Comecei este sábado a executar a encomenda. Afinal não vai ser um super-Le-Parc-Monceau porque a cliente pediu orquídeas.
Andei toda a semana a matutar na composição, o que faria como fundo, o que acompanharia as orquídeas, onde ir buscar modelos. No sábado já tinha no pensamento uma imagem esquemática mas ainda difusa do quadro.
Levantei-me cedo, ainda dormiam, incluindo a Nani que estava enrolada no sofá. Trouxe a tela para a sala, montada no cavalete para ensaiar as idas e vindas do quadro, entre a marquise onde ponho os quadros a secar e a sala onde os pinto, de maneira a que depois de começado não pintasse as paredes e móveis com ele. Devido às grandes dimensões da tela (1m x 0,73m), estas deslocações têm de ser planeadas.
Estendi o 'atelier' em cima da mesa. O 'atelier' sai de dentro de uma caixa de brinquedos, e consiste num plástico grande e grosso para proteger o tampo da mesa, frascos de terbentina e de óleo de linho, um frasco com terbentina usada para lavar os pincéis, papel de cozinha, espátulas para misturar as tintas na paleta, a paleta forrada de papel de alumínio, as tintas, os pincéis e um avental/bata para proteger a roupa. Umas fotografias de orquídeas e de outros elementos, e um alicate para quando os tubos de tinta se recusam a abrir.
Comecei por preparar a côr para o fundo, e depois foram cerca de 3 horas em que me abandonei às formas, às cores e às texturas da mesma maneira que uma criança se abandona numa brincadeira de bonecas, com vestidos, móveis, tachinhos e chávenas de chá.
Não dei por o tempo passar. Espero que venha a dar tanto prazer vê-lo como está a dar-me pintá-lo.