segunda-feira, 12 de março de 2018

Em atelier

O meu primo ZM encontrou um rolo por revelar numa máquina antiga que foi do meu Pai e do Pai dele. Desse rolo revelaram-se preciosidades de África do final dos anos 50. 
Estou a inspirar-me numa delas para esta pequena mas robusta tela 20x20. Ainda não está pronta. Tenho medo de acabar por a estragar, e registo aqui uma fase que me deu muito gozo pintar na manhã de Domingo. 
Houve uma aberta de boa luz, de cerca de três horas, no meio da tempestade que tem mantido, nestes últimos dias, o céu muito cinzento e pouca luz para quem quer pintar.


terça-feira, 6 de março de 2018

Tempo de reformas

Parece que Tatiana veio da Rússia há uma dúzia de anos para me cortar o cabelo. Quem diria, eu tão pouco viajada com um corte de cabelo feito por uma russa.
Esta minha fase da vida está repleta de reformas : o meu médico reformou-se, tive de procurar uma médica mais jovem ; o snack onde almoçava tornou-se dispendioso demais para o que eu preciso de comer, passei a ir ao refeitório ; o cabeleireiro onde ia há 30 anos fechou, tive de procurar uma alternativa. 
E como Portugal está cheio de estrangeiros, a alternativa acabou por ser Tatiana, da Rússia, que não gosta de Lisboa. Prefere Sintra. E só vai à Rússia no tempo mais ameno, porque as roupas que tinha, adequadas ao frio de lá, já estão muito estragadas e fora de moda.
Pedi-lhe que mantivesse o estilo do meu corte. Tatiana estranhou a minha falta de exigências, e terminou dizendo, 'pôs nô quer nada spécial, ficá sô ássim ...' e fez um sorriso de desalento. Penso que preferiria mostrar-me como ficaria com um verdadeiro corte à russa.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Luar

Ontem fui despertando cêdo com uma ideia de um quadro que foi amadurecendo. Quando já havia luz suficiente para pintar, pus em prática o plano de construção : uma tela que por lá andava com qualquer outro fim que não terá ido avante; umas pinceladas de branco misturado com um niquiquiquinho de amarelo alaranjado, em cima à direita, um pouco abaixo onde já seria mar, e em baixo à esquerda para equilibrar; depois, muito azul da prússia, com preto e azul marinho, na zona do céu escuro e ligeiramente sobre o branco do luar; essa mesma mistura com um pouco de verde claro marinho para a área do mar; um pouco de ocre, a mistura escura e branco na zona da areia; rematar em branco puro para a espuma das ondas e com a lua, que se funde com os escuros e claros que já lá estão.
'A la prima', ou 'húmido sobre húmido'.


quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Pelo Natal, a Pelorito ensinou-me a fazer bolachas

Ela chama-lhes 'Botões de Natal', e molda-as na forma de rodelas pequenas com rebordo e furos feitos com um espeto (com o palito os buraquinhos fecham quando a massa cresce).
Passei a fazê-las frequentemente para acompanhar a minha caneca de café com leite matinal. Tirei um pouco da manteiga e já não ponho a pitada de sal, e faço assim:
Ligo o forno a 180º.
Com uma colher de pau, misturo na tigela de bolos 120g de manteiga dos Açores com 100g de açucar. Junto o ovo inteiro, que ajuda a mistura. Finalmente 300g de farinha Branca de Neve (que tem fermento). Depois de misturar grosseiramente com a colher de pau, tem de se amassar com a mão, espremendo a massa entre os dedos até ficar uma pasta com que se consegue moldar uma grande bola.
Vá retirando pedaços dessa bola, rode-os na palma das mãos como se faz com a plasticina, espalme a massa numa base limpa em discos de +- 5mm de expessura, e corte as bolachas. 
Vá colocando as bolachas no tabuleiro do forno sobre papel vegetal.
Repita juntando a massa que sobra do corte das bolachas ao novo pedaço de massa, rode em bola com as palmas das mãos, espalme em disco e corte bolachas.
Eu uso uma forma de corte de bolachas em forma de flôr, mas fica ao seu gosto.
Quando terminar a massa, leve o tabuleiro com as bolachas ao forno. Levam cerca de 15 minutos a começar a alourar, e vá retirando as que ficam mais coradas, e tenha atenção que de repente elas começam a ficar rapidamente coradas.
E desta forma divirto-me com a recordação dos trabalhos de plasticina na escola primária.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Dia glorioso, o de ontem



