sexta-feira, 27 de março de 2015

Leite de burra ?

Tirou da carteira um tubo negro de creme para as mãos, e começou a espalhar um pouco, esfregando elegantemente as mãos uma na outra. O nosso canto do comboio foi invadido por um daqueles aromas de produtos de beleza, neste caso um pouco exagerado na minha opinião.
Observei-lhe o rosto. Uma camada opaca dificilmente invisível de 'fond de teint' por todo o rosto, um risco negro contornando os olhos.
Um penteado invulgar, de cabelo comprido liso, preto brilhante, apanhado de lado junto ao pescoço, não numa trança mas num rolo, e uma franja bem desenhada.
Muito jovem, terminou os seus cuidados de beleza colocando vários anéis muito artísticos em alguns dos dedos.
Pensei em Cleópatra, e como ficaria feliz com os produtos de beleza dos tempos modernos, e com os spas hoje em dia tão em voga.

quarta-feira, 18 de março de 2015

A Rainha da Hortelã

Dona Nazaré anda ultimamente com a mania da hortelã na sopa.
Em tempos só punha hortelã na sopa de cozido ou na canja, e não era sempre.
Não gosto de arroz na sopa, e agradam-me muito tanto a sopa de cozido com massinha de cotovelo como a canja com massinhas pequeninas. Foi com estas duas sopas feitas por ela que ganhei o gosto à hortelã, que sempre achei ter um sabor a rebuçados para a tosse não consentâneo com a alimentação de mastigar e engolir.
Mas Dona Nazaré ganhou estatuto de se borrifar para as esquisitices dos clientes do restaurante do seu irmão, onde é cozinheira 'de mão cheia'. E em verdade não se borrifa, vê-se que se esmera na cozinha e fica contente com os frequentes elogios dos comensais.
Ontem presenteou-nos com uma sopinha de grão com espinafres aromatizada com folhas de hortelã. Um creminho base suave mas não líquido, as folhas de espinafres cortadinhas em pedaços - em quantidade mais doméstica do que comercial - e um aroma de hortelã apenas suficientemente perceptível.
Hoje a sopinha de feijão verde - um creme igualmente suave, com feijão verde fresco sem fios partidinho em pedacinhos - também tinha umas folhinhas de hortelã.
As especialidades de Dona Nazaré não cabem em minúsculas quantidades de pratos 'gourmet'.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Turista na cidade onde trabalho

Não é para repetir muitas vezes, embora para turistas seja bastante em conta.
Hoje o metro esteve em greve. 
Por outro lado, o lado bom, o dia está bonito, manhã fresca, soalheira e sem vento.
Cheguei de comboio ao Cais-do-Sodré e iniciei uma caminhada a pé. Já vinha com a ideia na cabeça, e entrei no Story Hotel da Rua do Ouro para absorver o ambiente de um pequeno-almoço em buffet, na sua sala a nível do passeio exterior, rodeada de turistas iguais aos que se encontram em qualquer cidade europeia. 
Não foi tão caro como me tinham dito à entrada devido à escolha de elementos que fiz, e a empregada proporcionou-me uma mesinha à janela sem eu pedir.
Depois retomei a caminhada, fui subindo a cidade, cruzando-me com outros turistas com mochilas ou malas de rodinhas, surpreendidos pela greve do metro, mas agradados com a beleza do dia e a simpatia da cidade. 
Algumas das lojas que há uns meses estavam com um ar degradado, recuperaram já um brilho novo.
Lisboa está outra vez a ficar linda.

segunda-feira, 9 de março de 2015

Como começar ?

Pensei em várias maneiras de começar este post.
Todas elas me pareceram demasiado duras para uns olhitos infantis tão doces como aqueles olhos azuis com que Miss Meggy Pea olhou ontem para mim.
Ficámos a saber que ela tem uma saúde tão frágil como é enorme o carinho que nos faz sentir.
Miss Meggy Pea é um doce delicado.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Relativizar ou amadurecer (envelhecer ?)

Nos últimos tempos, alguns sustos ou contrariedades ultrapassados, outros esquecidos, têm-me levado a um estado aproximadamente Zen, caracterizado por um elevado nível de 'relativização'. 
Pelo menos parece-me que estou cada vez a conseguir fazer melhor aquilo que alguns amigos sempre me aconselharam : 'Tens de aprender a relativizar as coisas. Isso não é tão terrível como estás a pensar'.
E então é isto. 
Vou apanhando umas secas e uns sustos, vou intervalando com umas sessões de yoga na varanda, uns mails ou telefonemas para familiares e amigos, umas conversas com amigos e familiares, ou até inimigos, umas frases daquelas de 'grandes verdades obtidas pela experiência', e 'tá-se bem.
Respirar fundo e fazer por esquecer quase de um dia para o outro, como só Alguém superior me poderia conceder, tentar apreciar as coisas boas no dia-a-dia, são cada vez mais as minhas estratégias.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Vol-au-vent de camarão para dois

uma placa redonda de massa folhada
uma mão cheia de camarões cozidos descascados
meia courgette
azeite e cebola picada
leite 
Maizena
sopa Knorr de lagosta
margarina
sumo de limão
ketchup
sal q.b.

