Nas minhas viagens de comboio e metro, mais na ida pela manhã do que na vinda ao fim da tarde, algum jovem, ou até por vezes menos jovem, está vidrado no ecrã do seu telemóvel, polegar frenético arrastando coisas de um lado para o outro.
São bolinhas que se alinham em cores vivas, que explodem a uma velocidade alucinante, números que se agrupam e desaparecem arrumados nos buracos vazios do ciberespaço, bonequinhos tipo Mario que correm e saltam e fazem borbulhar números no fundo que rola por trás deles.
Ganham e perdem vidas, uuuuuooooossshhhhh !
Estão a fugir de alguma coisa ? Têm medo de alguma coisa ? Estão a desenvolver que tipo de skills ? O mundo real que os rodeia será, ao contrário do que os mais velhos se queixam, muito parado ? Viciam-se em emoções fortes ? Precisam de queimar tempo ?
Conseguem emocionar-se com um livro sensível ? Conseguem olhar em silêncio o sono de um bébé ? Conseguem respirar o marulhar das folhas verdes de uma árvore centenária ? Sabem que o mar continua a estender-se na praia no Inverno ?
Já olharam um gato nos olhos ?
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