O dia começou muito cedo para mim, e tive o previlégio de assistir a um nascer do sol desenhado a luz nas nuvens, em tons que variavam de suaves amarelos e rosas, até vermelhos, laranjas e roxos.
Na viagem de regresso, também cedo, uma turista sentada no banco à minha frente recolheu no seu telemóvel muitas fotos de luz branca refletida na água do rio e filtrada por nuvens belíssimas brancas e azuis cinza.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Começa assim, isto promete

Costumo fazer planos para começar bem cada ano, ter ah mão uma peça de roupa nova para vestir, nem que sejam umas cuecas, uns doces da época para disparatar a dieta, companhia carinhosa para ajudar a fechar bem o ano que acaba e a desembrulhar com um sorriso o novo ano que começa.
Mas este 2017 apanhou-me mesmo no finzinho com uma semana inteira de férias atacada de tosse e náuseas, e foi assim que me atirou para o primeiro dia de 2018.
Uma maneira inédita e nada planeada de passar o Ano.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Acordei no feriado com uma ideia para umas rosinhas de crochet

Há coisas que me entristecem, e há coisas que me alegram. Há coisas que atribuo aos espíritos sábios, há coisas que são muito terrenas e pouco inteligentes. Sou bafejada com momentos de bom-humor, e momentos de real 'chateação'.
Estes dias mais recentes houve de tudo.
Aqui fica um dos momentos bons.

Dedicadas a todos os que esperam da Vida muito carinho a dar e a receber.


quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

No Japão há um povo que vive para além dos 100

Dizia uma notícia que alguns dos segredos de uns japoneses de uma certa região conhecida por os seus habitantes viverem para além dos cem anos eram : ter uma horta, que lhes permite usufruir de frutos e legumes frescos todo o ano, preservarem rituais e tradições antigas, orgulharem-se das suas raízes, e entre outras coisas manterem-se ativos mesmo nos seus tempos livres.
Eu tenho andado a aproveitar muitos dos meus tempos livres em casa para 'estender o esqueleto' a recuperar do sono que ultimamente não tinha durante a noite. Mas agora parece que recuperei o sono, não sei se graças aos 'caça-pesadelos' de que já falei aqui. Espero começar a aproveitar os meus tempos livres em casa para a pintura ou outros novos projetos, como dar uso à máquina de costura que o Filhote me comprou no Lidl.
Entretanto, esta tarde, com tarefas pendentes de feedback, aproveitei o vazio para mais um paint.
Cá vai.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Ontem nasceu mais um novo elemento da Humanidade

Ninguém o conhecia antes, nem mesmo a sua Mãe. 
Aposto que já tinham conversado muito um com o outro, já tinham ouvido música juntos e até já tinham ido juntos à apresentação de livros da Mãe, mas nunca se tinham olhado olhos nos olhos. Aquele ser pequenino e novo, que nunca ninguém antes tinha visto, nasceu ontem. Eu sou uma das suas Tias-Avós babadas à distância. 
Já vi uma foto dele, babygrow de estrelinhas porque é uma estrela na vida dos seus Pais e Avós, olhos fechados a refletir no que foi uma viagem alucinante, só sua, um segredo na proteção de um Universo interior encorajado pelas vozes que combinaram o seu nome.
Votos de muita Saúde e Felicidade para ele e para todos os que o amam.

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

E onde estão as árvores ?

Numa época festiva de há alguns anos atrás, a minha Tia Lilita ofereceu ao Zezo um livro de fotografias alusivas ao Porto e ao rio Douro. Uma das fotografias tinha a legenda 'nascente do Douro'. Inspirada nessa fotografia pintei um quadro bem verdinho, com muitas árvores, que já publiquei aqui no blog.
Estou apreensiva com as notícias de que a nascente secou, e que agora voltou a ter água em consequência de um nevão, e os meus receios relacionam-se com a ausência de árvores nas fotografias que acompanham agora essas notícias : não se vêem as árvores, que na fotografia que nós temos rodeiam todo o percurso da nascente escolhido para a ilustrar.
Onde estão as árvores  ? 
Estas novas fotos são do mesmo local na nascente do Douro  ?
Se são, o que aconteceu às árvores ?

