quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O aleatório

Não tenho muita tendência para confiar no aleatório, mas como diz uma amiga minha citando John Lennon : 'A Vida é o que acontece enquanto nos distraímos a fazer planos'.
Aleatoriamente, ontem, um casal que se sentou numa mesa ao nosso lado ao almoço acabou por conversar connosco, acontecimento que me costumava deixar pouco à vontade. Foi uma conversa engraçada e praticamente anónima, inesperadamente agradável. Chamou-me a atenção para particularidades da organização de um serviço de restaurante em que não tinha pensado antes. A senhora foi dona de um restaurante de alta gama e ainda sonha em voltar a dedicar-se à restauração com uma tasquinha de petiscos. 
É uma interação que não deixa dores nem remorsos, nesta fase da minha vida em que deixei que os outros me abordem mais de perto e que também os procuro com mais atenção.
Ultimamente tenho tido dois tipos de surpresas alternadamente, as agradáveis e as desagradáveis, que me parece que se sucedem a um ritmo muito mais acelerado do que no meu tempo de juventude, em que muitas ilusões escondiam realidades que só enfrentei agora, e em que no meu casulo me tentava resguardar de surpresas menos felizes. 
As surpresas agradáveis continuam a segurar-me, e são tão aleatórias como as outras.

sábado, 1 de outubro de 2016

Cantigas de Amor e de Amigo

Gastei meu Tempo todo à tua espera.
Teu sonho foi sempre um que eu não sonhasse.
A Vida ia seguindo sem que eu visse
que amares-me tu por mim era quimera.

Nos teus olhos de mar perdi a Vida,
no fim de um sonho que me abandonou.
Meu sonho era ser tua no teu sonho.
Sonhavas com sereias que eu não sou.

Vive, sonha, ama, segue em frente.
Meu Tempo já gastei em mil desejos,
chegou ao fim o sonho que me mente.
Desfez-se a ilusão de doces beijos.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Familiarmente

Apercebi-me, finalmente, que temos estado a ser atropelados por uma competição de afectos, na qual não dei conta que estavamos enquanto os meus Pais eram vivos. 
Essa competição fez vítimas nos que me são muito queridos, e tal como noutras áreas em que sempre me recusei a competir, desta também vou retirar-me.
Valha-nos o Amor e a Amizade dos que genuinamente são boa onda.
Não vamos competir para ser os melhores, vamos, como em tudo o resto, viver a nossa vida o melhor que sabemos.


sábado, 24 de setembro de 2016

Cantigas de Amor e de Amigo

O gelo indecifrável dos teus olhos
quebra de quando em vez em Primaveras.
Sorrindo generosos de alegria
aquecem-me de Amor o coração.

Feitiços dos teus olhos côr do mar
em ondas incontáveis de mistérios.

O frio e forte vento dos teus gestos
dá lugar às carícias mais acesas.
Na Primavera suave dos teus olhos
sou de novo a mais bela das Princesas

Segredos dos teus olhos verde mar
quebrando em espuma breve. Mil mistérios.

sábado, 17 de setembro de 2016

Sintra




De Sintra trago sempre na pele e na memória a frescura e a grandeza das árvores, as folhas leves ou fortes, muito verdes, os muros antigos e os portões de ferro.
Este portão talvez não esteja lá, os portões de Sintra são largos e trabalhados, mas este foi o que coube na imagem que consegui trazer para casa nos meus neurónios.
De novo a pintar com a sensação de ser criança deixada no seu espaço tranquilo de brincar com bonecas.

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Miss Meggy Pea e as plantas na varanda

Miss Meggy já tem há muito tempo a mania de depenicar umas plantinhas dos vasos da varanda. Nem sempre lhe faz muito bem, mas ela insiste e é difícil demovê-la das suas intenções persistentes. São plantas resistentes, onde a tartaruga costuma apanhar banhos de sol. 
Agora Miss Meggy deu em completar as minhas tarefas de jardinagem quando eu já não estou por perto ...
Tenho acrescentado terra a alguns vasos que têm a terra mais esgotada, como a sardinheira, a roseira e um arbusto florido que não sei o nome. Também tenho andado de roda da roseira a podá-la, a borrifá-la com uma mistura de água e sumo de limão e a limpar a cochonilha, embora hoje tenha visto no meu livro de jardinagem que podar é tarefa para o mês de Março.
Miss Meggy observa, parece aprovar, mas quando eu viro costas aí está ela a escavar criteriosamente a terra fôfa e escura para fora dos vasos. Quando lhe pergunto porque fez tal marotice e aceno com a minha mão a ameaçar uma palmada, põe o seu olhar mais inocente e roça-se nas minhas pernas.
Tudo se passa num abrir e fechar de olhos. Não sei se é o toque de jardineira excêntrica que ela encarna por instantes, género Salvador Dali num momento sublime de inspiração, ou se tem medo que eu 'enterre' as pobres plantas. Anteontem a roseira ficou com uma raiz de fora depois da intervenção da Meggy, e por isso resolvi envolver o vaso e esconder a terra com uma faixa de papel/tecido ZaraHome para a proteger. Nos últimos dois dias resultou, vamos ver se a Meggy não volta a ter um rasgo de jardineira excêntrica.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