Guizar em azeite e cebola picada os camarões e a courgette aos pedacinhos.
Fazer o creme com leite, Maizena, sopa de lagosta Knorr (combinar bem a quantidade de Maizena e de sopa, que são os ingredientes que vão engrossar o creme), sumo de limão, uma colher de margarina e de ketchup. Se quiser utilizar natas frescas (com ou em vez do leite) ainda deve ficar melhor.
Numa tarteira preparar um 'rissol' gigante besuntando o fundo com margarina, colocar a placa redonda de massa folhada, cobrir metade da placa com o creme e o guizado, dobrar a outra metade da massa folhada sobre a primeira, selar os contornos, e levar ao forno de 200º até a massa ficar inchada e tostadinha.
Servir quente, acompanhado de uma boa salada verde.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Sempre em cima do arame

Contrariamente à habitual imagem que fazemos de um gato, Miss Meggy Pea é, digamos, um bocadito taralhouca. Não tem grande força e equilíbrio nas patas traseiras.
Está sempre curiosa em relação a tudo o que a rodeia, sempre sem querer perder pitada, mas como não está treinada nos percursos que se abrem à sua frente, vai tropeçando aqui, escorregando ali, ai! que fiquei pendurada na toalha, miau! que fui contra a caixa de areia, miau! que me pareceu que chegava ali com um salto ...
Para mim, que quase sinto fisicamente as dores de Miss Meggy Pea quando vai contra as coisas, é bastante desgastante. Ela é como uma criança humana a dar os seus primeiros passos, mas com o inconveniente que no caso dela trata-se de saltar entre dois sítios altos, subir ali acima ou esconder-se ali ao fundo, ou de correr a bom correr indo de encontro a sofás (menos mal ...) ou obstáculos mais duros (ai! que este armário é bem maciço ...).
Mesmo assim, Miss Meggy Pea continua a ser aquele doce.
Parece estar feliz, e para o demonstrar, quando menos esperamos, aparece ao pé de nós e abraça-se com força nas nossas pernas.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Não tão rápidos como a nossa sombra

Lembro-me de Lucky Luke 'mais rápido que a própria sombra'. Adoro Peter Pan, a quem a sombra fugiu e foi preciso Wendy ajudá-lo a prendê-la nas pontas dos pés. 
Mas na vida real temos Miss Meggy Pea, que está apostada em ser a nossa sombra silenciosa e dedicada.
Miss Meggy Pea é daqueles gatos meiguinhos, que tropeça nos nossos pés, passa pelo meio dos nossos passos e se roça nas nossas pernas à procura de carinhos, e anda um passinho à nossa frente olhando para cima e miando fininho, para nos levar onde quer que vamos.
No entanto não insiste muito em ficar ao meu colo, faz isso com mais frequência com o Zezo.
Vem à cozinha chamar-me com brinquedos, e quase não dorme de dia porque quer sempre acompanhar-nos para onde quer que vamos.
E nós, a bem dizer, somos dois ...

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Bola de ouro

Pelas 19h chega a hora 'Meggy turbilhão'. Vai tudo à frente. E Meggy demonstra os seus dotes com bolinhas de papel, de borracha ou de prata.
Sabe dominar a bola em corrida, com as patas da frente ou as de trás, sabe pegar-lhe com os dentes para a colocar na marca de grande penalidade (o seu tapete favorito), sabe elevá-la no ar e recebê-la com uma quase-cambalhota, e sabe escondê-la numa caixa de cartão que já viu melhores dias.
Este ano, acho que Miss Meggy Pea vai ser candidata à bola de ouro.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O bolo de anos do Zezo

