quinta-feira, 24 de julho de 2014

De encher o coração

É uma alegria infantil, que me une ao Zezo em gostos de ternura, procurar conchas na praia sempre que estamos com tempo para preguiças. 
Parece-me uma oportunidade de comunhão com alguns dos amores da minha vida. Alguns já partiram.
Encontrar uma grande madre-pérola branquíssima no primeiro dia de praia, ou pensar como seria engraçado encontrar mais uma orelha-do-mar e ela aparecer com uma onda de espuma fresca e transparente. Sinais.
Um búzio-beijinho encontrado pelo Zezo mesmo na pocinha em que ele esperava encontrá-lo. Ternura.
De outro modo, a Lau procurava amigas na praia, lembrava-se que eu costumava andar por ali algumas vezes. E acabou por encontrar-me, sentada numa cadeira de praia, à sombra de um chapéu-de-sol.
"Finders, keepers".

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Fumar é lixado

Logo pela manhã, sentado à minha frente no metro, um homem jovem sacou com a mão direita uma caixa metálica da sua mala, que estava pousada no chão aos seus pés, e com a esquerda pegou num saco fechado de tabaco. Enquanto segurava a máquina de enrolar cigarros com uma mortalha na mão direita, não conseguia abrir o saco de tabaco com a esquerda. Seguiu-se uma luta de gestos que lá acabou em sucesso. Cerca de um minuto decorrido. Mas faltava ainda o filtro. Com a mão esquerda voltou a abrir a mala e pegou num saquito de plástico cheio de filtros brancos. Mais uns momentos de ginástica, um filtro caiu ao chão e para lá ficou, mas outro acertou na caixa de enrolar cigarros. 
Ao fim de cerca de dois minutos lá saiu pela ranhura um cigarro.
Como se estivessem ao desafio, a rapariga ao meu lado abriu a malinha que tinha no colo e pegou numa espécie de tubo de plástico azul, abriu-o longitudinalmente. Colocou na ranhura uma fila de tabaco que sacou de uma lata aberta dentro da malinha, abriu uma cigarreira metálica de onde tirou um 'esqueleto de cigarro' com mortalha e filtro já montados e colocou-o na ponta do tubo azul fechado. Fez deslizar uma das metades sobre a outra e despejou o cigarro pronto na malinha. Em dois minutos já tinha 'montado' aí uns três cigarros.
Espero manter-me longe do meu antigo vício de dois maços de tabaco por dia.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Professora Vera

Vinha no comboio a pensar se a verdadeira explicação do empenho da Professora Vera na minha formação como 'criança bailarina' teve a ver com alguma influência social dos meus Pais. Mas na altura não foi isso que senti, e o efeito desse empenho parece-me que foi bem positivo.
Apesar de gordinha, eu 'bailarina criança' não era desajeitada de todo. Aprendia rápidamente os programas, esforçava-me por fazer os movimentos com o máximo rigor. Embora gozada no meio infantil por alguns dos colegas que além de me chamarem gorda viam o ballet clássico como uma coisa pirosa, era respeitada pelas amigas bailarinas e pela Professora Vera, que insistia em dar-me papéis relevantes no 'corpo de bailado' da escola. 
Para pianista da sala de aula e dos espectáculos da escola, tinha escolhido uma senhora com um rabo do tamanho de duas cadeiras (tinha uma cadeira especial), e com umas mãos sapudinhas, que interpretava aula após aula peças clássicas de renome, interrompidas e reiniciadas as vezes que fosse preciso, a sinal da Professora Vera com o seu varapau, para as repetições que as 'crianças bailarinas' tinham de fazer.
A Professora Vera esteve do meu lado (atrás da cortina do palco) até na ocasião de uma branca que me deu no início de um 'pas-de-deux' com a minha melhor amiga Janeca, fruto do calafrio de ver tantos pais e mães e outros familiares dos colegas de escola, bem como os próprios colegas, entre os quais alguns gozões, formando um público estranhamente atento e muito vasto  em proporção do meu tamanho. Depois de falhados os primeiros movimentos do 'pas-de-deux', apanhei o fio à meada, e estivemos as duas muito certinhas até ao fim, a Janeca e eu. Foi essa parte, da capacidade de recuperação, que a Professora Vera comentou comigo e com quem a quis ouvir, transformando o meu desaire num exemplo de dedicação e resistência !
Reflectindo agora nisso, foi uma das influências que me garantiu alguma resiliência, num mundo em que continuo a ter de lidar com ocasionais dissabores.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Capicuas