domingo, 7 de agosto de 2016

Casa cheia

Naquela casa vivem um homem e a sua gata.
O coração da mulher era um adereço a mais, e por isso foi guardado numa arrecadação esquecida. As mazelas da mulher aconteciam sempre contra o planeado, bem como os seus caprichos, por isso foram metidos em sacos de plástico bem fechados, e já ninguém sabe onde os guardou, se é que não foram deitados fora.
Os carinhos da mulher não compensavam tais estorvos, se se pensar bem no assunto.  Chata como muitas mulheres de meia-idade, sempre impregnada de amargas divagações sobre a vida.
Em novos eram felizes, mas avançando a idade a companhia silenciosa de uma gata é mais gratificante. Bem. não é que o homem já seja velho, não, ainda está cheio de humor e genica, é uma companhia agradável para os que quer. Mas logo que lhe apetecem pantufas, a sua casa com gata é a sua rotina terapêutica, e da mulher sobraram os tarecos de uma vida simpática mas desgastante.
Bem, «tarecos» não, é um homem e a sua casa com gata.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Memória de peixinho dourado

Estou cada vez mais rendida à memória de peixinho dourado que tem transformado o meu dia-a-dia para melhor. O que torna muito provável que eu já tenha aqui falado sobre este tema mas já não me lembre ...
Não estou a falar de memória para temas técnicos, que essa eu ginastico na medida das minhas possibilidades, para me poder manter ativa profissionalmente.
Também não estou a falar das memórias gratificantes, algumas mais recuadas, outras felizmente muito recentes.
Falo da memória para as desfeitas que me fazem, para os contratempos e as traições, para a falta de amor, amizade e lealdade. 
Procuro afastar-me, e sempre que me aproximo das fontes dessas experiências adoeço física e psicológicamente. 
A maneira de recuperar é distância e esquecimento.
E a companhia daqueles que nos estimam e respeitam.
A memória de peixinho dourado parece ser a receita de prevenção e combate à insanidade.
Esperemos que esteja a tempo de aprender, e que possa transmitir esse ensinamento aos que me são mais próximos.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Ondas sobre as ondas

Não sei como transmitir a experiência de avistamento de golfinhos que tive na minha semana de férias.
Foi diferente de vê-los em espectáculos nos zoos, foi muito diferente de vê-los nos documentários subaquáticos ou em imagens tiradas de avião.
Ali estávamos nós, na praia, o mar na praia extensa ao nível dos nossos olhos, e de repente um movimento de pessoas na praia a aproximar-se da beira-de-água, e nós um pouco mais atrás vimos o ondular dos dorsos de 5 ou 6 golfinhos selvagens a mergulhar e a seguir uns atrás dos outros, a meia distância da praia, ao nível do nosso olhar.
Ainda consigo refazer a imagem na minha cabeça, memorável, de tirar a respiração.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

quarta-feira, 1 de junho de 2016

A roseirinha da Lau e da Bi costuma dar uma rosa em Maio/Junho e outra no final do Outono

Os cuidados que lhe dedico são essencialmente um 'refill' de terra nova, escura e suculenta, por volta de Janeiro, uma ligeira poda quando está com tronquinhos secos por volta dessa altura, e borrifos nas folhas com água misturada com sumo de limão ou laranja sempre que aparecem os pulgões e a cochonilha, retirando a maioria dos pulgões e da cochonilha maior com um lenço de papel. Rego-a de forma a nunca ter a terra muito seca. A chuva ajuda no resto.
Algumas destas coisas foram-me ensinadas pela saudosa amiga Zé 'do Zé Paulo'.

terça-feira, 31 de maio de 2016

segunda-feira, 30 de maio de 2016

A Rainha Vermelha


Na semana passada fomos ver 'Alice do outro lado do espelho'. 
A Rainha Vermelha tem o nome de Ira(qualquercoisa). Tem uma cabeça enorme devido a um acontecimento da sua vida.
Foi nesse estado de espírito que comecei o fim-de-semana : irada. 
Pude constatar que não é uma boa maneira de tentar pintar uma rosa. 
Foi o primeiro quadro que comecei em esforço no sábado, e pintei por cima esta manhãzinha bem cedinho, muito em tensão, ao contrário da habitual descontração de brincar com bonecas que normalmente me absorve quando pinto.
Sou um bocado cabeçuda, tenho a mania de que ninguém gosta de mim como a Rainha Vermelha, e os que aturam os meus intempestivos acessos de mau-génio conhecem dessa forma a Rainha Vermelha em pessoa.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Quadros