O Zezo reuniu à sua volta a família para comemorar um aniversário engraçado. Estavam todos bem dispostos, embora se sentissem algumas ausências, umas previstas, e outras de última hora.
A pedido de alguns dos convidados apreciadores, fica aqui a receita de bolo de noz escolhida para esse evento. Fazer esse bolo foi uma aventura, porque o aniversariante merecia uma especialidade de família, mas tinha de ser uma receita adaptada para 20 pessoas, embora em doses individuais 'gourmet':
2 tigelas para bater claras, uma grande para bater a massa, uma de vidro média para preparar as nozes.
Um tabuleiro rectangular para cozer o bolo, papel vegetal e margarina para untar.
Batem-se oito gemas com cerca de 600 a 650g de açucar e um cálice de vinho do Porto. Separe 4 claras em cada uma das 2 tigelas de bater claras. 
Demora um bocado a conseguir-se a mistura do açucar com as gemas e o vinho do Porto, mas pode deixar os ingredientes na tigela apenas envolvidos uns nos outros que eles acabam por integrar-se uns nos outros com o tempo. 
Aproveite esse tempo para untar o tabuleiro com margarina, forrar com papel vegetal, que tem também de ser untado com margarina.
Entretanto pique na 1-2-3 uns 240g de nozes. Junte três colheres de sopa de pão ralado e duas colheres de café de fermento em pó Royal.
Bata muito firmes as 4 + 4 claras em castelo.
Volte à massa, bata bem até ficar uma gemada que faz bolhas. Bata o melhor que puder.
Envolva muito bem na massa, sem bater, o preparado das nozes e as claras em castelo, ficando uma massa muito leve e fôfa.
Espalhe no tabuleiro, e leve a cozer em forno de 180º durante 1h20m.
Enquanto o bolo coze, prepare uns ovos moles com 7 gemas, misturadas em 7 colheres de sopa de água fria, e junte 7 colheres de sopa de açucar. Misture muito bem com uma vara de arames e leve a lume brando, mexendo sempre até engrossar. Logo que estejam prontos retire para uma tigela fria.
Quando o bolo estiver cozido, desenforme imediatamente libertando-o do papel vegetal com cuidado.
Cubra com os ovos moles e deixe-o arrefecer. Poderá pôr no frigorífico de um dia para o outro.
Quando fôr servi-lo já frio, decore com Chantilly de lado e em efeitos em cima dos ovos moles, feito com uma embalagem de natas frescas para bater Longa Vida e 4 colheres de sopa de açucar. Complete com uns pinhões.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Miss Meggy Pea


A veterinária de Miss Meggy aconselhou que se completassem as refeições de ração seca com umas latinhas de comida húmida, que era coisa que a Nani não estava autorizada a comer.
Os espirros já passaram, e ela está muito bem disposta.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Miss Meggy Pea

Miss Meggy Pea já vinha constipada. Espalhou pequenos e grandes espirros por tudo e todos cá em casa. Está a ser tratada com uns pingos para o nariz e soro para os olhitos amendoados azuis.
É uma gatinha de quase oito meses, europeu comum tigrado beige, com os tons espalhados à moda dos siameses : rabo, orelhas, extremidades das patas e parte do focinho e do dorso em beige mais ou menos escuro, e o resto do corpo branquinho.
Apesar dos ocasionais espirros, brinca e come desalmadamente, e sabe usar o caixote-wc. 
Miss Meggy Pea é um doce.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

O vol-au-vent de ontem

2 placas redondas de massa folhada Pingo Doce
2 peitos de frango
bacon fumado
1 cubo de caldo de galinha Knorr
três raminhos de bróculos
um pequeno nabo
cebola picada e azeite
sumo de limão
1 pacote de natas frescas Longa Vida
1 caneca de leite
2 colheres de sopa de farinha Maizena
1 colher de margarina Vaqueiro
noz moscada
sal q.b. 

Cobrir o fundo de um tachinho inox com azeite e cebola picada. Cortar os peitos de frango em cubinhos pequenos, os bróculos também em pequenos pedaços, o nabo em cubinhos, e o bacon em pequeninas tirinhas. Temperar com sal e sumo de limão e o cubo de caldo de galinha. 
Tapar o tachinho e guizar tudo em lume brando.
Entretanto preparar o creme : o leite, as natas, a margarina, a maizena, uma pitada de sal e de noz moscada, um toque de sumo de limão. Engrossar em lume médio, mexendo sempre.
Para montar o vol-au-vent, escolher uma tarteira de ir ao forno de tamanho adequado, besuntar a base com margarina, colocar a primeira massa folhada. Espalhar o creme, por cima colocar o guizado bem distribuído, e tapar com a segunda massa folhada, selando os contornos.
Vai ao forno de 200º até toda a massa ter inchado e estar tostadinha.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Meggy Ervilha

Sentia-se muito a falta da presença da Nani.
O Zezo foi à procura de uma nova gatinha e deu de caras com a pequenina Ervilha. Veio para casa na sexta-feira, e começámos a chamar-lhe Meggy. 
Meggy Pea.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Sopa Mimosa

Uma beterraba média
Duas cenouras médias
Uma batata grande
Uma cebola média
Uma colher de café de pó de cardamomo
Água, sal e azeite

Coze-se tudo, muito bem cozido, em pedacinhos, deixando o azeite para o final da cozedura. Desfaz-se em creme com a varinha mágica.

