Tivemos uma empregada que costumava dizer que era uma pessoa muito 'prevista', querendo significar que memorizava rostos com muita facilidade.
Lembrei-me disto, porque ontem, sentada no comboio, apercebi-me que depois de tantos anos de viagens naquele percurso - desde os meus 9 anos, já tenho agora mais de 50 - a maioria dos rostos que vejo no comboio são para mim desconhecidos, nunca vistos.
Tirando umas duas ou três pessoas, as outras parece-me terem brotado novinhas em folha de alguma dimensão de criação, todos os dias rostos novos e desconhecidos.
Lembrei-me também de uma reportagem que explicava que o nosso reconhecimento de rostos pode ser bastante falível, possibilitando que como testemunhas acabemos por acusar convictamente um inocente que para nós é o rosto chapado de um criminoso cujo crime presenciámos.
Também identifiquei a situação com aquelas imagens em movimento rápido que ilustram os padrões de movimento das pessoas, fazendo lembrar carreiros de formigas.
Estejam descansados, parece que pela minha parte, serão quase todos sempre inocentes.

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