terça-feira, 21 de novembro de 2017

'Caça pesadelos'

Os feiticeiros das tribos índias americanas deviam saber bem o que estavam a fazer quando inventaram o 'caça pesadelos'. 
É aquele círculo com uma teia de fios no interior, enfeitado de penas, missangas, fitas de couro e outros amuletos. Pendura-se na janela do quarto de dormir, e a teia captura qualquer pesadelo que nos queira perturbar as noites de sono.
Espero poder fazer o meu próximo quadro inspirado nesse símbolo da sabedoria dos povos antigos.

domingo, 29 de outubro de 2017

Contigo

Cheguei a sonhar sermos a noite e o dia
que descansávamos à vez um pelo outro
e que por certo éramos eternos.

Quando ficámos à porta da casa vazia
marcámos num novo local o nosso encontro,
trouxemos connosco os nossos Verões e Invernos.

A Vida prossegue agora mais além.
Tu vens comigo e eu vou ser sempre tua,
caminhamos lado a lado a mesma rua.
Estamos sempre com quem mais nos quiser Bem.

domingo, 1 de outubro de 2017

Montesouros numa tarte de maçã

Pré-aquecer o forno a 190º.
Fazer a base igual à da tarte de lima :
200g de bolacha digestiva Continente picadinha na 1-2-3
4 colheres de sopa de açucar
100g de manteiga Açores derretida
Misturar bem, deitar na forma de tarte e calcar formando a base com rebordos. Vai ao forno 10 minutos, retira-se e deixa-se arrefecer.
Para o recheio, 4 peros verdes/amarelos de Montesouros, partidinhos em pedaços num tachinho de inox, 4 ou 5 colheres de sopa de açucar amarelo. Pôr a lume médio (pus em 3 de fogão elétrico) deixar cozinhar até ficar translúcida e macia, mexendo de vez em quando, juntar uma noz de manteiga Açores. Desfazer em puré com a varinha mágica e deixar arrefecer. Com a batedeira dos bolos, bater duas gemas com uma colher de sopa de açucar amarelo, juntar o puré de maçã, e bater mais 2 ou 3 minutos, para ficar um creme fôfo. Verter na base, alisar, e levar ao forno 30 minutos.
Servir fria.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Tia Gladdys

Gladdys tinha o rosto liso, redondo e luminoso de um Sol de meio-dia no Verão. O batôn vermelho e os olhos amendoados sublinhavam o sorriso e a gargalhada de coração à mostra que alegrava as festas em casa dos meus Pais. O cabelo preto tinha aquele jeito de onda que as crianças desenham no alto da cabeça das suas figuras de meninas. Foi por ela que fiquei a saber que havia uma doença chamada 'diabetes' mas que não parecia ser nada assustadora porque a tia Gladdys estava sempre bem disposta e a contagiar os outros com a sua Felicidade.
Lembrei-me dela agora que me assaltam pontualmente e de surpresa memórias da minha infância. Não sei se ainda é viva, perdi o contacto com muitos dos amigos de então. Onde quer que esteja, certamente tem a energia de um sorriso.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Tarte Louca Alice e o Chapeleiro

Uma composição inventada com base numa tarte de lima e na queijada, com uma cobertura do wokshop de Massas & Recheios. 

Aquecer o forno a 190º

BASE:
200g de bolacha digestiva Continente picada na 1-2-3
100g de manteiga Açores derretida
4 colheres de sopa de açucar
Misturar tudo e calcar bem numa forma de tarte com aro amovível. 
Vai ao forno 10 minutos.
Retirar e deixar arrefecer.

CREME:
2 queijinhos frescos meio-gordo esmigalhados
4 gemas
1 lata de leite condensado
2 colheres de sopa de leite
Ir juntando por esta ordem e batendo bem com a batedeira de bolos.
Verter sobre a base, levar ao forno +-30 minutos, até ficar firme e coradinha.
Depois de arrefecer retire o aro da forma.

