quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Síndrome de qualquer coisa

Penso que se chama Temperance, aquela cientista do 'Bones'.
Identifico-me com ela em questão de falta de perspicácia, não intelectual mas emocional, se bem que ela aparenta ser bem mais dotada em outros aspectos que lhe conferem qualidades que eu não tenho.
O meu espírito geométrico impele-me sempre a dizer o que sei, que estou convencida que é verdade, com poucas papas na língua, sem antever os prováveis arrasos que isso pode ter nos que me rodeiam.
Arrependo-me por vezes de não ter sabido evitar as ocasiões de confissão auto-forçada, mas mantenho a convicção de que era aquilo que tinha de ser dito naquela ocasião.
Quando me querem confidenciar algumas tramas profissionais, por exemplo, peço sempre encarecidamente que o não façam, para não ceder ao meu impulso primordial de não ocultar o que sei. Por vezes o meu pedido não é atendido, mas não sei se posteriormente se arrependem ou me consideram desleal por eventualmente surgir uma ocasião em que me sinto forçada a revelar o que sei.
Sou muitas vezes mal interpretada, porque parece que o meu entendimento das coisas está longe d'a norma'.
Sei guardar algum tipo de segredos, mas não me sinto confortável nessa dimensão.
O Tempo tem normalmente jogado a meu favor, e cada vez tenho mais pena da sua-minha 'finitude' (como me dizia outro dia uma amiga).

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Cromos repetidos

Por aqui está muito cinzento. E como alguém já disse : 'já arranjavas um telemóvel com pixels que se vejam ...'. 
Este pequeno quadro, 'Le Parc Monceau' de Monet, está pendurado ao meu lado. Foi pintado entre Setembro e Outubro. Não sei se vai aqui ficar ou se segue para outro destino.
A foto está tão empastelada como as minhas próprias ideias neste momento.
Não é que não goste de Outono, desde que não esteja muito vento até acho agradável, com as suas côres e cheiros próprios. Mas este ano todo tem sido muito húmido. Estou a precisar de calçado novo para a chuva, e ao mesmo tempo não quero abafar os pés, dão-me os calores. Deve ser da idade ...

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Tratamento radical para a cochonilha


Com a Nani e a Dona Turtle por perto, o tratamento químico para a cochonilha é um perigo para elas e por isso está fora de questão. É essa a razão porque nunca o utilizei, e desenvolvi a minha própria receita caseira, que nem sempre dá grandes resultados.
Uso um borrifador com uma mistura caseira de água e sumo de limão.
Este ano, não fez desaparecer completamente o bicho, tive de 'depenar' duas plantas. Depois a chuva parece que tratou do resto. Aparentemente a cochonilha cá em casa já se habituou à limonada.
No caso da roseirinha que a Lau e a Bi me deram num dos meus aniversários, depois do primeiro  tratamento, que fiz aí há dois anos, nunca mais deu rosas.
Mas estava tão bonita neste sábado pela manhã que resolvi desenhá-la. Infelizmente não podem ver os diversos tons de vermelhos escuros e verdes tenros das folhas recém-nascidas, um espectáculo.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A Nani fez 5 aninhos no Domingo


No dia 10  estivemos a apreciar juntas o fim de tarde na varanda. Comecei a tentar desenhá-la, mas quando ela reparou mudou de posição. Não me deu tempo para desenhar os sombreados do pêlo. Um dia destes dou mais uns toques neste desenho.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

"Workshop massas e recheios"

Estive este sábado a aprender a preparar várias receitas de recheios e truques de bolos muito engraçados, na escola de cake design Isto Faz-se
A formadora era muito calma e organizada, e articulou na perfeição uma sala com mais de dez senhoras e um homem, com idades entre os 20 e os cinquenta e tal anos.
Entre pesar, medir, separar claras, descascar cenouras, lavar loiça e secar, utilizando batedeiras semi-domésticas, espátulas e formas de vários feitios, ao fim de um dia de workshop havia na mesa um pão-de-ló simples, um bolo xadrez com recheio e cobertura de merengue suiço aromatizado com chocolate e artísticamente colocado no bolo, um bolo de cenoura com cobertura de chocolate escuro e laivos de chocolate branco, um 'red velvet' espectacular com recheio em coração de creme de chantilly com gelatina de morangos e cobertura de chantilly abraçado de canudinhos de bolacha, um 'mud de chocolate' recheado de ganache de chocolate branco, morangos laminados, calda expessa de morangos preparada na aula, e coberto de ganache de chocolate negro e pasta de açucar verde-azulada com um laço escultórico de pasta de açucar branca.
Valeu mais pelos recheios, coberturas e técnicas, do que pelas massas, que são um bocado secas demais para o meu gosto, tirando o 'mud' que é uma massa de chocolate escuro meio húmida  e que para mim tem um sabor muito forte (leva café solúvel).
A escola tem uma loja com todos os lindíssimos utensílios e ingredientes para diversos doces e bolos, como formas para o 'red velvet' e o 'xadrez', e incluindo também aromas, corantes e pacotes de pasta de açucar de muitas côres que parecem barras de plasticina, e se trabalham quase da mesma forma.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Arroz de acelgas