Educação e Ensino

Na viagem de comboio desta manhã, fiquei chocada com os comentários de um professor, aparentemente professor de arte, ou história de arte, dos últimos anos de secundário ou primeiros anos de faculdade. 
Comentava o 'professor' a incompetência chapada dos seus alunos. Comentava as respostas idiotas dos alunos às suas perguntas que teriam carácter de cultura geral, e comentava também a idiotice das reclamações dos encarregados de educação sobre as avaliações exigentes que dá aos seus alunos, que alega que têm de ser na maioria muito baixas, reclamações que estariam na opinião dele a ser feitas por famílias que não cumprem o seu papel de educadores.
Chocou-me não o conteúdo dos comentários, mas o tom de troça com que estavam a ser feitos.
E as observações que me vieram à ideia foram as seguintes :  
1 - Compete aos professores fazerem perguntas que evidenciam a ignorância dos alunos, e troçar disso, ou fornecer-lhes as respostas que farão deles pessoas mais competentes ? 
2 - É apenas a incompetência dos alunos e familiares que se evidencia nas suas respostas idiotas, ou será também alguma falta de empenho de alguns 'professores' ?
3 - Não estaremos todos, alunos, pais e professores, a demitir-nos dos nossos complementares papéis na educação e no ensino ?
4 - A atitude de respeito não estará a faltar também da parte de quem quer ser respeitado ?

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Bailarina





Afinal temos uma espécie de sótão aqui em casa (gavetas de dimensões indeterminadas, do ponto de vista não volumétrico mas espiritual ...).
Pensava que este recorte do Paris Match tinha sido descartado numa daquelas limpezas de Primavera que ocasionalmente acontecem cá em casa. Afinal o Zezo encontrou-o no fundo de uma gaveta.
Trata-se de uma foto trabalhada com filtros, de finais dos anos 60 do séc. XX, salvo erro.
Tinha já falado dele aqui.

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Joe Cocker

Naqueles anos tudo era extremo, senão não tinha significado. 
Eu não sou uma historiadora de confiança, mas penso naquele tempo como uma época em que a juventude americana lidava com os traumas do Vietname. Em Portugal só quem tinha membros da família destacados para as 'colónias' sabia do drama de ser-se jovem e ser-se obrigado a matar ou ser morto, ou ver os seus companheiros morrer ao seu lado. Ou ser-se mãe ou pai de uma dessas vidas.
Só muito mais tarde, quando conheci um ex-combatente regressado do inferno de missões em Angola é que tive uma pequena percepção do horror e do sacrifício das suas vidas, tanto as que se perderam como as dos que sobreviveram. 
O pânico e a noite.
Sobre a morte agora de Joe Cocker, veio-me à ideia o único concerto no Pavilhão de Cascais a que assisti, já dentro dos seus anos menos polémicos, na companhia do meu cara-metade. Lembro-me de umas piriscas que iam passando de mão em mão. É um dos apontamentos estranhos da minha vida.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A síndrome da abóbora

Não consigo deixar de pensar que tropeço de vez em quando numa qualquer meia-noite e me transformo numa abóbora. 
Tenho tido épocas em que me sinto a viver a fase maravilhosa de um conto de fadas, mas mais ou menos abruptamente essas fases são interrompidas por momentos-abóbora.
Não tenho nada contra as abóboras, não as considero em si coisas más. No Natal costumo fazer sonhos de abóbora com o meu cara-metade, momento de comunhão espiritual que me é muito precioso, e gosto em geral de abóbora na sopa e em cubos nos guisados.
Mas ligo-a também a uma noção limite ou plafond de felicidade, como é retratada no conto infantil da Gata Borralheira.
O conto acaba bem, pelo menos para alguns dos personagens, ou talvez mesmo para todos, admitindo que a madrasta e as meias-irmâs não se importam de ser motivo de chacota do autor e dos leitores.
Vamos ver se o tempo me traz de volta algum sapatinho de cristal.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

'O que temos de mais certo na vida'

