quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Searas douradas


Não costumo expôr-me a este tipo de situações. Mas naquele dia solidarizei-me com a velhota que, a correr, ofegante, tinha acabado de perder a "carreira" à minha porta. Lançou uma asneirola, frustrada mas divertida, e fez-me queixa da pouca sorte. Ofereci-lhe boleia no meu carro, porque iamos para o mesmo destino.
E então presenteou-me com uma história das que eu aprecio. A velhota é uma antiga ceifeira, e durante o nosso trajecto contou-me como antigamente vinham trabalhadores do Alentejo para trabalhar em vastos terrenos de cultivo, mesmo ali onde agora cresciam prédios de betão e estradas de asfalto negro. Grande parte daqueles terrenos, agora urbanizados, eram percorridos a pé pelos numerosos grupos de ceifeiros contratados.
Imaginei-lhe o rosto envolto num lenço colorido por baixo de um chapéu de palha de abas largas, e deixei-a no seu destino, que afinal creio que não é o meu.

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