Para acompanhar uns 'Camarões à Zézo' aproveitando umas acelgas que sobraram da sopa do Patrácula, fiz um arroz de acelgas.
Um tachinho inox com um fio de azeite, um pouco de cebola picada, as folhas de acelgas em tirinhas, uma chávena de arroz agulha europa e duas de água, temperado de sal.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Sopa do Patrácula

A minha cunhada dizia que chamava à sopa de beterraba 'sopa de chocolate', mas a mim últimamente a sopa de beterraba sai bem vermelha e não castanha. Deve ser feitio das beterrabas que tenho comprado.
Ontem, a conselho da minha amiga Bi, resolvi experimentar uns vegetais que nunca tinha comprado : acelgas. São uma espécie de folhas de espinafres ou alface. 
Fiz uma base com uma beterraba média, meia cebola média, duas batatas pequenas e os talos mais grossos das acelgas, tudo coberto de água. 
Cortei as folhas de acelgas em tiras como se faz às nabiças, e depois da base passada e temperada de sal pus as acelgas a fervilhar. 
Antes de desligar juntei um fio de azeite.
Parecia mesmo uma cena de Drácula, mais ao jeito do Patrácula  :-)

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Outra sopinha Hare Krishna

Hoje no jardim em plena cidade de Lisboa, repeti a sopinha.
Um caldinho bem quente e delicioso, de grão, penso que com um ligeiro toque de cebola, gengibre picante e cominhos, e uns farrapinhos verdes que não percebi se eram coentros, salsa ou mangericão.
Experimentem.
Bom fim-de-semana.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Pensamento positivo

Sempre fui uma pessoa pessimista e desconfiada. Muitíssimo bicho-do-mato. Foi preciso chegar aos 50 e perder os meus pais para perceber que estava enganada quanto a quem me quer bem.
Muitas vezes quem mais nos quer bem acaba por ser mais maltratado por nós porque nos apoia incondicionalmente e tem maior proximidade connosco.
Estou convencida de que sou agora uma pessoa menos introvertida, mais aberta e positiva, e o pensamento positivo ajudou-me a encarar os problemas de maneira mais eficaz.
Não gastem as vossas energias com quezílias, porque o tempo e os novelos do destino desenrolam-se no sentido de dar razão à verdade e no sentido de colocar as coisas nos seus devidos lugares.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Milhões rima com MARTE

Já escrevi aqui uma vez sobre as diferentes dimensões da grandeza a que chamamos 'milhão'. Ou seja, há milhões muito grandes e há outros milhões que são muito pequeninos. Milhões de euros, quero eu dizer.
Ontem informaram-nos que a Índia colocou uma sonda em órbita em Marte com o reduzido orçamento de 57 milhões de euros. Será engano ?
Estes 57 milhões fizeram-me logo pensar nos 4.000 milhões que foi preciso para voltar a colocar em órbita o nosso sistema financeiro, e nos não sei quantos milhões que outro dia não serviram para tapar um buraco do orçamento do mesmo valor.
Então percebi que os milhões têm talvez uma nacionalidade própria, ou uma aplicação sectorizada, ou qualquer coisa que lhes confere um peso específico, ou uma representação diferente consoante o sistema numérico a utilizar.
Pensei numa perspectiva portuguesa o seguinte pensamento :  57 milhões ? O que é que os indianos conseguem fazer com isto ? A sonda deve ser feita de pratas de chocolate, e os cientistas devem viver todos no mesmo apartamento de uma assoalhada ...
Numa perspectiva americana pensei : 4.000 milhões  ? o que é que os portugueses pensam poder fazer com isso ? Essa quantia não cobre as fraudes deste tipo de negócio, os financeiros portugueses não devem ter mais que três rollsroyces cada um ...
E por aí fora ...

