarde a praia está quentinha, de fazer lembrar Agosto. Ou, vamos lá, Julho. E o escaravelho entre as nossas cadeiras de praia, que sim 'tá-se bem.
Cheguei a pensar dar-lhe uma migalha do pão que trouxe do almoço para dar aos pardais, mas pensei : "Miuxa, então ? Não se adoptam escaravelhos ! Cai na real ...".
Pelo canto do olho vi uma manchinha escura a aproximar-se, um fininho turbilhão na areia do outro lado. Olhei, e em simultâneo a manchinha imobilizou-se. Disfarça mal, é outro escaravelho.
Atirei-lhe areia mas não se mexeu. A sombra do nosso guarda-sol parece ser muito convidativa.
Subindo veloz pela minha toalha, uma pequeníssima aranha a dar-se ares de tarântula : pernas gordas e arqueadas deslocando-se em modo dominó. 
Assustei-me ! O Cavaleiro Andante veio logo em defesa da sua amada e deu um piparote na desgraçada aranha.

Moral da história : só aqueles que, como o escaravelho, nunca ouviram falar de presos políticos ou de tortura do sono é que gozam com displicência uma sombra amena num quente dia de praia.