sábado, 1 de agosto de 2009

Nabos na púcara

Uns pareciam ter a arte de lhe tirar nabos da púcara. Outros iam metendo mais nabos para a sua púcara.
De vez em quando saíam-lhe nabos da púcara, vomitava-os mesmo, quando o volume já era muito ou quando os nabos já estavam tão inchados do longo tempo passado na púcara.
Ela prometia a si própria que iria eliminar aqueles nabos do seu organismo, apagá-los da sua memória, deixá-los sem rasto, mas um copinho de vinho e lá saíam eles, tal qual como tinham entrado, sem mais ponto nem vírgula.
Tentou defender-se dedicando-se às tartarugas. Não têm nabos a acrescentar à púcara nem fazem perguntas. O silêncio abençoado das tartarugas.
Mas o silêncio não é humano.
E nem desgostava de nabos, cortadinhos miudinhos, com tomate, num esparguete vegetariano.

1 comentário:

Tiza disse...

Não ligues aos nabos, liga mas é aos amigos, ao vinho, aos passeios e aos livros, que é o melhor que esta breve passagem nos oferece! o resto é paisagem! bjs
(mas é um belo texto, lá isso é verdade!)