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O rádio de manhã

Ignorem-me os menos românticos.
Esta manhã o rádio lembrou-me uma das minhas razões para
'(...) I want to stop and thank you baby (...)'
 Boa onda :-)
 James Taylor - How sweet it is to be loved by you

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Direito de Propriedade

Há uma moda nova, a esconder dificuldades económicas. 
Apregoa-se como modernas umas instalações de escritórios, ou genéricamente locais de negócio, preparadas em contentores, ou em velhos autocarros, empilhados uns em cima dos outros, num look que a mim me lembra páteos de sucata ou favelas de miséria. 
Hoje na minha viagem de comboio avistei uma dessas instalações, e mesmo ao lado um prédio antigo em razoáveis condições, mas de janelas e portas entaipadas com tijolo e cimento.
Contradições e desperdícios dos direitos e deveres de propriedade. 
Ou cotações desajustadas para o direito de propriedade e os impostos e outras despesas de localização e utilização.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Debaixo de água

Praticamente todos os anos por esta altura fico surda de um dos ouvidos. Muitos mergulhos no mar, e é isto. Podem chamar-me nomes feios, mas desde que o otorrino me disse que os ouvidos se limpam com os cotovelos, nunca com os cottonettes, que tenho tentado desenvolver novas técnicas alternativas para evitar este engulho. Alguns resultaram algumas vezes, mas nem sempre.
Não deixa de ser uma vantagem para certas situações. Por exemplo, de volta hoje à minha sala de trabalho, onde estamos 8 pessoas, a atender telefonemas e a atender visitas de colegas, estou temporariamente 'debaixo de água'. Há um blá-blá-blá ao longe, de vez em quando parece ser-me dirigido, e eu: 'Como ? Não ouvi.' Pode ser que entretanto desistam de me envolver nas conversas, e assim prolongo um pouco mais as férias.
Bem, deixemo-nos de brincadeiras, vou ter de recuperar a tempo das próximas reuniões.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Sempre-em-pé (II)

Estava a ficar lamechas, e a pensar começar um post aqui no blog com uma frase do tipo: "Não me peçam para continuar a lutar ..." mas depois voltei da posição caída do sempre-em-pé para a sua posição vertical. E pensei: "Back to the upright position ! Mom, look at me !". 
Tenho deveres comigo própria e para com os que sempre acreditaram em mim, e se os anjos me continuarem a acompanhar, não será um molhinho de pirralhos mal educados que me fará desistir.
Não me ponham idiotas no meu caminho.
Viva a Vida, viva o Amor.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Penas

No final da semana o meu chefe estava ao telefone comigo alertando para problemas, e eu tentava insistentemente soltar dos dedos um tufo muito pequenino de penugem branca que de alguma maneira veio aterrar em cima do meu teclado. O pequenino tufo branquinho não se soltava dos meus dedos, e eu tive nesse momento um pensamento supersticioso, que afastei imediatamente para tentar concentrar-me no meu trabalho.
No fim-de-semana, despedimo-nos da Fernanda, ao fim da sua luta de mais de uma dúzia de anos contra a MS, com a ajuda incansável do seu marido.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Reflexões de uma idiota (n+1)

Passei por um daqueles enormes edifícios das Igrejas modernas. E pensei : 'afinal, contribuir para a Igreja Maná é um investimento tão ou mais esclarecido do que foi investir nos produtos de alto rendimento de bancos como o BES. Afinal, ainda não se conseguiu provar que a garantia dada de um lugar no Céu não se realize, e é assumido à partida que o investimento nunca será devolvido em dinheiro ou outros bens materiais'.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Paté de grão

Estou a tentar acertar num paté de grão que provei outro dia (não dava para pedir a receita).
Peguei num frasco de grão cozido, escaldei-o em água com uma colher de café de pó de cominhos (acho que devia ter posto duas), uma pitada de sal e um dente de alho (tirei-lhe o veio porque era grande). Pelo que percebi, o original tinha coentros (em princípio crus), mas eu não tinha em casa.
Depois tentei acertar a consistência com um pouco mais de metade do grão, uma colher  de sobremesa de azeite e duas colheres de sopa da  água de cozer o grão. Desfiz tudo com a varinha mágica, mas foi uma trabalheira, deve ser melhor com o liquidificador (que não tenho).
Além de barrar em pedacinhos de pão, também serviu para acompanhar o rolo de carne picada do jantar de ontem :-)

