Lembro-me bem da minha Tia Maria. Na altura achava que toda a gente para além de ter Avós, Pais e Tios tinha também uma Tia-Avó chamada Maria. Até havia o licor "Tia Maria". Devia ser uma peça fundamental em qualquer família.
A Tia Maria adorava bébés, tratava o cabelo branco com chá, e vivia sózinha em Lisboa. Tinha casado com um senhor muito mais velho, que não cheguei a conhecer, viveu no Brasil, e não teve filhos.
Contava aos sobrinhos-netos que em jovem era uma rapariga muito linda, mais linda até do que a irmã, nossa Avó, "não desfazendo". A minha Mãe não achava muita graça ao nosso fascínio pela Tia Maria, que nos cativava precisamente porque dizia e fazia bastantes coisas disparatadas.
E porque sentíamos alguma injustiça na sua solidão.
Pois bem, eu agora também sou uma Tia-Avó, esperando deixar marca por razões mais inócuas.
Muitas felicidades ao recém-nascido Sobrinho-Neto.
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