Em telas 20x20, de manhã ou no fim de tarde de um fim-de-semana na varanda. Estendo o atelier numa mesinha pequena que era do filhote quando era pequenino. Um plástico para prevenir manchas de tinta fora da tela. 
Seguro a tela com a mão esquerda, controlo a Meggy pelo canto do olho não vá ela pintar-se toda e pintar o chão. As flores estão lá como modelos e é um prazer captar alguma da sua beleza.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Código binário

Eu trabalho em informática, e a minha cabeça costuma trabalhar à base de clicks e faíscas. Mas não consigo fundamentar todos os meus raciocínios, porque reajo numa espécie de intuição digital, muitos clicks, alguns flashs, e forma-se no meu cérebro uma imagem de uma explicação para os eventos da máquina que não é totalmente explícita, é muitas vezes apenas uma suspeita com pouco vocabulário de suporte.
Ensinaram-me nos meus tempos de estudante que a máquina trabalha com o binómio 'presença de corrente-ausência de corrente', '1-0', 'V-F', e acho que a minha intuição é também bipolar, como o meu humor e as relações que tenho com a Vida, o Amor e os Amigos.
No meio profissional os 'machos-alfa' rejeitam-me, não têm paciência para a minha intuição digital e a minha falta de explicações claras.
No meio familiar já desenvolveram um amor descodificador dos meus 1s e 0s. Os meus Amigos acarinham o meu humor binário, e a dedicação limpa da nossa gata Meggy prova que a Vida é feita de Vs e Fs sem necessidade de recorrer a linguagem sofisticada.

terça-feira, 10 de maio de 2016

O Espírito Santo na tua vida - Odile Haumonté

Ainda não está terminado, falta pintar em baixo e assinar. Foi pintado de um fôlego, na manhã tímida deste sábado. Comecei pelo branco e amarelo em toda a tela, e fui pedindo o mar, a areia e o céu com vários tons de azul, verde, ocre, branco e preto. É num tempo à parte.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Salada de atum, feijão frade e bróculos

Para uma lata pequena de feijão frade, 6 raminhos de um pé de bróculos, uma lata de atum Bom Petisco em azeite e uma colher de sopa de cebola picada.
Cozer os bróculos em água temperada de sal. Retirar, colocar numa tigela temperando com azeite e vinagre, deixar arrefecer e levar tapado ao frigorífico.
Escaldar o feijão frade escorrido, em água temperada de sal. Pôr na taça de servir e deixar arrefecer.
Quando fôr servir, junte ao feijão o atum escorrido e desfeito, a cebola crua, os bróculos partidinhos, e acabe de temperar, tudo junto, com azeite e vinagre.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Cantigas de Amor e de Amigo

O meu amor é tenebroso e escuro,
o teu amor por mim nunca existiu.
O meu amor suspira e tu sorris,
aquele beijo há muito que fugiu.

És livre e eu cativa.
És vento forte e eu água parada
sem luz nem rosto, apenas o teu espelho.
O teu amor por mim nunca existiu.

domingo, 10 de abril de 2016

Morrer de desamor

Não é o amor que mata, é o desamor.
Morre-se de viver o outro e não nós próprios.
Morre-se de viver sózinho numa outra divisão do 'lar'.
Morre-se de amar o outro sem existir, morre-se pelas horas do dia que passam sem existir.
Morre-se da simplicidade do sorriso puro de desamor do outro.
Morre-se da complexidade do nosso amor.
Morre-se de desamor.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Pausas

Deram-me este link.
Estava em manhã de medir a tensão e o colesterol.
Guardo o link aqui para ocasiões futuras, porque o que se ouve normalmente na minha atual sala de trabalho é a agitação da Comercial.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Mudanças

É assustador vermos como a vida das pessoas que trabalham por conta de outrem é controlada por modelos mais ou menos standardizados. 
Eu não consegui ver isso para mim própria a não ser no momento em que fui apanhada pelas roldanas mais implacáveis do modelo, já na idade de muitos dos que me acolheram quando comecei a minha carreira.
Nesta idade conseguimos ver várias fases da vida serem regidas pelo modelo, o modelo que nos foi aplicado em novos, que nos trazia expectantes e esforçados, agora aplicado noutros, o modelo que deixava os mais velhos resignados e impotentes agora aplicado a nós próprios.
É chocante a falta de respeito pela dignidade das pessoas. 
É assustador e é preciso reagir.
Não nos deixarmos esmagar pela inevitabilidade, agarrar a possibilidade de escolher entre várias alternativas mesmo que escassas e não óptimas nem fáceis.
Mas eu não sou diferente dos que me precederam.

domingo, 20 de março de 2016

Essai de figure en plein air (Monet)

Estive algum tempo sem montar o atelier, sem inspiração, sem tema. No fim de semana passado cheguei a espalhar pinceis e tubos de tinta no plástico sobre a mesa, tirei o celofane e cravei as cunhas na tela, mas ficou em branco. Pensei que alguma bruxa má me tinha roubado a graça de pintar.
Mas este Domingo comecei este tema de Monet de que tanto gosto. Esperemos que fique bonito.