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Agora deu-me para inventar 'rendas'

Parece que nos estou a ver, eu bem pequena, debruçada sobre as mãos da minha Mãe enquanto ela fazia muito devagarinho todos os passinhos necessários para executar um trabalho de crochet linha 60. Depois eu tentava repetir aqueles gestos e logo me aventurei numa toalha (que acabou em naperon). 
Esta passada semana, com dificuldade para perceber as anotações de uma revista de crochet, desviei-me do desenho da revista, e resultou uma roseta engraçada embora sem a perfeição de cálculo requerida para um desenho redondo. 
Tem o tamanho da minha mão aberta. A mim agrada-me.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

De encher o coração

É uma alegria infantil, que me une ao Zezo em gostos de ternura, procurar conchas na praia sempre que estamos com tempo para preguiças. 
Parece-me uma oportunidade de comunhão com alguns dos amores da minha vida. Alguns já partiram.
Encontrar uma grande madre-pérola branquíssima no primeiro dia de praia, ou pensar como seria engraçado encontrar mais uma orelha-do-mar e ela aparecer com uma onda de espuma fresca e transparente. Sinais.
Um búzio-beijinho encontrado pelo Zezo mesmo na pocinha em que ele esperava encontrá-lo. Ternura.
De outro modo, a Lau procurava amigas na praia, lembrava-se que eu costumava andar por ali algumas vezes. E acabou por encontrar-me, sentada numa cadeira de praia, à sombra de um chapéu-de-sol.
"Finders, keepers".

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Fumar é lixado

Logo pela manhã, sentado à minha frente no metro, um homem jovem sacou com a mão direita uma caixa metálica da sua mala, que estava pousada no chão aos seus pés, e com a esquerda pegou num saco fechado de tabaco. Enquanto segurava a máquina de enrolar cigarros com uma mortalha na mão direita, não conseguia abrir o saco de tabaco com a esquerda. Seguiu-se uma luta de gestos que lá acabou em sucesso. Cerca de um minuto decorrido. Mas faltava ainda o filtro. Com a mão esquerda voltou a abrir a mala e pegou num saquito de plástico cheio de filtros brancos. Mais uns momentos de ginástica, um filtro caiu ao chão e para lá ficou, mas outro acertou na caixa de enrolar cigarros. 
Ao fim de cerca de dois minutos lá saiu pela ranhura um cigarro.
Como se estivessem ao desafio, a rapariga ao meu lado abriu a malinha que tinha no colo e pegou numa espécie de tubo de plástico azul, abriu-o longitudinalmente. Colocou na ranhura uma fila de tabaco que sacou de uma lata aberta dentro da malinha, abriu uma cigarreira metálica de onde tirou um 'esqueleto de cigarro' com mortalha e filtro já montados e colocou-o na ponta do tubo azul fechado. Fez deslizar uma das metades sobre a outra e despejou o cigarro pronto na malinha. Em dois minutos já tinha 'montado' aí uns três cigarros.
Espero manter-me longe do meu antigo vício de dois maços de tabaco por dia.

terça-feira, 1 de julho de 2014

Professora Vera

Vinha no comboio a pensar se a verdadeira explicação do empenho da Professora Vera na minha formação como 'criança bailarina' teve a ver com alguma influência social dos meus Pais. Mas na altura não foi isso que senti, e o efeito desse empenho parece-me que foi bem positivo.
Apesar de gordinha, eu 'bailarina criança' não era desajeitada de todo. Aprendia rápidamente os programas, esforçava-me por fazer os movimentos com o máximo rigor. Embora gozada no meio infantil por alguns dos colegas que além de me chamarem gorda viam o ballet clássico como uma coisa pirosa, era respeitada pelas amigas bailarinas e pela Professora Vera, que insistia em dar-me papéis relevantes no 'corpo de bailado' da escola. 
Para pianista da sala de aula e dos espectáculos da escola, tinha escolhido uma senhora com um rabo do tamanho de duas cadeiras (tinha uma cadeira especial), e com umas mãos sapudinhas, que interpretava aula após aula peças clássicas de renome, interrompidas e reiniciadas as vezes que fosse preciso, a sinal da Professora Vera com o seu varapau, para as repetições que as 'crianças bailarinas' tinham de fazer.
A Professora Vera esteve do meu lado (atrás da cortina do palco) até na ocasião de uma branca que me deu no início de um 'pas-de-deux' com a minha melhor amiga Janeca, fruto do calafrio de ver tantos pais e mães e outros familiares dos colegas de escola, bem como os próprios colegas, entre os quais alguns gozões, formando um público estranhamente atento e muito vasto  em proporção do meu tamanho. Depois de falhados os primeiros movimentos do 'pas-de-deux', apanhei o fio à meada, e estivemos as duas muito certinhas até ao fim, a Janeca e eu. Foi essa parte, da capacidade de recuperação, que a Professora Vera comentou comigo e com quem a quis ouvir, transformando o meu desaire num exemplo de dedicação e resistência !
Reflectindo agora nisso, foi uma das influências que me garantiu alguma resiliência, num mundo em que continuo a ter de lidar com ocasionais dissabores.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Capicuas