Em casa dos meus Pais, 'capicua' representava sempre uma boa onda. 
A minha Mãe estava sempre atenta às capicuas, fossem números de série das notas, datas, números de matrícula na escola, partes de números de telefone, numeração de qualquer tipo de facturas ou outros papéis, qualquer coisa. Quando as detectava, chamava a atenção do meu Pai, com um sorriso satisfeito e luminoso.
Apanhei essa mania com eles.
Este termo apareceu agora associado a uma música que me deixa com saudades da minha adolescência.  Se eu fosse capaz de compôr músicas, acho que gostaria de ter composto esta :


Capicua

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O verdadeiro amor

Tenho um colega divorciado, com filhos, que assistiu ao filme 'Maléfica' e concluiu que anda à procura de algo que não é possível encontrar, a saber : o verdadeiro amor entre um homem e uma mulher.
Fiquei a pensar que tenho de lhe dizer que o verdadeiro amor pode não ser aquele sentimento arrebatado de paixão, sexo louco e total submissão de um dos elementos do casal relativamente ao outro, que desconfio que é o que ele procura. 
Queria dizer-lhe que o verdadeiro amor poderá porventura ser um simples projecto, a dois ou mais elementos, com um grande empenho de todos os elementos nos ideais desse projecto, sem birras cortantes ou desistências, com equilíbrios por vezes mais tranquilos mas outras vezes mais atribulados, sem egoísmos desmesurados mas pelo contrário, com entreajuda e com ternura e cuidado pelos anseios uns dos outros.
Creio que esse é o verdadeiro amor, e que é possível.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Rostos

Tivemos uma empregada que costumava dizer que era uma pessoa muito 'prevista', querendo significar que memorizava rostos com muita facilidade.
Lembrei-me disto, porque ontem, sentada no comboio, apercebi-me que depois de tantos anos de viagens naquele percurso  -  desde os meus 9 anos, já tenho agora mais de 50 - a maioria dos rostos que vejo no comboio são para mim desconhecidos, nunca vistos. 
Tirando umas duas ou três pessoas, as outras parece-me terem brotado novinhas em folha de alguma dimensão de criação, todos os dias rostos novos e desconhecidos.
Lembrei-me também de uma reportagem que explicava que o nosso reconhecimento de rostos pode ser bastante falível, possibilitando que como testemunhas acabemos por acusar convictamente um inocente que para nós é o rosto chapado de um criminoso cujo crime presenciámos.
Também identifiquei a situação com aquelas imagens em movimento rápido que ilustram os padrões de movimento das pessoas, fazendo lembrar carreiros de formigas.
Estejam descansados, parece que pela minha parte, serão quase todos sempre inocentes.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Tomateiros de varanda

Este ano arrisquei uma experiência : plantar tomateiros em vaso na nossa varanda. 
Comprámos uns pézinhos de tomateiros xuxa, e escolhemos um vaso quadrado de 25cm x 25cm x 20cm. Depois de alguns cuidados de todos cá em casa na rega e no amparo dos 4 pés de tomateiros com uns galhos de ameixieira, foram aparecendo umas espevitadas flôres amarelas, e já apareceram uns tomatitos que podem ver na foto.
A Nani mostra-se muito orgulhosa das plantações na varanda, e os tomateiros estão tão altos que mais parece termos uma pantera numa zona florestal.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Salame de chocolate

Eu sou um bocado niquenta com o salame de chocolate, mas o salame de chocolate da Avó Filó, que se vende no Continente, não me desagrada totalmente. Mesmo assim, nada como a receita seguida pelo Filhote, recolhida por mim e pelas minhas irmãs junto de amigas de adolescência, e que da última vez foi feita assim :


200 g de açúcar
175g de manteiga  (comprei a normal com sal, do Pingo Doce)
200 g de chocolate em pó (cuidado, não são os pacotes de cacau, tem de ser chocolate)
4 gemas
200 g de bolacha Maria

A primeira parte faço com ajuda da colher de pau.
Misturar o açucar com a manteiga, sem a derreter. Com paciência, ela acaba por misturar-se no açúcar (as gemas a seguir vão ajudar).
Juntar as 4 gemas, misturando uma a uma.
Juntar o chocolate em pó, até se formar uma massa homogénea.

