Li ontem um artigo que transcrevia uma entrevista a um psiquiatra que tem estudado, com bastante preocupação, os recentes casos de suicídio nos locais de trabalho. Falava por exemplo no caso da France Telecom, mas também em outros casos em pequenas empresas. Dizia ele que esses suicídios encerram uma brutal mensagem. Reflectia nas recentes estratégias de avaliação individual e ausência de avaliação de equipa, apreciação dos resultados quantificáveis do trabalho desenvolvido e não do próprio esforço desse trabalho.
Falava de como a adopção destes métodos tem coincidido com o aumento de baixas ligadas a doenças mentais. De como pode ser fomentado o medo num grupo de pessoas através do assédio a um elemento desse grupo.
A dada altura afirmou ter acompanhado o caso de uma mulher que tinha pertencido a um grupo de gestores em formação específica de gestão. No início da formação cada participante fora presenteado com um pequeno gatinho, e durante as seguintes sessões trocavam impressões sobre a relação que iam estabelecendo com o seu gatinho. No final da formação foi-lhes ordenado que matassem o seu gato. A mulher recusou-se e ficou doente; os restantes participantes executaram a tarefa.
A mim não me surpreendeu. No meu percurso profissional já tive oportunidade de assistir e conviver com comportamentos que não têm a ver apenas com a formação que então nos é dada, mas antes manifestam o que ao longo da vida desenvolvemos dentro de nós, em vários aspectos incluindo o relacionamento com os outros.
Costumo até dizer que já na escola primária as diversas personalidades, apoiadas não só em skills mas também em regras e princípios que são intrínsecos a cada indivíduo, determinavam o lugar na 'cadeia alimentar' ...
Desconhecendo eu até aqui que há mesmo 'cursos de matar gatos' ...
2 comentários:
Vivam os gatos !!!
Bolas, esta é forte! acho que ultrapassa os níveis do admissível! Aliás, acho que as pessoas que organizaram esse grupo de 'formação' é que deviam receber tratamento psicológico!
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