Em casa dos meus Pais, 'capicua' representava sempre uma boa onda. 
A minha Mãe estava sempre atenta às capicuas, fossem números de série das notas, datas, números de matrícula na escola, partes de números de telefone, numeração de qualquer tipo de facturas ou outros papéis, qualquer coisa. Quando as detectava, chamava a atenção do meu Pai, com um sorriso satisfeito e luminoso.
Apanhei essa mania com eles.
Este termo apareceu agora associado a uma música que me deixa com saudades da minha adolescência.  Se eu fosse capaz de compôr músicas, acho que gostaria de ter composto esta :


Capicua

sexta-feira, 27 de junho de 2014

O verdadeiro amor

Tenho um colega divorciado, com filhos, que assistiu ao filme 'Maléfica' e concluiu que anda à procura de algo que não é possível encontrar, a saber : o verdadeiro amor entre um homem e uma mulher.
Fiquei a pensar que tenho de lhe dizer que o verdadeiro amor pode não ser aquele sentimento arrebatado de paixão, sexo louco e total submissão de um dos elementos do casal relativamente ao outro, que desconfio que é o que ele procura. 
Queria dizer-lhe que o verdadeiro amor poderá porventura ser um simples projecto, a dois ou mais elementos, com um grande empenho de todos os elementos nos ideais desse projecto, sem birras cortantes ou desistências, com equilíbrios por vezes mais tranquilos mas outras vezes mais atribulados, sem egoísmos desmesurados mas pelo contrário, com entreajuda e com ternura e cuidado pelos anseios uns dos outros.
Creio que esse é o verdadeiro amor, e que é possível.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Rostos

Tivemos uma empregada que costumava dizer que era uma pessoa muito 'prevista', querendo significar que memorizava rostos com muita facilidade.
Lembrei-me disto, porque ontem, sentada no comboio, apercebi-me que depois de tantos anos de viagens naquele percurso  -  desde os meus 9 anos, já tenho agora mais de 50 - a maioria dos rostos que vejo no comboio são para mim desconhecidos, nunca vistos. 
Tirando umas duas ou três pessoas, as outras parece-me terem brotado novinhas em folha de alguma dimensão de criação, todos os dias rostos novos e desconhecidos.
Lembrei-me também de uma reportagem que explicava que o nosso reconhecimento de rostos pode ser bastante falível, possibilitando que como testemunhas acabemos por acusar convictamente um inocente que para nós é o rosto chapado de um criminoso cujo crime presenciámos.
Também identifiquei a situação com aquelas imagens em movimento rápido que ilustram os padrões de movimento das pessoas, fazendo lembrar carreiros de formigas.
Estejam descansados, parece que pela minha parte, serão quase todos sempre inocentes.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Tomateiros de varanda

Este ano arrisquei uma experiência : plantar tomateiros em vaso na nossa varanda. 
Comprámos uns pézinhos de tomateiros xuxa, e escolhemos um vaso quadrado de 25cm x 25cm x 20cm. Depois de alguns cuidados de todos cá em casa na rega e no amparo dos 4 pés de tomateiros com uns galhos de ameixieira, foram aparecendo umas espevitadas flôres amarelas, e já apareceram uns tomatitos que podem ver na foto.
A Nani mostra-se muito orgulhosa das plantações na varanda, e os tomateiros estão tão altos que mais parece termos uma pantera numa zona florestal.