A partir daqui, é com as mãos (tire os anéis).
Partir as bolachas Maria em pequenos pedaços. Misturar o melhor possível, sem desfazer as bolachas.
Estender um bocado de papel de alumínio do comprimento de uma torteira, moldar com as mãos o salame, e fechar o papel bem justinho.
Pôr no frigorífico umas horinhas.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

PIB

Li num jornal respeitável uma notícia que anunciava que o INE vai passar a incluir nos valores que representam o PIB nacional 'actividades' como a prostituição e o tráfico de droga.
Já agora, penso que não tarda nada e será contabilizada também a pornografia infantil, o tráfico de seres humanos, e todas as 'actividades' rentáveis de 'cidadãos' nacionais, ou estrangeiros residentes.
Receio que o resultado disto seja possibilitar depois  conclusões estatísticas tais como avaliações da nossa carga fiscal face ao PIB, que irá reflectir um decréscimo significativo e justificará matemáticamente novos aumentos de impostos e taxas.
Somos mesmo uns grandes tó-tós, ou eu não estou para já assim a ver qualquer vantagem nisto ... que deverá haver certamente ... para alguém ...

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Persistência - Dra. Anunciação Grazina




A persistência pode treinar-se, como muitas outras habilidades para a vida. Treinar persistência é um processo contínuo. A nossa Professora de pintura trouxe-me o componente que influencia a persistência, que é a aceitação das nossas características próprias e a confiança no nosso valor como indivíduos únicos, fazendo parte de um todo, mas de uma forma desapaixonada. Com isso, a nossa persistência é levada a novos níveis, e resulta na concretização de coisas em que antes podiamos não acreditar.
Aqui está a minha primeira ervilha-de-cheiro em vaso, nascida das cinzas nunca abandonadas de uma tentativa iniciada para um período de floração que não obteve resultados. É branca, por enquanto está sozinha no seu vaso, mas estão já mais uns botões a despontar.

terça-feira, 27 de maio de 2014

Correr para a frente

Nas minhas viagens de comboio e metro, mais na ida pela manhã do que na vinda ao fim da tarde, algum jovem, ou até por vezes menos jovem, está vidrado no ecrã do seu telemóvel, polegar frenético arrastando coisas de um lado para o outro. 
São bolinhas que se alinham em cores vivas, que explodem a uma velocidade alucinante, números que se agrupam e desaparecem arrumados nos buracos vazios do ciberespaço, bonequinhos tipo Mario que correm e saltam e fazem borbulhar números no fundo que rola por trás deles.
Ganham e perdem vidas, uuuuuooooossshhhhh !
Estão a fugir de alguma coisa ? Têm medo de alguma coisa ? Estão a desenvolver que tipo de skills ? O mundo real que os rodeia será, ao contrário do que os mais velhos se queixam, muito parado ? Viciam-se em emoções fortes ? Precisam de queimar tempo ?
Conseguem emocionar-se com um livro sensível ? Conseguem olhar em silêncio o sono de um bébé ? Conseguem respirar o marulhar das folhas verdes de uma árvore centenária ?  Sabem que o mar continua a estender-se na praia no Inverno ?
Já olharam um gato nos olhos ?

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Novo livro de Ana Pessoa

Espera-se que apareça nas livrarias em breve :

And she did it again :-)



quarta-feira, 21 de maio de 2014

Ovo de cuco

Sinto-me como um ovo de cuco. 
Mas um ovo de cuco que foi descoberto pelo pai rouxinol, a mãe e todos os filhotes legítimos, que estão a tentar deitar o ovo de cuco borda fora (ou ninho abaixo).
Tenho meditado um pouco sobre o assunto pela vida fora. Serei eu que promovo com o meu comportamento a minha condição de ovo de cuco ?
Desde criança que as pessoas estranham a minha paranóica seriedade, e se irritam com o meu perfeccionismo autista. Não têm muita paciência para a minha enervante paciência. Não compreendem os meus pontuais e inesperados ataques de fúria.
Temo ter muitas vezes sacrificado prazeres, meus e dos outros, em nome de ideais que me foram transmitidos nos primórdios da minha formação como pessoa.
Sou um ovo de cuco primário.
Acredito no entanto que não sou o único exemplar da minha espécie.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Na Natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma

