Estava ontem a dizer a um amigo meu que tenho tendência
para, quando não percebo bem uma situação, entro em ‘modo Conto de Fadas’, e
confio que a situação está implementada da forma mais bonita e que tudo acaba
em bem. Foi assim com os bilhetes e passes de Metro e CP.
Um dia fiquei com um pré-pago com algum carregamento mas
renovei o passe porque o carregamento não me ia chegar para o dia todo e eu não
ia passar em local de renovação do passe durante as deslocações planeadas.
Perguntei a mim própria : ‘Hm, o que fará ‘o sistema’ quando
lhe passar com a carteira contendo ambas as formas de pagamento ? Será
suficientemente honesto para reconhecer o passe e ignorar o cartão pré-pago ?’.
Essa dúvida seguiu-se de uma experiência que me custou o carregamento que tinha
no pré-pago. ‘O sistema’ ignorou que o passe me validava o acesso e foi ao
pré-pago descontar-me a viagem.
Claro que a maioria das pessoas me diria : ‘Miuxa, és muito
estúpida, é claro que não podes passar o cartão e o passe ao mesmo tempo ! Ele só lê o primeiro que detecta !’, é
uma questão de senso comum. Mas eu acho que é porque a maioria das pessoas não
acredita em Contos de Fadas. E não sabem escrever Contos de Fadas.
Aliás, provando que ‘o sistema’ é suficientemente
inteligente para o que lhe convém, passei ontem ao mesmo tempo um cartão
pré-pago com carregamento e o passe fora da validade, e ‘o sistema’ recusou a minha
passagem. Neste caso deu prioridade ao passe inválido, podendo induzir-me em
erro de pensar que não tinha acesso válido e que tinha de carregar o cartão que
se encontrava afinal carregado.
P.S. --- ‘O sistema’ é aquela entidade-almofada que fica
entre o utilizador e o programador menos rigoroso …