Naquela casa vivem um homem e a sua gata.
O coração da mulher era um adereço a mais, e por isso foi guardado numa arrecadação esquecida. As mazelas da mulher aconteciam sempre contra o planeado, bem como os seus caprichos, por isso foram metidos em sacos de plástico bem fechados, e já ninguém sabe onde os guardou, se é que não foram deitados fora.
Os carinhos da mulher não compensavam tais estorvos, se se pensar bem no assunto. Chata como muitas mulheres de meia-idade, sempre impregnada de amargas divagações sobre a vida.
Em novos eram felizes, mas avançando a idade a companhia silenciosa de uma gata é mais gratificante. Bem. não é que o homem já seja velho, não, ainda está cheio de humor e genica, é uma companhia agradável para os que quer. Mas logo que lhe apetecem pantufas, a sua casa com gata é a sua rotina terapêutica, e da mulher sobraram os tarecos de uma vida simpática mas desgastante.
Bem, «tarecos» não, é um homem e a sua casa com gata.