O grande melro estava morto, pendurado no ramo da árvore de cabeça para baixo, uma pata presa por um emaranhado de linhas e fibras que acidentalmente se enredou nos seus dedos e na árvore.
Com o coração apertado, fui buscar uma tesoura de podar e um escadote, para cortar o ramo e tirá-lo de lá.
O Zezo e a Nani explicaram-me que na Natureza os ciclos fecham-se sem que possamos fazer muito mais que não seja vivê-los (e isso é mesmo uma coisa fantástica).
A imagem que me ficou foi a de uma plumagem muito fôfa e de reflexos profundos que lhe cobria o peito.
Esta manhã o rádio embalou-me com Suzanne :

James Taylor - Suzanne

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Joni Mitchell

Tem estado a soar na minha cabeça desde manhã :
'But the only thing I have to give
to make you smile, to win you with,
are all the mornings still to live in morning Morgantown'

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Perninhas de frango com legumes e cerveja

Peguei numa embalagem de 4 perninhas de frango e fiz assim :
Num tachinho inox cobri o fundo com azeite, piquei meia cebola, e juntei duas fatias de bacon cortadas em pedacinhos. Coloquei as perninhas, temperei de sal. Escolhi um tomate maduro, e cortei-o em bocadinhos depois de tirar a pele e as graínhas, e juntei. Pus também meia courgette com casca cortada em pedacinhos pequeninos, e pus o tachinho tapado a refogar as perninhas em lume brando. Quando a carne já estava alourada e já tinha líquido no tacho, juntei uma boa parte de uma mini Superbock e um caldo Knorr de galinha, para cozinhar fervilhando em lume brando.
Servi com esparguete.

terça-feira, 29 de abril de 2014

Excêntrica pastora de cabras

A reportagem era sobre liberdade de espírito. E dos casos apresentados o que mais me surpreendeu foi o da pastora de cabras. 
É uma mulher nova, que fala com o sotaque  do campo. Magra, em calças de ganga modernas, a revirar os torrões escuros do seu terreno de lavoura com uma enxada, explicava ao repórter que gosta de ler tudo. Bem, tudo menos os livros daquele José Rodrigues ou lá o que é que é, não percebe nada daqueles livros. Mas de resto lê tudo. Quando leva as cabras para pastar no cimo dos montes, leva um livro para ler. Eça de Queiroz foi o exemplo que fixei.
Na aldeia é uma pessoa de posses, com algumas casas e maquinaria deixada pelos avós e pais imigrantes. Entretanto saiu-lhe o 3º prémio do Euromilhões. 
Dizia para o repórter que o que não gosta é que ninguém mande nela. Não quer patrões a mandar nela. Tal como está, dizia, é ela própria, é ela que manda, e é ela que faz, pronto.
Foi um gosto vê-la cavar a terra, levar as cabras a pastar e sentar-se no alto do monte a ler com o seu cão deitado ao lado, conduzir um grande tractor vermelho pelas ruelas da aldeia, e no fim da reportagem, ir às compras ao supermercado a guiar com desenvoltura o seu Mercedes topo de gama.

segunda-feira, 28 de abril de 2014

4 Papas

Dois Papas vivos conduziram ontem a cerimónia que inscreveu nos registos da Igreja Católica dois novos santos que foram Papas do Sec. XX, o Papa João XXIII e o Papa João Paulo II.
O Papa Francisco e o Papa Emérito Bento XVI escolheram um Domingo de Primavera para uma cerimónia de características inéditas.
Quem tem carinho e Fé nestes mistérios religiosos sentiu-se feliz neste dia.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

