Naqueles anos tudo era extremo, senão não tinha significado.
Eu não sou uma historiadora de confiança, mas penso naquele tempo como uma época em que a juventude americana lidava com os traumas do Vietname. Em Portugal só quem tinha membros da família destacados para as 'colónias' sabia do drama de ser-se jovem e ser-se obrigado a matar ou ser morto, ou ver os seus companheiros morrer ao seu lado. Ou ser-se mãe ou pai de uma dessas vidas.
Só muito mais tarde, quando conheci um ex-combatente regressado do inferno de missões em Angola é que tive uma pequena percepção do horror e do sacrifício das suas vidas, tanto as que se perderam como as dos que sobreviveram.
O pânico e a noite.
Sobre a morte agora de Joe Cocker, veio-me à ideia o único concerto no Pavilhão de Cascais a que assisti, já dentro dos seus anos menos polémicos, na companhia do meu cara-metade. Lembro-me de umas piriscas que iam passando de mão em mão. É um dos apontamentos estranhos da minha vida.




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