COBERTURA(coulis de morangos):
70ml de água
100g de açucar
250g de morangos bem lavados e partidinhos
Levar ao lume a água com o açucar, mexendo com colher de pau, até chegar a um ponto em que começa a ficar uma mistura mais pesada. Juntar os morangos, baixar ligeiramente o lume, e deixar cozinhar até ficar uma mistura quase desfeita e expessa. Vá mexendo. Passe com a varinha mágica. Deixe arrefecer para utilizar como cobertura da tarte.

Coloque a tarte no frigorífico, sirva fria.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

De volta


Esta praia estava para ter uma figura feminina que nos impressionou nesse dia. Uma senhora de idade, extremamente magra, alta e elegante, com um chapéu branco de abas largas, um vestido esvoaçante, umas luvas de renda brancas, que em passos longos e lentos apreciava a paisagem.
Mas o ambiente que o quadro transmite é tão agradável que tive medo de o estragar com uma figura humana, que é um elemento que não estou habituada a pôr nos meus quadros e por isso pode falhar.
Em 'atelier' está um novo quadro de elétrico.

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Orquideas tamanho família

Terminado e já arrumado numa das minhas pilhas de quadros. Será que algum dia pego nas pilhas e peço para fazer uma exposição ? Já tenho alguns quadros em casa, para além dos que já fui oferecendo. 
Na semana passada tive oportunidade de assinar o 'Invenção de Serralves', que tinha oferecido há já algum tempo.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Orquídeas tamanho-família

Ainda não acabei as orquídeas tamanho-família. Como sempre tenho saudades dos meus quadros em construção quando não estou em casa, e por isso ponho-me a desenhá-los em paint, para os ver aqui pelo blog.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Em atelier

Em atelier estão dois 'trabalhos' : esta roseirinha 20x20 e umas orquídeas 'tamanho família'. Aproveitei o feriado 25 de Abril e o fim-de-semana de 1 de Maio e deliciei-me, agora convencida da gracinha dos meus quadros. 
Eu sempre gostei deles, mas com noção de que não saía exatamente o que eu estava à espera. Ofereci muitos com muito carinho, e espero que agradem a quem os recebe.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

terça-feira, 11 de abril de 2017

Can I be a painter ?



- Can I be a painter ? – I asked.
I waited some time for an answer.
Only Time could answer me, anyway.
Only God and my Friends could hear me then.
The clouds, the sea, the flowers, the trees,
The colors, the smells and the breeze,
Spring, Summer, Autumn and Winter,
The brushes, the canvas, the wooden easels,
I took them all in my heart.
And from Time and Friends, from Love and God,
came the strength to paint the shapes and the colors in my heart.


- Posso ser uma pintora ? - perguntei.
Esperei algum tempo pela resposta.
De qualquer forma, só o Tempo me poderia responder.
Só Deus e os meus Amigos me podiam então ouvir.
As nuvens, o mar, as flores, as árvores,
As cores, os aromas e a brisa,
Primavera, Verão, Outono e Inverno,
Os pincéis, as telas e os cavaletes de madeira,
Recebi-os todos no meu coração.
E do Tempo e dos Amigos, do Amor e de Deus,
chegou-me a força para pintar as formas e as cores no meu coração.

 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

domingo, 2 de abril de 2017

1 de Abril de 2017

Eu sei que era o dia das mentiras. Mas algumas coisas importantes na minha vida aconteceram neste dia, aconteceram mesmo de verdade.
Costumo mostrar os meus quadros, ao vivo ou em foto, ao nosso amigo David, pintor grande, que muito aprecio. Neste dia 1 de Abril mostrei-lhe fotos da 'orquídea branquinha' e do 'elétrico'.
Matutou, como se falasse consigo próprio soltou uma apreciação que tinha qualquer coisa a ver com bom-gosto. Depois, já a falar para mim, fez um gesto circular com a mão direita falando do movimento do quadro do elétrico.
O Zezo para variar mandou uma piada enquanto o David deu umas passadas no seu atelier, sorriso maroto nos lábios. Olhou-me e disse : - Bem-vinda ao clube, miúda !
Ao ver o meu ar espantado, repetiu a frase. O meu coração derreteu, e balbuciei um '... não te chego nem ao dedo mindinho ...' e pareceu-me que ele citava quando disse : - Não interessa miúda. Fala sempre, e se te mandarem calar fala na mesma !