40 anos do 25 de Abril

Ontem fiquei confusa e triste. 
Alguém quer fazer-me acreditar que a voz dos Capitães de Abril é uma coisa que não existe, uma espécie de conto de fadas.
Ainda tentei perceber e pareceu-me que esse alguém quer pôr o país novamente como uma avestruz, com a cabeça escondida debaixo da areia. 
Pensei que gostaria de ter ouvido esse alguém dizer claramente que neste contexto económico do país de hoje é preferível evitar agitação e polémica. Que devemos evitar divisões no objectivo de sair dos sarilhos em que nos encontramos. Mas não : incita-nos, de forma alucinada, a esconder, como noutros tempos, a cabeça na areia.
O mal deve ser meu, eu tenho esta mania de falar sobre as coisas, há amigos e familiares meus que se irritam com essa minha característica. Eu acho que sou uma eterna adolescente que está convencida que falar sobre as coisas é ter maturidade. 
Provavelmente o meu espírito ainda veste calças à boca de sino.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sopinha de Peixe

Comi uma sopa de peixe este fim-de-semana, e pensei : 'hm, acho que era capaz de fazer um nadinha melhor...' . Nunca fiz sopa de peixe mas pus-me a imaginar como faria. E decidi-me por experimentar um dia destes a seguinte receita da minha carola :
Cobrir o fundo de uma pequena panela com um fio de azeite. Meia cebola picadinha na 1-2-3, um pedaço de pimento verde picado com a faca, 3 tomates chucha sem pele nem graínha picadinhos, meio molho de salsa picadinho, meia courgette com casca em pedacinhos. Nessa cama estufar ligeiramente uma posta de peixe branco, sem pele nem espinhas, uma pitada de sal e se quiser a sopa bem apaladada, uma folha de louro. Depois dos sabores interligados, retirar a folha de louro, desmanchar a posta de peixe, encher a panela de água, e juntar uma mão-cheia de massa de cotovelinhos. Retifique o sal. Deixar ferver até a massa estar bem cozida.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Auto controlo

Será o auto controlo uma técnica difícil de dominar ?
Já houve pessoas que me disseram que lhes transmito calma. Ao longo da minha vida disseram-me muitas vezes que mostro grande paciência e um feitio muito pacífico. Mas também já tive os piores acessos de fúria que se vêem nos filmes de gente doida. 
Cheguei este fim-de-semana à conclusão de que o meu génio (bom e mau) funciona como uma espécie de panela de pressão : se não aliviar essa pressão na altura certa, ela acaba por explodir numa outra ocasião, em manifestações inesperadas, desproporcionadas e inexplicáveis.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Está pronto - Photoshop para melhorar foto de telemóvel

As formas não são assim tão esbatidas, e o efeito geral é mais de 'bonecos'. O ambiente que transmite é fresco e revitalizante. 
Está já na parede a que se destinava, e a cliente que fez a encomenda pareceu-me agradada com o 'trabalho'.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Memórias



A caminho de um lugar longe do ruído do trabalho, à procura da sombra suave  de um jardim de paz nesta cidade soalheira, encontrei-me com os passos que demos há muitos anos, quando me ensinava alguns segredos da cidade. 
Dei alguns passos com a memória dos nossos passos e passei em frente de uma montra de fatos de ballet clássico que nem sabia que existia ali. Lembrei-me do carinho que era posto nas flores brancas cosidas ao tule negro dos fatos preparados para as festas da escola.
A caminho de um lugar longe da realidade seca do dia-a-dia, à procura da sombra suave  de um jardim de paz nesta cidade soalheira, encontrei-me com uma saborosa parte das minhas memórias.

terça-feira, 18 de março de 2014

segunda-feira, 17 de março de 2014

Nani


Com a chegada do tempo bom, a Nani delicia-se com o ar cheiroso, e acompanha-me pela manhã na rega dos vasos da varanda. Acho mesmo que ficou bastante feliz quando estivemos a mudar a terra e a ajeitar nos respectivos vasos uma roseira e um espargo ornamental.
Mas acho que a altura que prefere é ao fim do dia, quando a tijoleira da varanda está morna e ela rebola o corpo no calorzinho, e vira-se de frente para a luminosidade também morna do pôr-do-sol.
Ontem vi-a a lavar a cara e veio-me à ideia uma frase :


This cat. sitting  outside, 
gently washing her face at the sunset glow,
is most likely worshiping God.