A Nani foi surpreendida por uma condição de quilotórax. Acabou por não conseguir sobreviver.
Tudo parece ter começado há duas ou três semanas, quando lhe começámos a notar uma respiração abdominal forte. Mas pode ter tido origem em acontecimentos ou anomalias mais prolongadas. Nestas três semanas, não apresentou queixas muito evidentes, mas deu alguns sinais no último fim-de-semana, como retrair-se das brincadeiras e correrias, um pouco menos de apetite.
Quando resolvemos levá-la ao veterinário, foi-nos explicado que ela estava com muitas dificuldades em respirar, embora não o evidenciasse muito, porque tinha a caixa toráxica invadida de líquido.
Foram-nos apresentadas três opçôes : ou ela acabava por morrer asfixiada, ou se recorria à eutanásia, ou se tentava aliviar o seu estado e determinar a causa desta condição para poder seguir-se algum tipo de tratamento. 
As causas mais frequentes em gatos que não estão expostos ao exterior podem ser tumores (que no caso dela se concluiu não existirem) ou anomalias cardíacas ou congénitas.
Optámos pela terceira abordagem. Entre dia 9 de Dezembro e 11, dias de frio soalheiro, decorreram as tentativas de salvar a Nani, que acabaram por não resultar.
Dona Turtle, couraçada na sua carapaça, num invulgar Inverno dentro de água, vai sobrevivendo a estas notícias. Espera-se que, naturalmente, nós também sejamos capazes disso.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

'What a Glorious day'

Um melro que foge para cima do muro. Olha-me de lado, atrevido, todo elegante na sua casaca preta.
Numa manhã fria, um sol radioso a aquecer a pele, e o esqueleto. A luz a espalhar côres nas coisas.
Datas a comemorar. Sempre lembranças, sempre aquele sorriso.
Num almoço solitário, uma surpresa totalmente ao acaso : requeijão com doce de abóbora.
É sexta-feira, dois copos de branco, à sexta-feira permite-se. Um brinde silencioso, e mais um Outono a cheirar a Inverno, mais um Natal à porta.
Sejam Felizes. Vejam os melros, estão animados.


terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sinais


Nesta rosa, ou numa outra,
em cada sombra do mar, 
em cada projecto diário de nuvens, 
nos vossos gestos serenos, 
por cada conselho que sigo, 
 cada vitória celebrada,
em toda a derrota ultrapassada,
em cada sono  tranquilo, 
encontro-me com as memórias de outros tempos 
e com os rostos familiares do passado.

Estão em cada rosa, em cada nuvem,
em cada onda do mar,
no arqueado lento da gata,
no recorte matinal das margens do Tejo,
na Lua cheia, ou na Lua nova,
em cada projecto realizado agora,
em muitos dos meus mais queridos sonhos, 
para sempre.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Roseirinha

Esta manhã a Nani conversou comigo sobre o tempo.
Queixou-se calmamente da chuva e do frio que chegaram durante a noite que passou. Nunca tinhamos tido uma conversa tão longa.
Desenhei a roseirinha. Amanhã se tiver tempo ponho aqui.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Roseirinha

Se se lembram do meu post "Tratamento radical para a cochonilha" percebem como fiquei contente este fim-de-semana por ver uma rosinha a despontar na roseira da Lau e da Bi.
Despontou e foi imediatamente rodeada de 'pulgões', mas o Filhote deu cabo deles.
Muito rica em fauna, a nossa varanda.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Síndrome de qualquer coisa

Penso que se chama Temperance, aquela cientista do 'Bones'.
Identifico-me com ela em questão de falta de perspicácia, não intelectual mas emocional, se bem que ela aparenta ser bem mais dotada em outros aspectos que lhe conferem qualidades que eu não tenho.
O meu espírito geométrico impele-me sempre a dizer o que sei, que estou convencida que é verdade, com poucas papas na língua, sem antever os prováveis arrasos que isso pode ter nos que me rodeiam.
Arrependo-me por vezes de não ter sabido evitar as ocasiões de confissão auto-forçada, mas mantenho a convicção de que era aquilo que tinha de ser dito naquela ocasião.
Quando me querem confidenciar algumas tramas profissionais, por exemplo, peço sempre encarecidamente que o não façam, para não ceder ao meu impulso primordial de não ocultar o que sei. Por vezes o meu pedido não é atendido, mas não sei se posteriormente se arrependem ou me consideram desleal por eventualmente surgir uma ocasião em que me sinto forçada a revelar o que sei.
Sou muitas vezes mal interpretada, porque parece que o meu entendimento das coisas está longe d'a norma'.
Sei guardar algum tipo de segredos, mas não me sinto confortável nessa dimensão.
O Tempo tem normalmente jogado a meu favor, e cada vez tenho mais pena da sua-minha 'finitude' (como me dizia outro dia uma amiga).