Não tenho muita tendência para confiar no aleatório, mas como diz uma amiga minha citando John Lennon : 'A Vida é o que acontece enquanto nos distraímos a fazer planos'.
Aleatoriamente, ontem, um casal que se sentou numa mesa ao nosso lado ao almoço acabou por conversar connosco, acontecimento que me costumava deixar pouco à vontade. Foi uma conversa engraçada e praticamente anónima, inesperadamente agradável. Chamou-me a atenção para particularidades da organização de um serviço de restaurante em que não tinha pensado antes. A senhora foi dona de um restaurante de alta gama e ainda sonha em voltar a dedicar-se à restauração com uma tasquinha de petiscos.
É uma interação que não deixa dores nem remorsos, nesta fase da minha vida em que deixei que os outros me abordem mais de perto e que também os procuro com mais atenção.
Ultimamente tenho tido dois tipos de surpresas alternadamente, as agradáveis e as desagradáveis, que me parece que se sucedem a um ritmo muito mais acelerado do que no meu tempo de juventude, em que muitas ilusões escondiam realidades que só enfrentei agora, e em que no meu casulo me tentava resguardar de surpresas menos felizes.
As surpresas agradáveis continuam a segurar-me, e são tão aleatórias como as outras.













